Seja Feita a Tua Vontade

“Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Mateus 6:10

A vontade de Deus recebe nossa resistência todos os dias, por isso Deus inclui essa sentença na oração do Pai Nosso. Nossa natureza humana e pecaminosa não quer a vontade de Deus, quer apenas a nossa própria vontade.

O Reino de Deus é expresso por valores escandalosos para nossa sociedade. Dividir ao invés de guardar? Dizer que é “nosso” ao invés de dizer que é “meu”?

Incluir, acolher, tolerar, esperar, dar tempo, crer, não desistir da esperança são coisas que dizemos que amamos e queremos, mas todos os dias tentamos arranjar argumentos para não sermos assim, nos boicotamos em todo o tempo.

A natureza pecaminosa do homem tende a se inclinar para ela mesma, numa esperança de que Deus esteja errado em muitas coisas que Ele criou e ensinou. Como se desejássemos que Deus pedisse perdão por algumas coisas que Ele fez.

Ao longo da história e da evolução da consciência humanada pudemos ver a quantidade de dúvidas e questionamentos disparados contra Deus, o que representa talvez nossa vontade de que Ele entregue Sua coroa e sente-se conosco para se desculpar e esclarecer tudo o que desejamos, talvez questões como:

  1. Criação e arbítrio (Gn 3:15-24): um dos questionamentos mais levantados no meio ateu-agnóstico sobre a Criação é o porque de Deus ter permitido que o homem pecasse, sendo Ele Todo-Poderoso. Além disso, questionam também o porquê de Deus nos ter dado arbítrio e vontade, levando assim o homem a comer do fruto proibido e cair diante o pecado. Na verdade falta ao homem reconhecer a soberania de Deus no tempo e no espaço, dado que Ele não se limita a esses fatores como nós nos limitamos. Deus não abre mão de Sua soberania ao nos conceder arbítrio e vontade, nem perde o controle sobre Sua criação ao permitir que o homem peque, pois tudo já estava sob Seu controle e Ele nunca permitiria que Sua criação se perdesse, o que chamamos de Proto Evangelho (ou primeiro evangelho);
  2. Teologia do processo (Rm 3:20): questões sobre os atos de Deus no antigo testamento são em sua maioria motivos de questionamento entre os grupos ateus e muitos cristãos que ainda não buscaram se aprofundar na revelação da Palavra. A revelação de Deus foi sendo gradativa de acordo com o nível de consciência e de entendimento do homem, sendo sempre o processo, e não o destino o mais importante. O Deus do antigo testamento é o mesmo do novo testamento, o nível de consciência e de entendimento do homem para com Deus que mudou;
  3. Aflições e perseguições (Jo 16:33): muito se questiona a Deus sobre o sofrimento que existe no mundo e porque Ele permite que essas coisas aconteçam. Contudo, as aflições e perseguições sofridas por quem decide caminhar na verdade e na luz são notadas e profetizadas desde o antigo testamento até Jesus, que foi o único a ter vencido a morte, como Ele mesmo declara. Logo, Sua vitória sobre a morte nos torna também livres da morte e do pecado, nos tornando responsáveis por espalhar essa mensagem com nossas vidas e nossas obras (Mt 5:16);
  4. Justiça e recompensas (Mt 20:11-16): a Justiça e a Graça de Deus também são motivos de discórdia e de questionamentos no meio dos cristãos. A parábola dos trabalhadores na vinha representa de forma fiel o quanto nossa alma clama para recebermos as recompensas por nosso esforço próprio e mérito, reduzindo assim a Graça e a Bondade de Deus a nossa própria vontade, ao que desejamos ganhar e o quanto nos esforçamos para tal. Contudo, o Reino de Deus traz consigo um conceito novo, onde Deus derrama igualmente Sua Graça e Sua bondade da maneira que o apraz, sendo os recebedores desta Graça justos ou injustos, santos ou pecadores (Rm 3:23-24). No Reino de Deus não conta a quantidade de coisas que você faz, mas o coração com que você faz (Lc 23:39-43);
  5. Relacionamento e respostas (Jo 1:9-13): o relacionamento com Deus e a maneira que Ele fala conosco também são motivos de murmurações. Questiona-se o fato de o porquê Deus não permitir um mundo de paz e conforto, ou ainda porque Deus não se materializa e responde todas as nossas respostas, já que estamos as querendo para supostamente fazermos a vontade Dele, ou ainda, porque Deus não se torna nosso “cúmplice” quando erramos no intuito de fazer Sua obra ou não nos permite sofrer ou sofrer as consequências de realizá-la. Na verdade, Deus com tudo isso nos está concedendo a dádiva de construirmos nosso caráter de forma livre e consciente, pois nem mesmo Ele está impondo Sua vontade ditatorialmente. Deus ainda dá como Graça Redentora o Seu Filho Jesus, a Sua Palavra e o Seu Espírito para que possamos andar na luz e no caminho certo.

Sendo assim, nosso padrão e referência para a vontade de Deus na terra já está estabelecido, é o padrão celestial, que foi revelado em Jesus. Pois Ele mesmo disse que ninguém subiu aos céus senão aquele que de lá desceu (Jo 3:13, Jo 15:15).

Logo, conversão genuína é aprender a andar com Deus em um mundo que não é feita a vontade de Deus como vontade humana. É assumir ser minoria, ser marginalizado, rejeitado, muitas vezes humilhado, assim como Jesus foi. É ser bem aventurado por sofrer as consequências que trazem a vontade e o propósito de Deus em nossas vidas. Minha oração é que possamos discernir a vontade de Deus e obedecê-la, tendo fé e perseverança para isso.

Como amor e temor, Rafael Câmara Alves.

  1. 26 de abril de 2017

    O problema é que essa passagem se tornou parte de um oração feita por costume, sem pensar. Seja feita a Tua vontade aqui na Terra do mesmo modo como ela é feita aí no Céu, faz quem ora, entender melhor o que ela expressa.

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