Pois Bem, Culto a Quem-

“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” Rm 11:36

Há pouco tempo fui a um “culto” que partiu meu coração. Acompanhando quem fora convidado para louvar, adentrei na igreja com o coração fervendo por momentos de louvor, adoração, e de pregação das Sagradas Escrituras. Digo que saí com o peito sangrando, pois isto tudo me fora tirado. O “louvor” e a “adoração” foram aos homens, e Cristo não estava na “pregação”.

Quando falamos de “culto”, e este culto em uma “igreja”, entendemos que todo o “arranjo”, toda a liturgia, todo o andar da carruagem, deve ser para louvor, honra e glória do nome do Senhor. Não há sentido em oferecer culto e adoração a qualquer outro que não Deus. Ninguém merece isso, só Ele. Santidade ao Senhor, culto ao Senhor! E foi neste “culto”, de aproximadamente três horas, que este tema me foi proposto pelo Senhor, onde pude meditar e analisar a minha vida, entendo algumas das áreas do “verdadeiro culto a Deus”. Pois bem, culto a quem?

No texto em destaque, nesta tão bela poesia que Paulo escreve e que nossos corações regenerados anseiam por proclamar ao Todo Poderoso, vê-se claro o dever do verdadeiro cristão, que é render louvores a Deus, pois tudo pertence ao Senhor, tudo foi feito pelo Senhor, e tudo serve para glória do Senhor.

Este culto, entretanto, deve ser contínuo e diário. Não devemos prestar as devidas homenagens a Deus tão somente quando vestimo-nos para ir ao templo, à igreja, às quatro paredes, e lá, juntamente com nossos irmãos, congregarmos e cantarmos. Nossa vida precisa ser este culto ao Senhor.

Isto posto, desejo analisar alguns pontos que precisam ser marcados pelo verdadeiro sentimento de culto ao Senhor.

1º A pregação das Sagradas Escrituras- O nome de Cristo precisa ser honrado, a cruz precisa ser lembrada. A depravação, miséria e pobreza do homem devem ser contrastadas, em nossos sermões, pela santidade, glória e magnitude de Deus. De nossos púlpitos precisam sair sermões que, antes de jorrarem dos lábios de seus pregadores, venham diretamente da Palavra. Ao fazermos isto, damos ensejo para que as pessoas, os ouvintes, a Igreja, entendam que Deus é glorificado quando falamos sobre Ele, sobre o que Ele fez por nós e em nós. A pregação, que é o que leva a vida ao morto (Rm 10:14, 17), deve estar focada no “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29). O ego humano, os elogios, as bajulações, os prazeres terrenos, todos devem estar longe de nossos púlpitos. O púlpito, o “palanque”, está lá para sustentar a Palavra do Senhor, e não os ideais humanos.  Precisamos pregar a “salvação pela Graça”, e não pelas obras. É necessário pregar sobre redenção, regeneração, justificação, santificação, glorificação, transformação.

2º Sofremos miseravelmente no tocante aos “louvores”- O “mundo gospel” invadiu, sem dó nem piedade, nossas igrejas e lares. Canções “acima da média”, com “sabores” e “odores”, levam cristãos sinceros, que buscam pela integridade espiritual, a louvarem qualquer coisa, menos a Deus. Por viver no “mundo pentecostal”, digo isto com muita propriedade. As igrejas pentecostais, no Brasil, tiveram seu início em lares humildes, em comunidades carentes, onde o estudo, infelizmente, não era procurado – ou trabalhavam e se alimentavam, ou estudavam. Com isto, a cultura que prega a “morte pela letra” veio sendo disseminada neste meio. Então, a forma mais eficaz de se ensinar aos irmãos, aos cristãos, além da pregação nos púlpitos, era através de louvores e canções. E é aí que, infelizmente, as coisas desandam. Pois, pela ganância e pelo ego, compositores e cantores maquinam canções que afagam, massageiam, elevam o ego humano, as obras do homem, os frutos desta vida, o “plano terreno”. Onde Deus deveria ser o centro, o foco, existe uma diversidade imensa de coisas absolutamente secundárias, que não deveriam ser alvo de qualquer forma de louvor e adoração.

3º Forma de “evangelismo” e de “fazer missão”– Gosto de comparar o ato de evangelizar, bem como seus diversos desdobramentos, a um “pizzaiolo”, quando este dá início em sua arte; se utiliza um ovo podre para fazer a massa da pizza, toda esta resta contaminada quando pronta. Ao evangelizar, precisamos entender que não podemos maquiar o evangelho, tornando-o mais “leve e aceitável”. Todo cristão, seja “novo” ou “velho”, deve saber os princípios de sua fé. Ao pregar a Palavra para incrédulos, precisamos ter ciência de que somente a Verdade pode libertar (Jo 8:32), e que qualquer alteração nesta Verdade torna-a em mentira. Por exemplo, não podemos afirmar, categoricamente, que a vida de alguém vai melhorar após converter-se a Cristo, quando Ele mesmo afirma que seus discípulos serão perseguidos, torturados e mortos pelo Seu nome (Mt 5:10-12; Jo 11:33). Precisamos pregar que o homem é depravado, totalmente separado de Deus, morto em seus delitos e pecados (Rm 3:23; Ef 2:1-10), e que ninguém vai para o inferno – a realidade, como disse o Reformador, é que alguns saem de lá.

4º Nossas vidas como louvor e culto ao Senhor- Aqui, resta apontar que necessitamos, cada vez mais, “desenvolver a nossa salvação” (Fp 2:12), sendo cada vez mais aperfeiçoados pelos agir maravilhoso do Espírito Santo. Louvamos a Deus no nosso dia a dia quando vivemos em honestidade, irrepreensíveis e sinceros (Fp 2:15), de uma maneira que os homens nos olharão e verão, em nós, a luz do Santo Deus brilhando.

Que nossos cultos sejam direcionados ao Senhor. Que nossos louvores sejam, de fato, entoados ao Criador. Que nossas pregações falem acerca do Redentor, e de quem Ele é. Que venhamos a disseminar esta mensagem da Cruz como ela deve ser espalhada, em Verdade. Que a semente da Palavra venha ser plantada em nossos corações, frutificando em glória e louvores ao Pai.

Esta, amados, é minha oração.

Daniel kinchescki

Fonte: REFORMAI

  1. 13 de outubro de 2016

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