A Perseverança e a Preservação dos Santos- Posso Perder a Salvação-

Em geral, a teologia reformada usa os termos “perseverança” e “preservação” dos santos quando trata da questão da segurança eterna em Cristo dos verdadeiros cristãos.

Esses termos representam uma abordagem equilibrada da doutrina bíblica segundo qual a perseverança na fé cristã é necessária para receber a recompensa final da salvação eterna, sendo, porém, garantida pelo fato de que Deus preserva todos aqueles que creram verdadeiramente em Cristo.

Os cristãos perseveram pela persistência em meio ao desanimo e pressão contrária, mas só são capazes de fazê-lo porque Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo, garante que todo cristão verdadeiro se manterá firme até o fim.

Várias outras tradições cristãs divergem da teologia reformada tomando um de dois rumos. Por um lado, há quem ensine a possibilidade de pessoas que exercitaram fé salvadora e foram genuinamente regeneradas em Cristo perderem a salvação.

Para isso, lançam mão de passagens das Escrituras que advertem acerca da apostasia e exigem a obediência a fim de receber a recompensa da salvação eterna (p.ex., Sl 69:28; Mt 24:13; Lc 9:62; Jo 2:23,24; 15:6; 1Co 9:27; 2Co 13:5; Hb 3:6; 6:1-8; 10:26-31; 12:14; 2Pe 2:21,22; Ap 2:7,11,17; 22:19). A teologia reformada reconhece que essas e outras passagens semelhantes exigem perseverança e indicam que uma pessoa pode exercitar certa medida de fé e receber muitas bênçãos de Deus, mas sofrer posteriormente o julgamento eterno por apostasia.

A pergunta é: Que tipo de fé e que tipo de bênçãos essas pessoas têm?

Por outro lado, alguns ramos da igreja ensinam que a única coisa necessária para a salvação eterna é uma profissão de fé sincera, uma decisão de receber a Cristo como Salvador. Para isso, se valem de passagens que enfatizam a justificação somente pela fé e a salvação como dom gratuito que não pode ser perdido (p. ex., Jo3:16; 6:37; At 16:31; Rm 3:28; *:38,39; Gl 2:16).

As versões extremas dessas abordagem são chamadas por vezes, de “decisionismo” ou “fé fácil”, indicando que o único requisito para a salvação é a pessoa ter professado com sinceridade a fé em Cristo como Salvador, mas não necessariamente como Senhor.

Os adeptos desse ponto de vista, raramente fazem distinção entre fé salvadora e a fé sem poder de salvar, ou entre os verdadeiros cristãos e aqueles que apenas professam a fé, afirma que, embora seja possível que uma pessoa perca as bênçãos temporais devido a um pecado flagrante e habitual, nenhuma pessoa sincera precisa temer o julgamento eterno de Deus. Alguns chegam a afirmar que até mesmo se uma pessoa repudiar uma confissão anterior de fé e rejeitar a Cristo, ela será salva.

A teologia reformada busca o equilíbrio entre essas duas posições, adotando alguns aspectos de ambas e rejeitando outros. Reconhece, por um lado, a necessidade de perseverança. Por certo, somos justificados só pela fé, mas a fé salvadora nunca está só. Como Tiago afirma, ” a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tg 2:17). Assim, Paulo exorta os cristãos filipenses: ” desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2:12), pois durante a vida do cristão, sua fé é testada para verificar se ele está verdadeiramente em Cristo (2Co 13:5).

Nesse sentido, os teólogos reformados costumam fazer distinção entre a fé salvadora e a fé aparentemente sincera, porém temporária, que conduz à hipocrisia e apostasia.

Como a parábola do semeador indica (Mt 13:18-23), existem tipos diferentes de fé, mas a única fé que produz como fruto uma vida santa é a fé salvadora. Por isso, o escritor de Hebreus  afirma: “sem a [santificação] ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14).

Aqueles que possuem uma fé temporária podem experimentar várias bênçãos de Deus devido à sua relação próxima com os fiéis (Hb 6:1-6; 2Pe 2:21,22), mas perderão essas bênçãos quando abandonarem Cristo e, um dia sofrerão o julgamento eterno (Hb 10:26-31). Muitos ao buscar a santidade ao longo da vida neste mundo têm o direito de se considerar seguros em Cristo. O caminho para a glória consiste em perseverar na fé e no arrependimento, e não apenas no formalismo cristão.

Não obstante, a teologia reformada também enfatiza que a preservação pela graça de Deus é essencial para que os verdadeiros cristãos permaneçam fiéis a Cristo. Os cristãos não começam somente pela fé a andar com Cristo para depois se estribarem nos seus próprios esforços (Gl 3:3). Paulo exorta os filipenses dizendo: “desenvolvei a vossa salvação” (Fl 2:12), mas acrescenta, ” porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fl 2:13).

Paulo também os encoraja declarando que “aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp 1:16). O próprio Jesus enfatiza sua preservação dos verdadeiros cristãos ao dizer que eles “jamais perecerão, e ninguém [os] arrebatará da minha mão” (Jo 10:28).

Por vezes, cristãos verdadeiramente regenerados apostatam e caem em pecados graves. mas, ao fazê-lo, agem de modo contrário ao seu novo caráter e natureza e experimentam uma tristeza tão profunda que, mais cedo ou mais tarde, buscam e encontram restauração. Quando pessoas regeneradas agem conforme a sua nova natureza, manifestam um desejo humilde e grato de agradar ao Deus que as salvou e. sabendo que ele prometeu guardá-las em segurança para sempre, desejam ainda mais, ser fiéis ao seu Senhor.)

Fonte: Bíblia de Estudos de Genebra

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