sobre a cruz

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.” Cl 1.18-20

 

 

  • Cristo é a cabeça do corpo: Sendo Cristo a cabeça do corpo, Ele é quem manda, Ele é quem determina o que deve – ou não deve – ser feito. Em um corpo humano, é na cabeça que encontra-se o cérebro. Este é o órgão responsável pela divisão de funções no corpo. Uma criança só consegue chutar uma bola, porque a perna fora ordenada pelo cérebro a fazê-lo. Um pai só consegue abraçar a seu filho quando o cérebro determina que os braços façam tais movimentos. Assim é com o corpo de Cristo. Somos dependentes de Jesus. Sem Cristo, sem as ordens do Mestre, nada podemos fazer (Jo 15.5).
  • A Igreja é o corpo de Cristo: A Noiva do Cordeiro é quem deve obediência ao seu Senhor. Jesus, por ser Deus, é quem dá as ordens ao seu povo, e Quem distribui dons e talentos a serem utilizados. Em 1Co 12, Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, nos mostra que existe uma imensidão de dons e utilidades para cada um de nós. É através da Igreja que Cristo opera seu Reino aqui na terra. Somos, afinal, os embaixadores de Jesus (2Co 5.20).
  • Jesus é o princípio e o primogênito, para que em tudo tenha a preeminência: O autor de Hebreus, no capítulo 4, e nos versículos 14 à 16, nos mostra que podemos chegar, com confiança, ao trono da graça, pois Jesus passou pelas mesmas tribulações que nós. Ele em tudo fora tentado. Precisamos aprender que Ele nos compreende, mesmo – e principalmente – quando acreditamos que não somos merecedores de nada que Ele nos dá, ou por tudo que faz por nós. Precisamos entender que nosso papel fundamental é de sermos gratos em todos os momentos. Somos salvos pela Graça (Ef 2), santificados pela Palavra (Jo 17.17), nos arrependemos por culpa da bondade de Deus (Rm 2.4), e não somos consumidos graças à sua misericórdia (Ml 3.6; Lm 3.22).
  • Foi do agrado do Pai: Nossa salvação, que é a nossa maior vitória, que foi obtida por Cristo na cruz do Calvário, aconteceu não por mero acaso, mas pela vontade do Pai. Ele quis nos salvar. Ele desejou nos salvar. O mérito é dEle! Não somos nós que o escolhemos (Jo 15.16), a Salvação não é projeto, pensamento ou plano humano (Jn 2.9), é pela Graça do Pai, através de seu amado Filho.

Sobre a cruz

Utilizada normalmente por vários povos, a crucificação era sinônimo de poder do “Estado”. Roma, através deste ato, mostrava para a população o que aconteceria com os que corrompessem as leis e costumes da época. Até à cruz, o condenado era flagelado e sofria torturas em série. Ainda, carregava em seus ombros, na base da nuca, o tronco que serviria para prender seus braços – tronco este que pesava, em média, 50Kg. Na cruz, tinha seus punhos amarrados ou pregados (não era possível, inclusive, pregar alguém com mais de 45Kg pelas mãos, visto que a carne e pele se romperiam, e a pessoa cairia do madeiro), e os pés eram presos em paralelo. Era uma morte lenta e muito sofrida.

Normalmente, na frente do condenado, até este chegar ao lugar de sua crucificação, alguém caminhava com uma placa de madeira, sendo que nesta estava escrito o nome e o crime do réu.

No caso de Cristo, “Este é Jesus, o Rei dos Judeus” (Mt 27.37).

Sobre o sacrifício de Cristo e o significado de sua cruz

O homem é depravado em si mesmo. Fez-se necessário, então, que Deus lhe concedesse um método para ser novamente santo ou, no mínimo, salvo. Antes de Cristo, o ser humano conseguia aproximar-se de Deus através de sua Lei, e dos sacrifícios que lá estavam postos e ordenados. Porém, pela sua santa misericórdia e graça, Cristo Jesus desceu à Terra e fez-se como “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Através, então, do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário, o homem pode ser reconciliado com Deus. Em Seu sangue há Perdão, Graça, Justificação, Santificação, Glorificação – Salvação.

Como um breve parêntese, convém tratar sobre o tema “Salvação”. Esta é “dividida em três partes”, que se unem para levar o caído homem ao céu de glória. Primeiro, a Salvação age na vida do homem através da “Justificação”, ou seja, Cristo, através de seu sangue, torna o homem justo aos olhos de Deus – Ele pega os pecados dos homens para si, e lhes imputa Sua justiça. Ainda, quebra o julgo de escravidão do pecado, e dá ao homem seu fardo leve e seu suave julgo (Mt 11.30). Em segundo ponto, a Salvação apresenta-se ao homem como “Santificação”, onde o homem, através da ação do Espírito Santo, começa a ser liberto da influência e das garras do pecado. Em terceiro lugar, através da “Glorificação”, quando o homem é levado para perto de Deus, e totalmente separado do pecado.

A cruz tem para os que professam a fé em Cristo um significado bem peculiar e próprio: é sinal de alegria, onde uma nova aliança foi feita entre Deus e o homem. Ao lembrarmos da cruz, vem à nossa mente o peso da morte de Cristo, e o breve luto que isto pode nos causar. Porém, alegramo-nos quando este peso se transforma em liberdade, e a certeza de que o nosso redentor há de vir nos buscar. Celebramos, então, através de nossas vidas e dos sacramentos, a lembrança da redenção que nos foi comprada na cruz de Cristo.

O que a Cruz pode nos significar no contexto espiritual?

  • Vitória do nosso Salvador: Na cruz, Cristo venceu ao inimigo e ao pecado. Levou sobre si todas as nossas dores, marcas, anseios, medos, maldições, erros e transgressões. Jesus, como foi profetizado por Isaías no capítulo 53 de seu livro, levou sobre si o “castigo que nos traz a paz”. Se hoje nós podemos exultar de alegria e viver em paz, sabendo que o melhor está por vir, é porque um dia Ele nos deu este presente tão maravilhoso. Presente que deve ser guardado, protegido e cuidado até que Ele venha nos buscar para casa.
  • Divisor de águas entre a vida e a morte: Em Romanos, Paulo escreve dizendo que “todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Estar nesta condição implica em não ser salvo, não poder nem conseguir conhecer a Deus. Esta morte, entretanto, não é a física. O homem estava espiritualmente morto, e encontra-se neste estado até passar pela cruz, receber o sangue de Cristo e tornar-se vivo. Cristo é o único capaz de nos fazer seres vivos perante Deus. Só conseguiremos chamar a atenção do Senhor se estivermos todos lavados pelo sangue do seu Filho amado.
  • Prova maior de amor: Em Gênesis, no início do capítulo 22, Deus pede a Abraão o seu filho como prova de fé, devoção e amor. Servo fiel que era, o patriarca obedece ao Senhor e, quando pronto a sacrificar Isaque, ouve então uma voz dos céus, que lhe impede de fazer o proposto.No sacrifício de Cristo na cruz podemos ver algo semelhante em alguns pontos. Deus sacrificou seu Filho como prova de amor para com a humanidade (Jo 3.16). Neste sacrifício, entretanto, ninguém O impediu.
  • O início de uma nova batalha: Nas guerras passadas, as armas utilizadas pelas milícias da época eram, basicamente, espadas e escudos. Quando findava uma guerra, os mortos eram enterrados, e suas espadas, fincadas sobre seus túmulos, ou sobre o local onde caíram em batalha. O formato de uma espada encravada na terra se assemelha ao da cruz. Cristo, ao morrer por nós, termina com a “vida” da escravidão e inicia, então, a nossa batalha no mundo espiritual. Paulo escreve, em Gl 5.17, que a carne milita contra o espírito, pois ambos são opostos.
  • A justiça divina: Através da Cruz nós podemos ver que Deus não deixou de lado sua justiça e santidade. Como já dito, “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”. Um Justo, Santo, Imaculado, precisou ser sacrificado pelos depravados, mortos, desgraçados.

 

Daniel Kinchescki

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