Jejum

Mateus 6: 16-18 “Quando jejuardes, não vos mostreis com aspecto sombrio como os hipócritas; pois desfiguram o rosto com a intenção de mostrar às pessoas que estão jejuando. Tu, porém, quando jejuares, unge tua cabeça e lava o rosto. Pois, assim, não parecerá aos outros que jejuas; e, sim, ao teu Pai em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. Investir os recursos no céu”

Abordar o tema do Jejum requer uma série de cuidados principalmente no que diz respeitos aos contextos bíblicos que o tema está relacionado.  Existe muita distorção e muita interpretação equivocada acerca do Jejum, e diversos ensinamentos errôneos quanto aos seus efeitos e benefícios na vida cristã.

Grande parte de Neo Pentecostalismo ensina o jejum como “barganha”, um método para alcançar algum objetivo, como se fazer jejum “obrigasse” a Deus responder mais rápido ou trazer algum tipo de “benção material” específica com mais urgência.

É muito triste, mas já ouvi um jovem dizer para mim: “Enquanto Deus não me der o que eu quero, eu não como mais maionese”. Como se Deus tivesse algum tipo de obrigação em fazer o que queremos pelo fato de praticarmos o Jejum.

Quem assim procede, não entendeu absolutamente nada sobre o Evangelho, menos ainda acerca do Jejum.

Contraposto a esse erro, temos aqueles cristãos que negligenciam a prática do Jejum, pois entendem que o mesmo não traz é produtivo no contexto de vida cristã.

Tendo isto em mente, vamos então compreender conceitualmente o que pode ser entendido como Jejum.

Conceito de Jejum: Segundo o dicionário de significados, Jejum é o estado daquele que não se alimenta desde o dia anterior. É uma situação de abstinência parcial ou total de alimentos, em determinado período de tempo. Estar em jejum é estar sem ingerir nenhum alimento por longas horas. Jejuar é praticar o jejum.

Para o Cristão, o entendimento é que se faça uma abstinência de alimentos, com intenção de orar e meditar na Palavra de Deus. Um período de total dedicação à meditação.

Alguns teólogos renomados no meio cristão defendem que o Jejum não está atrelado ao alimento em si mesmo, e sim a qualquer coisa que tenha demasiada atenção em nossa vida, ou algo que poderia ser uma espécie de substituto para Deus.

Embora entenda que a abstenção de certas práticas tenham o seu valor, biblicamente, o entendimento é que o Jejum Bíblico está ligado essencialmente à abstenção de alimentos.

O Jejum no Antigo Testamento: Para que possamos compreender as razões do Jejum no Velho Testamento, se faz necessário refletir sobre as condições em que esses Jejuns eram feitos, assim como é importante entender em quais ocasiões também eram realizados.

Prioritariamente no Antigo Testamento, o Jejum era obrigatório uma vez ao ano. Alguns versículos podem validar essa informação, tais como Levítico 16: 29-30 “Eis, portanto, para vós um decreto perpétuo: No décimo dia do sétimo mês, humilhareis vossas almas, jejuareis e não fareis trabalho algum, tanto o natural da terra como o estrangeiro que habita no meio de vós. Porquanto nesse dia se realizará o rito de expiação por vós, a fim de vos purificar. Ficareis puros de todos os vossos pecados, diante de Yahweh. (Bíblia King James)

Levítico 23: 27-32 “Mas o décimo dia do sétimo mês é Yom Hakipurim, o Dia da Expiação, da Propiciação. Tereis santa assembleia. Jejuareis e apresentareis oferenda queimada a Yahweh. Nesse dia não fareis trabalho algum, pois é o dia das Expiações, quando se realizará por vós o rito de Expiação diante do SENHOR vosso Deus. E toda pessoa que não jejuar nesse dia será expulsa do meio do seu povo; e toda pessoa que empreender algum trabalho nesse dia, Eu a exterminarei do meio do seu povo. Portanto, nenhum trabalho fareis; é uma lei perpétua para vossos descendentes, onde quer que habiteis. Será para vós um dia de repouso solene e completo. Jejuareis e, à tarde do nono dia do mês, desde essa tarde até o pôr do sol seguinte, cessareis absolutamente o trabalho, celebrando o vosso shabbãth, descanso.”

Repare que nos versículos de levítico, embora a obrigatoriedade do Jejum fosse explícita, havia também a necessidade de humilhar a alma. Havia algo além do abster-se do alimento em si mesmo. Em outras palavras, a prática do Jejum tem a ver com um ambiente de profunda contrição em decorrência dos pecados cometidos diante de Deus.

Outros textos no Antigo Testamento apontam a prática do Jejum em momentos de desespero e angústia.  E esse jejum eram feitos por ocorrência das circunstâncias.  Por exemplo, em possíveis ameaças de Guerra podemos encontrar referências do Jejum no Livro dos Juízes capítulo 20 e também no Primeiro Livro de Samuel capítulo 7.

Doenças eram razões suficientes para o jejum, conforme podemos ler no Segundo Livro de Samuel no capítulo 12.  A morte de pessoas também, pela razão do Luto, era uma ocasião apropriada ao Jejum como podemos ler no Primeiro Livro de Samuel capítulo 31 e Segundo Livro de Samuel capítulo primeiro.

Importante dizer que no Antigo Testamento, assim como hoje, houve quem pervertesse o sentido do Jejum, atribuindo ao ato mecânico como método esperando algum tipo de resultado.  O profeta Isaías deixou claro em seu livro a observação dessa realidade.

Isaías 58: 3-4 “E questionam: ‘Por que jejuamos regularmente se tu não o reparas? Temos mortificado e humilhado sobremaneira as nossas almas e tu não tomas conhecimento de tudo isso? ’ A razão está em que, no dia mesmo do vosso jejum, correis atrás dos vossos próprios desejos e negócios, assim como também explorais os vossos trabalhadores. Ora, o motivo está em que o vosso jejum sempre termina em discussão e rixa; em brigas violentas, com socos e outras brutalidades. Não é possível que continues a jejuar deste modo e ainda espereis que a vossa voz venha a ser ouvida nos altos céus.”

Ou seja, desde o Antigo Testamento o jejum tinha um significado além da prática em si. Cabe ressaltar que não há passagem bíblica da velha aliança que expõe o jejum sem a prática conjunta da oração e arrependimento.

O Jejum No Novo Testamento: Diferente do mandamento literal que está preconizado no Antigo Testamento, não encontramos o mesmo mandamento no Novo Testamento. Porém, em hipótese nenhuma significa que a prática do Jejum não tenha serventia ou relevância.

Nas palavras de Jesus aos seus discípulos “Então, chegaram os discípulos de João e lhe perguntaram: “Por que jejuamos nós, e os fariseus, muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam?” Respondeu-lhes Jesus: “É possível que os amigos do noivo fiquem de luto enquanto o noivo ainda está com eles? Dias virão, quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão.” (Mateus 9: 14:15), fica claro que o Jejum é algo esperado dos discípulos de Cristo. E essas palavras, carregadas de profundos significados merecem a nossa atenção.

Na prática do Jejum sob a luz da Nova Aliança, precisamos ter em mente algumas circunstâncias em relação ao mesmo:

  • Como lemos em Mateus 6, é produtivo e relevante para a prática da piedade pessoal com entendimento que o Jejum deve ser feito diante de Deus apenas. Não há necessidade “divulgar aos quatro cantos do mundo” que está jejuando, até porque o mesmo deve ser acompanhado da meditação e oração, e não apenas não ingerir alimento.

 

  • Em Atos 14 podemos ler que Paulo e Barnabé jejuaram e oraram para a consagração de presbíteros da Igreja Primitiva. Havia uma decisão em questão para ordenar aqueles que iriam pastorear o rebanho de Cristo. E os pais da igreja primitiva dedicaram-se a oração e Jejum para tomar tais decisões. Sem dúvida, é algo que deve ser observado, até porque se os líderes das igrejas de hoje orassem e jejuassem mais, provavelmente, não teriam ordenado muitos pastores.

Portanto, é possível concluir que temos subsídios bíblicos suficientes para praticarmos o Jejum. Subsídios que estão desde o Antigo até o novo Testamento.

A pergunta que não quer calar: Como podemos Jejuar?

Com entendimento e discernimento. Sabendo que não a abstenção de alimentos em si mesma que produz “algo mágico”.

O ideal é dedicar um tempo específico, onde a abstenção de alimentos esteja acompanhada de um determinado período de oração. Período de oração que deve ser carregado de contrição, arrependimento, ações de Graça e adoração.

Não há tempo determinado para ficar Jejuando, não há período mínimo ou máximo. O que importa é que seja um período qualitativo, sendo observados os preceitos e significados bíblicos dos mesmos.

Soli Deo Glória.

Marco Aurélio Cicco

  1. 18 de maio de 2016

    Hoje é pouco abordado nas Igrejas a prática do jejum. Sendo assim os cristãos não tem entendimento e não entendem a determinação bíblica que em ocasiões específicas devamos pratica-lo.

  2. 20 de maio de 2016

    Muito bom! Fiquei com uma dúvida. Como perverteram o sentido do jejum, uns aderem a pratica para “se conseguir” algo em troca como foi dito no artigo. Nesse sentido o ato de Atos 14 de Paulo e Barnabé não seria algo como um “anseio por uma resposta em troca do meu jejum”? Ou também jejuar quando se está doente esperando uma saída. Se alguém puder me esclarecer ficaria grato.

    Graça e paz!

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