Pregando a Mensagem da Cruz

A mensagem da Cruz tem sido esquecida nos últimos anos. Muito tempo tem sido dedicado a certos temas, enquanto elementos essenciais das boas novas do evangelho de Jesus Cristo têm sido deixados de lado, sem que percebamos. Por que tem acontecido isto?

As respostas podem ser várias. Uma delas já foi mencionada no parágrafo anterior. A igreja contemporânea parece mais preocupada em transmitir uma mensagem mais em concordância com a sociedade do século 21, e menos centrada no evangelho.

Os próprios cristãos têm dificuldades de comunicar de forma simples e clara a mensagem da Cruz para outras pessoas que ainda não a conhecem. Existe um desconhecimento profundo da centralidade da Cruz. Conhecemos algumas pinceladas que dão a sensação de que somos conhecedores da verdade, porém, são simplesmente traços iniciais da profunda realidade da Cruz.

Não é suficiente mencionar a palavra “cruz” nos sermões que estamos realmente pregando o evangelho ou a mensagem da Cruz. Não podemos falar sobre um tema sem ter conhecimento dele, precisamos também viver o significado pessoalmente. Porém,se desconhecemos, em algum momento nosso desconhecimento sobre este tema será revelado.

Outros consideram que a história da crucifixão é todo o que deve ser contado sobre a Cruz. As pregações tratam da história da crucifixão. Porém, dá a sensação, em muitas ocasiões, que nunca ninguém antes tinha sido morto em uma cruz, porém, somos conhecedores que milhares de pessoas morreram em cruzes como punição pelos seus atos. Então, o que fez da morte de Cristo na Cruz tão diferente do resto das pessoas que foram mortas na cruz antes que o nosso Senhor?

Em 1 Coríntios 1.18, lemos que “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus.” Paulo continua nos apresentando a mensagem da cruz quando escreve aos cristãos de Efésios (2.12-16) onde declara que a reconciliação acontece através da cruz.

Se desejamos ser honestos conosco mesmo, pregar a mensagem da cruz é muito mais que contar uma história, é compreender o significado dessa história. Não é somente conhecer o que levou o artista pintar a obra, é também apreciar a obra e os detalhes nela.

Pregar a cruz de Cristo é pregar a mensagem da salvação que é oferecida como resultado da própria cruz. Em 1 Coríntios 15.1-4, o apóstolo Paulo nos ensina que o evangelho, quando pregado e recebido, é salvação para os homens. E também incluí a verdade de que Cristo morreu na cruz pelos nossos pecados, Ele foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, de acordo com as Escrituras.

A redenção dos pecados é através da pregação da Cruz, porque Cristo venceu a morte e pagou o preço pelos nossos pecados. Portanto, quando pregamos a mensagem da salvação, estamos pregando o evangelho de Cristo, que é o próprio Jesus. Em Romanos 1.16, lemos:

“Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego.”

Jesus morreu na cruz por todos, porém nem todos serão salvos. Temos certeza que o povo eleito (a Igreja, o Israel espiritual) em Cristo será salvo, e todos aqueles que foram escolhidos para ser parte desta nação santa. Assim, aqueles que não foram predestinados não crerão na mensagem que tem sido pregada (Romanos 10.16), nem obedecerão com temor os mandamentos da lei de Deus, seguindo assim os desejos da sua própria carne e as vontades maldosas dos seus corações (Romanos 1.24-25).

A pregação da cruz também se refere a ensinar sobre Jesus. Em Atos 8.35, Felipe foi instruído a ir até Gaza, pois ali ele encontraria um homem da Etiópia. Felipe foi ordenado a ensinar sobre Jesus para este homem. Ensinar sobre Jesus, também é pregar o Evangelho de Cristo e a mensagem da Cruz. A história de Atos nos mostra a reação do etíope ao escutar a mensagem que Felipe falou para ele, o mesmo acreditou, se arrependeu dos seus pecados, confesso a Cristo e foi batizado.

O apóstolo Pedro também pregou sobre Jesus no dia de Pentecostes diante de uma multidão:

“Portanto, que todo Israel fique certo disto: Este Jesus, a quem vocês crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36)

A pregação da cruz nos ensina os benefícios recebidos pela bondade e amor de Deus para conosco:

“Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus, a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento” (Efésios 1:7,8)

Em Colossenses 1.20, o apóstolo Paulo nos ensina:

“Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz” (Colossenses 1:19,20)

O sangue derramado trouxe a reconciliação do homem com Deus e, deste modo, podemos novamente nos aproximarmos com a certeza de que o Senhor nos vai receber. E não existe um sinal mais claro de que seremos recebidos do que os sacramentos de Cristo.

A pregação da cruz sempre envolve o ensino do Batismo e a celebração dos sacramentos. São os sinais visíveis da graça invisível da nova e eterna aliança de Deus com seu povo, a Igreja de Cristo. No Novo Testamento, a remissão dos pecados está ligada profundamente com a pregação da mensagem e o batismo (Atos 2:38; Atos 22:16; Marcos 16:16).

Permitam que eu diga com claridade que o batismo não salva. A fé em Cristo salva, e somos justificados pela graça mediante a fé. Não estou negando este pilar fundamental da fé cristã. Agora não existe como negar a centralidade dos sacramentos na pregação da Cruz. Em romanos 6, o apóstolo Paulo escreve que aqueles que “foram batizados em Jesus Cristo foram batizados na sua morte.”

A morte de Cristo, a Cruz, fez que sua sangue derramado fosse o perfeito e suficiente sacrifício pelos pecados do mundo. O Batismo nos mostra de forma real os benefícios que temos em Cristo. É a representação visual da graça invisível feita realidade pelo poder do Espírito Santo na vida do povo de Deus, congregado na presença de Deus. O sacramento do Santo Batismo nos não justifica, isso é evidente, porém é a marca e o sinal que entramos no povo de Deus, e da promessa de Deus para com os Seus.

O alvo da pregação não é somente salvar o homem, ainda que salve as pessoas. É fazer do pecador um discípulo de Cristo. A mensagem da Cruz tem um antes e um depois, e, às vezes, enfatizamos o antes (a salvação do homem) e esquecemos o depois (ser discípulo de Cristo). Em certa maneira, isto será melhor compreendido se observamos nossa vida natural. A salvação se assemelha ao nascimento, enquanto ser discípulo se assemelha à nossa vida toda. Por isso, o batismo é o sacramento relacionado ao nosso nascimento, enquanto a Ceia do Senhor é o sacramento do ser discípulo de Cristo.

Pregar a cruz de Cristo também é ensinar sobre o povo que foi reunido ao redor da Cruz, a Igreja de Cristo, que foi estabelecida por decreto divino, como a Israel espiritual, sendo assim reconciliados com Deus.

“E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Efésios 2:16, veja também Atos 2.47, Efésios 4.4). A Igreja era o propósito eterno de Deus, “A intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e autoridades nas regiões celestiais,de acordo com o seu eterno plano que ele realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor,…” (Efésios 3:10-11)

Por este motivo, não se pode separar a pregação da cruz e a igreja, que é o corpo de Cristo.

A pregação continua sendo o plano de Deus para salvar os homens (1 Coríntios 1.21). Por este motivo, a nossa pregação deve incluir todo o conselho de Deus, incluindo a mensagem da cruz. O próprio apóstolo Paulo escreveu:

 

“pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado” (1 Coríntios 2:2).

A importância de ensinar a obedecer todo aquilo que Jesus ensinou, é claro nas próprias palavras de Jesus (Mateus 28:18-20, Marcos 16:15-16, Lucas 24:46-47). Quando pregamos, devemos pregar sem temor a mensagem da salvação e o poder da cruz de Cristo. Pregar o evangelho, não requer púlpitos, porque os apóstolos pregavam nas ruas, nas casas, nos caminhos. A pregação requer apresentar com claridade aquilo que Jesus fez por nós e por nossos pecados, apresentar quem é Jesus, enquanto se abraça a vida sacramental e nos formamos como parte do Corpo de Cristo, a Igreja de Deus.

Bispo Josep Rossello

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