Será Que Sou Salvo-

“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas. Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos. Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Seja a paz de Cristo árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” (Cl 3.5-16)

Quando pequenos, e eventualmente até quando estamos nos desenvolvendo e amadurecendo, somos cercados por diversas perguntas, que nos trazem preocupações, temores e aflições. Talvez, antes da conversão, nos perguntemos com mais frequência “de onde viemos?”, ou “para onde iremos?”. São questões, estas, que têm a habilidade de nos tirar o sono e fôlego. Levam-nos a milhares de questionamentos.

Entretanto, quando após a conversão, deparamo-nos com as respostas para tais perguntas. Inclusive, dentro destas respostas, encontramos ainda mais perguntas sem fim. É comum, então, o crescente desconforto de alguns cristãos sinceros ante a mais cruel de todas as perguntas: “Será que sou salvo?”.

Não é, de fato, um questionamento fácil de ser respondido. Nenhum homem, por mais sábio e dotado de conhecimento que seja, pode julgar e decidir o destino de uma alma. Nenhum de nós é juiz dos demais irmãos e seres humanos. Podemos, e na realidade devemos, julgar a nós mesmos, em primeiro lugar.

Já disse o apóstolo Paulo aos de Corinto, em sua primeira carta, no capítulo 11 e versículo 28, “examine-se, pois, o homem, a si mesmo […]”.

Convém citar, então, neste estudo, alguns ricos ensinamentos bíblicos que nos apontam como responder esta pergunta. Antes, porém, faz-se necessário afirmar que, seguindo-se a Doutrina Reformada, entendemos ser certo e exato o Capítulo 5º dos Cânones de Dort, que trata da “Perseverança dos Santos”, ou “Preservação dos Santos”. Aqueles que foram comprados e remidos por Cristo, com ele triunfarão e O servirão durante a eternidade em glória, e quanto a isto não existe sombra de dúvidas.

Pois bem, à Palavra!

Paulo afirma que “todo aquele que está em Cristo, nova criatura é” (2Co 5.17). Com isto, damos início à resposta de nossa problemática. Como vemos no texto exposto acima, da carta de Paulo aos Colossenses, a Igreja do Senhor recebe ao menos duas ordenanças:

1) Mortificar a carne, a velha natureza: Com o pecado, e vindo deste a morte, a natureza humana tornou-se depravada, corrompida. O ser humano, em seu estado natural, é o oposto de Deus. Ele rejeita ao Senhor, desejando qualquer coisa, menos a santidade e presença do Todo Poderoso (Gl 5.17). Nossa natureza carnal é manifesta nas obras da carne, que são “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes” (Gl 5.19-21). O apóstolo afirma que quem pratica destas coisas não herdará o Reino de Deus. Aos Colossenses (e a nós) é dada, então, esta ordenança – “fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena”!

2) Revestirmos nosso ser, como eleitos de Deus, do que é novo: Acontece que alguns destes seres corrompidos, que odeiam a Deus e tudo que provém dEle, são pela Sua Graça salvos, justificados, remidos, lavados e regenerados. Estes, escolhidos e eleitos, recebem a bênção, o presente da “Santificação”. Com isto, tornam-se amantes de Deus, servos da Justiça e do Reino. Nestes, pelo trabalhar do Espírito de Deus, é plantada a semente do Fruto deste mesmo Espírito, cujos “gomos” dividem-se em “caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gl 5.22-23). O apóstolo dos gentios afirma que “os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências” (Gl 5.24). Eles morreram para o mundo, carne e pecado, vivendo em Cristo, o Senhor.

É aqui, amado leitor, que mora a resposta para esta pergunta que tanto persegue-nos, principalmente em momentos que seguem de perto algum deslize que cometemos. O salvo é aquele que se parece com Deus, aquele em que é desenvolvido o caráter de Deus. Saiba: somos salvos pela Graça do Senhor Jesus, mas seremos julgados por nossas obras.

Deus é, em sua essência, Santo – completamente separado de todo pecado, embaraço, erro e transgressão. Ele não precisa buscar a santificação, como nós (Hb 12.14). A santidade de Deus é, de longe, seu maior atributo. Com ela, podemos entender outras tantas características do Soberano.

O salvo é, então, aquele que aproxima-se de Deus em santidade. Aquele que afasta-se do pecado e do mal, convertendo-se diariamente ao Senhor e Seus caminhos. Entretanto, como já dito anteriormente, não basta apenas separar-se do mal, mas sim transformar-se e ser cada vez mais próximo e parecido ao Senhor (Fp 2.5).

Um salvo, um Cristão autêntico, odeia o que Deus odeia. Ele abomina o pecado, e ama tudo quanto o Senhor ama. Nele, filho de Deus, adotado e lavado, habita ricamente a Palavra de Cristo.

Um verdadeiro Cristão é, então, perfeito? De maneira nenhuma! Enquanto aqui vivermos, estaremos sempre em constante processo de melhora e transformação. Fomos, na Justificação, libertos das amarras do pecado (Rm 6). Seremos, na Glorificação, libertos da presença do pecado (Rm 8). Estamos sendo, na Santificação, libertos da influência do pecado (Rm 7). Um salvo autêntico não vive pecando (1Jo 3.6), mas diária e constantemente humilha-se aos pés do Senhor, implorando pelo perdão e purificação de todo pecado (1Jo 1.7), bem como de uma transformação radical em seu caráter e modo de viver.

Amado leitor, se você deseja expurgar de seu coração esta dúvida cruel, olhe atentamente para seu dia a dia, suas obras, seu caráter. Observe aquilo que você faz quando ninguém mais o vê, nos momentos quando apenas o Senhor lhe serve por testemunha e Juiz. Se és parecido com o Criador, continue na caminhada, pois ela é longa, e terminará no céu em Glória. Entretanto, se suas atitudes não glorificam a Deus, se elas expressam exatamente aquilo que o Senhor não é, aconselho-te, como irmão, a correr com confiança ao trono da graça (Hb 4.16), buscando a misericórdia do Salvador.

Que sejamos “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta”, onde resplandeceremos a Luz de Cristo como faróis neste mundo (Fp 2.15)!

Daniel Kinchescki

Fonte: REFORMAI

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