pragmatismo

Pragmatismo, em termos de conceito filosófico, é uma corrente de pensamento em que a doutrina é validada pelo seu bom resultado em se tratando de prática. No ambiente religioso, o pragmatismo tem por intenção validar determinada conduta, mesmo que ela não tenha respaldo bíblico, baseada apenas em seus resultados.

Através do pragmatismo religioso, conseguimos, à luz da Palavra de Deus, avaliar o cenário cristão de nossos dias, olhando como a igreja contemporânea tem anunciado o Evangelho de Cristo,  e constatar um problema iminente que merece nossa atenção.

Um dos piores desserviços que a maioria dos pastores midiáticos prestam ao Evangelho é a ideia de que qualquer forma de anunciar o Evangelho é válida. Nessa perspectiva, de que qualquer coisa é válida – desde que aparentemente seja “Em nome de Deus”- são cometidos os maiores absurdos, excessos, descontroles, pior tudo isto é visto por muitos como uma pseudo “ousadia do Espírito”, e acabam por cair na aceitação da maioria que sustentam e financiam estes.

O ponto crucial dessa realidade é que de fato, a maioria do povo cristão não lê a Bíblia, não a estuda, ignora os princípios e instruções que estão claras na Palavra de Deus, pois se assim fizessem, estes tais não teriam audiência, aceitação e nem financiamento.

Nem todo método ou evento é válido para evangelizar. Filipenses 1.18 diz “Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei“. Ou seja, quando lemos essa passagem fora do contexto geral da Bíblia corremos o risco de achar que toda e qualquer forma de proclamação é válida “se apenas uma alma foi ganha” ou “se a semente foi plantada” – é o que tenho ouvido repetidas vezes.

Se fins justificam meios, então qualquer coisa pode ser justificada. Nesta linha de raciocínio, qualquer coisa pode ser feita em nome de Deus. E não é isso que lemos a partir do Evangelho. “Será que realmente não importa como e onde foi pregado o Evangelho, desde que “ao menos uma alma tenha sido ganha para Cristo?”. Pensemos:  Será que esse argumento não nos daria base, por exemplo, para abrir uma boate de “striptease gospel” prostíbulo gospel”?

O Exemplo de Cristo deveria ser o referencial. Qual foi o método, evento, “estratégia” que Jesus usou? Ele pregou, realizou milagres, mostrou um caminho, sem usar nenhuma das estratégias que poderiam estar em vigência na época. Martyn Lloyd Jones diz que:

 “Nosso senhor atraía os pecadores porque Ele era diferente, aproximavam-se dele porque sentiam haver nele algo diferente… E o mundo sempre espera que sejamos diferentes. Esta ideia de que poderemos ganhar pessoas para fé cristã, se lhe mostrarmos que, afinal de contas, somos notavelmente parecidos com elas é um erro profundo, teológica e psicologicamente falando“.

Outro ponto que deixa em evidência a falácia destes, é o uso do método como o fim em si mesmo, como se “ganhar almas” partisse de algum fator humano ou que pudesse ser provocado a partir do ambiente em que o evento é realizado. “Todavia, Eu vos asseguro que é para o vosso bem que Eu parta. Se Eu não for, o Advogado não poderá vir para vós; mas se Eu for, Eu o enviarei. Quando, então, Ele vier, convencerá o mundo do seu pecado, da justiça e do juízo.” João 16:7-8.

Se é o Espírito Santo é quem convence do pecado, será que estes creem que para o Espírito Santo convencer se faz necessária a parafernália e aparato usado em “balada gospel”? Não é o homem quem pode gerar resultados no reino de Deus, nossa força e nossos métodos não são nada “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos” Zacarias 4.6.

Este tipo de pragmatismo tem causado mais mal, muito mais, que bem. Temos um chamado para honrar a Deus acima de todas as coisas, não para uma corrida desesperada para agrada-lo. A grande missão da Igreja, biblicamente, não é ganhar almas, isso é apenas uma de suas muitas tarefas. A primeira e primordial missão é Honrar a Deus “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1ª Coríntios 10.31.

Glorificar a Deus em todas as coisas, inclui também falar do Evangelho a partir do modelo de Cristo, que embora tenha falado a todos os tipos de pessoas não se fez como um deles em essência.Glorificar a Deus em tudo significa entender a realidade a nossa volta mas não usar dela, ou de caminhos desta realidade para anunciar o Evangelho.

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mateus 5:13-16.

Escrito por Marco Aurélio Cicco e Hugo Coutinho, publicado originalmente no REFORMAI

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