Vivendo pela Fé – Parte II

Deus não está tentando que sejamos os primeiros em boas obras. Ele nos traz da morte à vida para que tenhamos a natureza divina em nós. Aos Seus olhos, os justos não são aqueles que fazem boas obras, mas aqueles que vivem pela fé em Cristo (veja Romanos 4.5, também Habacuque 2.4). Por certo, não estou dizendo que não devamos realizar boas obras, porém, estas são resultados de quem somos em Cristo e não o caminho para chegar a Deus.

Em Habacuque 2.4, Deus apresenta dois grupos de pessoas. Aqueles que acreditam no Senhor e aqueles que são orgulhosos. Aqueles que são arrogantes não podem viver pela fé. A razão é que muitos não conseguem perceber que Deus esteja dando livremente tal dom pela simples fé em Cristo. Não precisa uma fé madura, nem uma fé desenvolvida, porém uma fé verdadeira. Assim, alguns desejam ganhar Seu perdão e Sua santidade através de fazer aquilo que é certo. Talvez, inclusive leiam este artigo e concordem com ele, porém estão vivendo como aquilo que este texto está denunciando.

Satanás continua dizendo hoje, como no Jardim de Éden, que não necessitamos depender de Deus para conhecer a verdade e a diferença entre o que é verdade do que não é. Talvez, ele não usou exatamente estas palavras, porém, o resultado são cristãos vivendo vidas cristãs sem comunhão, nem devoção, ao Deus vivo. Eles terminam acreditando que se fazem todas estas coisas pelo Senhor ou se conhecem melhor a Bíblia, então são cristão maduros e tudo está certo. Se deseja saber se você caiu nessa armadilha de Satanás, permita que te pergunte se você se sentem mais espiritual quando lê todos os dias a Bíblia e ora… e se sentem uma cristão carnal quando não faz tal coisas. Se é assim, então você ainda não compreendeu a graça maravilhosa de Deus.

 

Nossas emoções ou consciências não definem quem somos em Cristo, nem nossa santidade. Estas são subjetivas, enquanto nossa identidade em Cristo é objetiva.

Este problema não é novo. Paulo enfrentou esta situação, por este motivo escreveu a carta aos Gálatas. Eles tentavam ser perfeitos pelos seus próprios esforços (Gálatas 3.3). Eles consideram seu valor espiritual baseado no que tinham feito por Deus ou pelos resultados que tinham visto no seu ministério. Se eram positivos aos seus olhos, então estavam satisfeitos. Isto se observa na cultura cristã atual que os pastores de grandes igrejas são melhores pastores daqueles que tem igrejas pequenas. Talvez, seja verdade, porém nunca uma multidão foi sinal de sucesso aos olhos de Jesus. De fato, em muitas ocasiões, as pessoas acabavam abandonando a Jesus diante de ensinos considerados difícil de aceitar. Ele teve multidões que seguiram na sua vida, contudo se encontrava sozinho na Cruz. E, depois da ressurreição, tinha apenas 120 discípulos. Não eram números espetaculares. Porém, eram o resultado do ministério de Cristo na Terra.

É curioso perceber que quando as pessoas perguntaram a Jesus como podiam realizar a obra de Deus, Ele não diz façam boa obras. Jesus diz para acreditar nEle (João 6.28-29). Sem fé é impossível agradar a Deus.

Há muitos paradoxos na vida cristã e, aqui, vou apresentar a primeira delas quando somos resgatados e salvos do pecado e da morte.

1º Jesus nos justifica como se nunca houvéssemos pecado: deste modo podemos ter acesso ao Pai, como justos e filhos de Deus, porque Deus promete que nunca lembrará nossos pecados passados contra nos (Hebreus 8.12). Ao mesmo tempo, também recebemos a instrução de nunca esquecer nossos pecados passados, a fim de que não acabemos sendo cegos (2 Pedro 1:9).

2º somos pecadores, porém agora somos santos que ainda pecam: Isto faz que vivamos em uma constante tensão. Enfatizamos nossos pecados, que ainda existe em nós, ou o fato de ser santos e justos diante de Deus?
A resposta é que Deus deseja que não esqueçamos de onde estamos vindo para não voltarmos lá. Não há humildade em sentir-se culpado pelos pecados passados. Isto é descrença na obra redentora de Cristo, não humildade. Por isso, não deseja que nos desesperemos com o nosso passado, mas tenhamos a liberdade em Cristo, como filhos da promessa. Deste modo, agora vivemos para a glória de Deus.

Esta segurança é o que dá confiança diante de Deus e coragem contra as acusações de Satanás e, como não, ânimo para enfrentar os medos com quem Satanás tenta nos assustar.

Existem muitos livros hoje em dia que tratam sobre fé e o Espírito Santo, porém estes livros dirigem os cristãos em uma fé e experiência enganosa. A FÉ que estes livros ensinam é fé para ser ricos ou conseguir aquilo que desejamos. Nas páginas destes livros, poderá ler que os cristãos podem conseguir tudo aquilo que eles desejam, se eles têm a fé suficiente para receber esses bens materiais. Tal ensinos é fundamentalmente contrário aos ensinos e as práticas dos primeiros apóstolos e a maioria dos grandes homens de Deus através dos séculos que sacrificaram tudo, inclusive a vida, para promover o Reino de Deus.

A fé genuína é aquela que nos permite vencer o mundo (1 João 5.4). Por mundo, precisamos compreender todo o que não provem do Pai “a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens”(1 João 2.16). Como Jesus venceu este mundo, nos também (veja João 16.33 e Ap. 3.21). Quando vencemos o mundo, nunca mais seremos enganados por Satanás. Suas tentações e os prazeres deste mundo não serão mais nosso desejo, nem tampouco estaremos preocupados por alcançar riquezas materiais e ser ricos. O materialismo não terá mais poder sobre nós, porque teremos descobertos as eternas riquezas que vêm por sermos filhos de Deus e coparticipantes da família do Rei.

Deus deseja que possamos desfrutar os prazeres puros da comunhão com Ele. Somente isso é capaz de levar longe os desejos por outros prazeres (Salmos 16.11). Muitos tentam desesperadamente vencer as tentações dos prazeres pecaminosos através de estratégias humanas. Porém, somente quando estamos diante da presença do Deus vivo, e permanecemos em Cristo pelo poder do Espírito Santo, que realmente seremos capazes de ser livres. FÉ em Deus e o poder do Espírito Santo te fará livre totalmente e verdadeiramente.

Está em uma situação que não consegue abandonar alguns pecados fruto dos prazeres que te atraem? Então, clama ao Senhor!

Foi o que Pedro fez quando estava se afundando no mar, dizendo: “Senhor, me salve.” Ele não somente te salvará, também tirará de ti o desejo para o pecado e colocar o desejo de ser livre dele. É Deus quem causa em nos tanto o desejo e como o realizar (Filipenses 2.13). Este é a totalidade do evangelho. Glória a Deus!

A vida de Jesus não é uma coisa que possamos imitar. Devemos participar dela através do Espírito Santo. A maioria dos cristãos não experimentam isto, porque são pobres de espírito. Isto significa que não vivem suas vidas com uma constante consciência de sua necessidade de Deus. Eles vivem independentes do Senhor.

Jesus convida somente os sedentos a vir a Ele e beber. Caminhar pela fé, significa viver da água viva, que é a única água que será capaz de satisfazer nossos desejos mais profundos (João 7.37-38). Assim, todos nós poderemos viver a glória desta vida de fé e descobrir a maior das aventuras que jamais poderá ser vivida: Ser filhos do Deus vivo e discípulos de Cristo.

Josep Rossello

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