Predestinação e Presciência

As pessoas são predestinadas ao céu ou ao inferno?

O termo “predestinação” é uma tradução da palavra grega “proorizo”, que aparece seis vezes no Novo Testamento:

Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.” (4:28)

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.” (Romanos 8:29,30)

” Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória” (1 Coríntios 2:7)

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, Para louvor da glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra; Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;” (Efésios 1:5-11)

Em alguns casos refere-se à preordenação divina de todos os acontecimentos da história mundial. (Atos 4:28 e 1 Coríntios 2:7).

Em outros, refere-se à decisão de Deus, tomada antes de o mundo vir a existir, com respeito ao destino final de pecadores individuais – mais especificamente, daqueles que foram escolhidos para a salvação e vida eterna (Rm 8:29,30; Ef 1:5,11), em contraste com aquele que, por fim, serão condenados ao julgamento eterno.

No entanto, muitos ressaltam que as Escrituras também atribuem a Deus uma decisão prévia quanto àqueles que, em última análise, não são salvos:

“Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência. Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei, e Sara terá um filho. E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Como também diz em Oséias:Chamarei meu povo ao que não era meu povo;E amada à que não era amada. E sucederá que no lugar em que lhes foi dito:Vós não sois meu povo;Aí serão chamados filhos do Deus vivo. Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo. Porque ele completará a obra e abreviá-la-á em justiça; porque o Senhor fará breve a obra sobre a terra. E como antes disse Isaías:Se o Senhor dos Exércitos nos não deixara descendência,Teríamos nos tornado como Sodoma, e teríamos sido feitos como Gomorra. (Romanos 9:6-29)

E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo,para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.” (1Pe 2:8)

Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.”(Judas 4)

Ademais, ao predestinar alguns para a salvação, Deus necessariamente destina o restante à destruição. Diante desses fatos, tornou-se comum em vários círculos definir a predestinação por Deus de modo a incluir tanto a decisão de salvar alguns do pecado (eleição), quanto Sua decisão de condenar o restante pelo seu pecado (reprovação).

É difícil negar categoricamente que as Escrituras ensinam um tipo de predestinação à salvação, uma vez que o termo grego “proorizo” aparece nas Escrituras. Não obstante, as tradições cristãs diferem quanto ao critério de Deus para Sua decisão de predestinar alguns, mas outros não, à vida eterna. Vários ramos da igreja falam de predestinação (ou eleição) com base na presciência de Deus acerca da fé dos indivíduos. Supõem que Deus sabia de antemão que certas pessoas escolheriam, por sua própria vontade aceitar a Cristo como seu Salvador ao ouvir o evangelho e concluem que, com base nisso, Deus predestinou tais pessoas à salvação. Nesse sentido, a presciência é uma previsão divina passiva acerca daquilo que os indivíduos escolherão fazer por sua livre e espontânea vontade, sem a intervenção de Deus. Assim, Deus predetermina o destino dessas pessoas em resposta àquilo que ele sabe que ocorrerá.

No entanto, os teólogos reformados ressaltam que o “proginosko”, traduzido como “de antemão conheceu” em Rm 8:29 e 11:2 significa “de antemão amou” e “de antemão reconheceu” (cf. 1Pe 1:20, onde “proginosko” é traduzido como “conhecido”… antes”).

Passagens como essas deixam claro que “proginosko” expressa presciência em relação a uma pessoa, e não apenas a fatos do futuro ou às escolhas que alguém fará ao longo da vida. Na verdade, o Novo Testamento ensina que Deus elegeu com base na Sua afeição e amor prévio por aqueles aos quais deu a vida eterna.

Ademais, uma vez que todas as pessoas se encontram naturalmente mortas no pecado (ou seja, separadas da vida de Deus e indiferentes a Ele), ninguém que ouve o evangelho pode se arrepender a aceitar a salvação pela fé sem o despertamento interior que somente Deus pode conceber .

“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:4-10)

Jesus disse, “ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (Jo 6:65; cf. Jo 6:44; 10:25-28). Se Deus olhar para o futuro a fim de ver as escolhas que faremos por nossa própria conta, não verá outra coisa  senão a nossa rejeição total do evangelho. Os pecadores escolhem Cristo somente porque Deus os escolhe e conduz a essa decisão de renovar o coração deles.

A doutrina da predestinação pode ser usada indevidamente para apoiar várias formas de fatalismo. No entanto, não é esse o propósito do ensinamento das Escrituras.

Antes as Escrituras repudiam o fatalismo ensinando que as nossas escolhas e decisões são importantes, pois foram preordenadas como o meio que Deus usa para alcançar os seus propósitos.

“De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Filipenses 2:12,13

As Escrituras não ensinam a predestinação para incentivar o fatalismo, mas para dar aos cristãos a certeza da vida eterna, umas vez que estão em Cristo. A predestinação assegura os salvos da fidelidade de Deus e a certeza de nosso destino eterno em Cristo. Não precisamos temer, pois ninguém poderá nos arrebatar da Sua mão.

E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.” (João 10:28)

Fonte: Bíblia de Estudos de Genebra

  1. 5 de abril de 2017

    Obrigado pelo post, esclareceu muito minhas dúvidas. Deus abençoe.

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