Vivendo Em Liberdade

Toda experiência verdadeira com Deus nasce da chance que temos de dar um novo significado a nossa vida. É isso que Jesus faz em seu tempo, quando encontra pessoas doentes, amarguradas, rejeitadas e vivendo em sofrimento, as quais Jesus ensina que já é possível proclamar a vitória mesmo com o sofrimento presente.

Os verdadeiros discípulos de Jesus não precisam de milagres para glorificarem ao Pai, pois nosso objetivo real não está no resultado, mas sim no processo e na busca constante da vontade presente no coração do Pai.

O sinal da conversão verdadeira é a constância, seja no arrependimento, seja na busca pelo Senhor, seja nos clamores, nas súplicas e nas boas obras. Deus se revela a cada dia e só na caminhada constante nosso entendimento vai sendo transformado para entendermos essa revelação.

A liberdade em Cristo é prometida hoje em muitos lugares. Contudo, grande parte desses templos e dessas religiões oferecem uma fé que não passa pelo sacrifício, pela renúncia e pela disciplina. São na verdade libertinagens, que diferem grandemente da liberdade verdadeira que temos no Senhor.

A liberdade em Deus implica em se afastar cada vez mais do deus barganha, do deus templo, do deus parede e do deus dízimo, nos aproximando gradativamente do Deus da Graça e da Salvação, onde existe a verdadeira liberdade. Deus não atender as nossas vontades não deve motivo para nos afastarmos Dele ou para questionarmos Sua vontade, mas sim reconhecermos Sua soberania e crermos nos caminhos que Ele prepara para as nossas vidas.

Nossa caminhada no Evangelho tem como desafio conciliar a liberdade dada por Deus a nós com a realização da vontade do Pai nas nossas vidas. Logo, a liberdade em Cristo é a liberdade de sermos um com o Pai, assim como Cristo foi. Ser livre é uma tarefa extremamente difícil, por isso muitas vezes utilizamos a religião como fachada a fim de escondermos quem nós somos e como vivemos.

Só quem é livre pode obedecer a Deus de forma sincera, sabendo dos avessos que isso traz como consequências em nossas vidas. A liberdade verdadeira não é dobrarmos apenas nossos joelhos, mas nossa humildade, nossa prepotência, nosso caráter e nossos defeitos.

Na dor e no sofrimento conseguimos discernir os que são livres no Senhor, os que em meio ao desespero e a morte conseguem enxergar que em Cristo a motivação da nossa vida é maior do que todo o mal. Enquanto tivermos áreas em nossas vidas que não podem ser transformadas, ainda não estaremos vivendo a verdadeira liberdade no Senhor.

Aceitarmos as imperfeições da vida e as tragédias, sejam elas quais forem, é dar a Deus o direito de ser Deus e nos livrarmos do fardo da culpa e do remorso. Não precisamos esperar a perfeição da vida e das pessoas para celebrarmos ao Eterno.

Analisando esses fatores, conseguimos ver porque é tão difícil amar verdadeiramente sem sermos livres, pois a liberdade nos faz aceitar o outro da maneira que ele é, e não da maneira que nós queremos ou segundo as nossas expectativas. Se não aceitarmos a diversidade que existe em Deus não conseguiremos amar uns aos outros nem vivermos em comunhão.

Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso? ’ “Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos”. Mateus 20:15-16

Também não conseguiremos ser justos ou generosos sem antes sermos livres. Jesus nos ensina esse princípio na parábola dos trabalhadores na vinha. O Senhor é o dono de todos os recursos e os distribui e os divide da maneira que lhe apraz. A graça do senhor da vinha ao dar a mesma quantia aos trabalhadores que trabalharam menos tempo representa a Graça de Deus ao dar como favor imerecido a salvação a nós, que estávamos perdidos em nossos pecados, transferindo todos esses pecados para Jesus na cruz.

Devemos ser livres também das amarras da matéria, que não acorrentam apenas os ricos. Muitas pessoas são escravas dos seus empregos, dos seus bens, das suas roupas, dos seus hobbies. Como podemos desejar o reino dos céus que é um reino de liberdade se ainda não conseguimos nos desapegar de coisas tão pequenas que nos cercam?

Então Jesus disse: “Quando vocês levantarem o Filho do homem, saberão que Eu Sou, e que nada faço de mim mesmo, mas falo exatamente o que o Pai me ensinou. Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, pois sempre faço o que lhe agrada”. Tendo dito essas coisas, muitos creram nele. Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”. João 8:28-32

Jesus nos ensina que só a verdade pode nos libertar, ressaltando que os que estão Nele e fazem Sua vontade estão em comunhão também com o Pai, pois Ele também fazia o que era da vontade do Pai. O conhecimento e a revelação da Palavra e a comunhão com Jesus é o que nos torna livres.

Sendo assim, a santidade não nasce daquilo que nós temos, mas daquilo que nos ausenta, daquilo que só Deus pode nos dar.

Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: “Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro”. Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Romanos 8:35-37

Logo, se conseguirmos ser livres no Senhor diante de todas as situações somos vitoriosos. Não a vitória como o mundo conceitua, mas a vitória segundo o Reino de Deus, onde as circunstâncias exteriores não corrompem o interior, o novo interior transformado por Cristo.

Teremos vitória sobre a morte quando confiarmos na ressurreição, sobre a tribulação quando confiarmos na paz que vem do alto, sobre a ansiedade quando confiarmos na vontade do Senhor, sobre a fome quando confiarmos na provisão dos céus e sobre a perseguição quando confiarmos no perdão e no amor de Jesus. Se somos livres também seremos vitoriosos por meio daquele que nos chamou e nos capacita diariamente.

Rafael Câmara Alves

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