Pequena Biografia De Charles T. Studd

Charles T. Studd (1861-1931), missionário inglês que passou a maior parte de sua vida servindo a Deus na China (10 anos) , na Índia (6 anos) e na África (21 anos), é uma prova para todas as gerações de jovens de que vale a pena perder tudo o que este mundo pode oferecer por amor a Cristo, e desejar somente o mundo por vir. Sua vida será sempre uma eterna reprimenda ao Cristianismo água-com-açúcar, pois ele demonstrou o que significa seguir a Cristo sem contar o preço e sem olhar para trás. Mas o que levou esse famoso jogador de cricket e herdeiro de uma grande fortuna a colocar tudo no altar para fazer só a vontade de Deus?

Famoso no mundo inteiro como o melhor jogador de cricket de todos os tempos, tendo sido condecorado pela rainha Vitória e por inúmeras autoridades da época enquanto viajava pelo mundo defendendo seu país, sentiu tudo ao seu redor desmoronar quando contemplou seu amado irmão, também jogador e companheiro de cricket, no leito da morte, desenganado pelos médicos. Percebeu que toda a fama e a glória do cricket de nada valeriam, nem para ele nem para ninguém, na hora de enfrentar a eternidade. Uma voz parecia lhe dizer: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade.” Deus estava começando a responder às orações de algumas senhoras que haviam se comprometido a orar por Studd para que voltasse aos caminhos do Senhor, pois há seis anos se desviara. Miraculosamente, seu irmão recuperou-se e isto levou Studd a aceitar um convite para assistir a uma campanha do famoso pregador americano D. L. Moody, que estava visitando a Inglaterra. Ali renovou seus votos com o Senhor e começou a buscar a vontade específica de Deus para sua vida. Sua busca foi tão intensa que abalou sua saúde. Teve de retirar-se para o campo onde passou três meses lendo a Bíblia e orando para que Deus lhe revelasse seu chamamento.

Quando voltou do campo, ainda não sabia o que fazer, mas Deus começou a mover de forma bem peculiar. Studd encontrou e leu um folheto de um ateu que dizia o seguinte:

“Se eu realmente acreditasse, como milhões dizem acreditar, que o conhecimento e a prática de religião nesta vida influencia o destino numa outra vida, religião seria tudo para mim. Consideraria todas as diversões terrenas como lixo, cuidados terrenos como tolices, e pensamentos e sentimentos terrenos como vaidade. Religião seria meu primeiro pensamento ao despertar, e minha última imagem antes que o sono me introduzisse no estado de inconsciência. Eu trabalharia somente por essa causa. Meus pensamentos sobre o futuro seriam só sobre a Eternidade. Para mim, uma alma ganha para o céu valeria uma vida de sofrimento. Dificuldades terrenas nunca atariam minhas mãos, nem selariam meus lábios. O mundo, seus prazeres e suas tristezas, em nenhum momento ocupariam meus pensamentos. Lutaria para considerar somente a Eternidade, e as almas ao meu redor, destinadas em breve para alegria perpétua ou para miséria perpétua. Sairia pelo mundo e pregaria para as pessoas em tempo e fora de tempo, e meu lema seria, QUE APROVEITA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO E PERDER A SUA ALMA?”

Imediatamente percebera que aquela era a verdadeira e consistente vida cristã – ser cristão não era querer Deus e as coisas do mundo ao mesmo tempo, era colocar tudo no altar e viver apaixonadamente em prol do reino de Deus.

Logo após essa experiência, ouvira dizer que pessoas estavam sendo batizadas no Espírito Santo (isso por volta de 1884, antes do grande avivamento pentecostal em 1906 em Azuza). Conferiu sobre isto na Palavra e foi convencido de que era uma experiência válida para nossos dias. Depois de uma oração simples e singela, foi poderosamente batizado no Espírito. Ajoelhado em seu quarto, definiu sua entrega total ao Senhor com as palavras do famoso hino de Frances Ridley Havergal: “Toma minha vida e faze com que seja consagrada, Senhor, a ti”. O fogo e a paixão por Jesus aumentaram ainda mais. Disse que já havia provado todos os prazeres que este mundo poderia oferecer, mas todos aqueles prazeres eram nada comparados com a alegria que sentia de ganhar almas para Jesus.

Ele e mais 6 amigos da prestigiosa universidade de Cambridge decidiram que seriam missionários na China e foram aceitos pela missão de Hudson Taylor, o qual estava em Londres naquela época. Ficaram conhecidos nos jornais da época como o “bando dos 7 de Cambridge”. Antes de partirem para a China, Studd e seu melhor amigo do bando, Stanley P. Smith, foram convidados por várias universidades para testemunhar para milhares de universitários que estavam curiosos para saber o que este famoso ex-jogador de cricket tinha para dizer sobre religião. O resultado foi impactante e fez com que um avivamento irrompesse entre os jovens da Europa e mais tarde dos EUA. Após as palestras, centenas de jovens o cercavam para perguntar mais sobre a vida cristã e sobre como servir a Jesus. Foi assim que surgiu a Cruzada Estudantil Para Cristo e muitos foram os jovens que também largaram posição e carreiras promissoras para se envolverem com o mover de Deus daquela época – a evangelização do mundo.

O dia em que o bando dos 7 embarcou no navio para China, em fevereiro de 1885, foi um acontecimento memorável; os jornais estavam lá para documentar e uma multidão se reuniu para cantar e abençoar aqueles jovens destemidos. Para Studd, com 23 anos, fora muito difícil dizer “não” àquela que mais amava, sua mãe, e a muitos amigos cristãos que insistiam para que ficasse e usasse toda sua influência e fama para servir a Deus ali no Continente. Mas Deus falara com ele numa estação de trem, sozinho à noite, para ir. Em conflito e em desespero, abrira seu Novo Testamento e ouviu Deus falar com ele através deste versículo: “… e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa.” Depois daquele momento, nunca mais olhou para trás. Quando sabia que Deus tinha falado, nada o detinha, só obedecia. Aliás, este foi o segredo durante os anos: ele vivia em comunhão direta com Deus através do Espírito e da Palavra.

A presença daqueles jovens no navio, numa viagem que durava de 5 a 6 meses com toda sorte de intempéries, causou um rebuliço. Quase todos os marinheiros e passageiros desse navio de segunda classe renderam-se aos pés do Senhor. Mas houve o caso de um capitão de um barco indiano – homem traiçoeiro, beberrão e blasfemo – que se recusava a ouvir a mensagem de salvação e só zombava dos jovens pregadores. Um dos tripulantes disse que não acreditava em religião nem em milagres, mas que se visse aquele capitão convertido, ele mudaria de idéia. Depois de várias tentativas, foi a vez de Studd sentar e conversar com ele por cerca de duas horas, contando sobre sua vida e pregando-lhe o evangelho com palavras simples mas com certeza impactantes, pois pela primeira vez o capitão resolveu ouvir e até compartilhou sobre sua própria vida de pecado e dissolução. Após essa conversa, o capitão ajoelhou-se em sua cabine e orou pedindo salvação. Dali em diante, tornou-se em outro homem, testemunhando até três vezes ao dia nas reuniões do navio, e passando a maior parte do tempo lendo a Bíblia. Escreveu cartas para todos os seus familiares e amigos, dos quais tornara-se inimigo e não via há anos, pedindo perdão e reconciliação.

Foi quando estava na China, em 1887, aos 25 anos, que tomou a decisão de abrir mão de toda a fortuna que estava para herdar de seu pai. Disse que faria, por amor a Jesus, aquilo que o jovem rico não tivera coragem de fazer. Num só dia, preencheu vários cheques distribuindo sua herança entre várias missões (como de Moody, George Müller, General Booth do Exército da Salvação, Hudson Taylor e outras) de vários países. Reservou uma quantia para sua futura esposa, mas ela também, imbuída da mesma dedicação, estava determinada a dar tudo e a começar do zero, e resolveu doar sua parte para o Exército da Salvação. Studd recusou qualquer pompa ou gasto desnecessário no dia de seu casamento. Tudo deveria ser o mais econômico possível porque a prioridade era o reino de Deus e não as vaidades deste mundo. Vestidos com roupas simples do dia-a-dia, a cerimônia do casamento foi realizada pelo famoso evangelista chinês Pastor Shi e só depois, com 5 dólares no bolso, ele viajou para o Cônsul inglês mais próximo para legalizar a união. Foi uma união centrada na paixão por Jesus e por seu reino em primeiro lugar. Certa vez, receoso de que ela amasse mais a ele do que a Jesus, escreveu esse verso para ser memorizado por ela:

“Jesus eu amo a ti,
Serás sempre o mais amado
De todo o meu viver
Mais do que Charles possa ser”

As dificuldades, doenças e perigos que enfrentaram juntos só fortaleceram o amor entre os dois e apesar de longas separações (4 anos uma vez e 13 anos segunda vez quando estava na África), mantinham uma correspondência intensa entre si, que depois da sua morte serviu de base para grande parte do livro sobre sua vida.

Durante os 10 anos passados evangelizando o interior da China, servindo na missão de Hudson Taylor, sua esposa deu à luz 5 filhas, das quais 4 sobreviveram com saúde e vivacidade, para espanto e testemunho das famílias chineses que tinham o costume de jogar aos lobos nos pagodes (templos chineses) os bebês do sexo feminino. Todas nasceram em casa, com grande dificuldade, com a ajuda dele e de amigos missionários, porque decidiram confiar no doutor Jesus para que não tivessem de abandonar a obra por 5 ou 6 meses por causa de um médico. Numa dessas ocasiões, sua esposa estava à beira da morte, mas ele creu em Tiago 5:14 , clamou a Deus e ungiu-a com óleo, e na manhã seguinte já estava curada.

Em 1894, a família voltou à Inglaterra, as meninas só falavam chinês (para surpresa de seus familiares) e tanto a saúde da esposa como a dele estava extremamente abalada. Teve fé para enviar suas filhas para as melhores escolas da Inglaterra porque decidiu que teriam a mesma educação que seu pai lhe dera. Tornaram-se formosas e mulheres de Deus que muito cooperaram para o sucesso da principal obra que viria a realizar. Ele a família viveram seis anos na Índia (1900-1906) onde sua fama de jogador de cricket atraiu muitos para ouvir a palavra. Foi ali que suas quatro filhas decidiram se batizar no mesmo dia e dedicar suas vidas para seguir os passos do pai.

Studd não vacilava quando tinha certeza que ouvira de Deus. Passava horas lendo a Palavra (amava as epístolas paulinas) e em oração. Em 1910, sozinho, sem dinheiro e sem apoio de nenhuma missão (todos se recusaram a ajudá-lo devido às suas condições físicas), partiu para o grande projeto de sua vida – a evangelização de nativos canibais no coração da África – o Congo Belga. Assim como na China vivera como um homem chinês, na África tornou-se um com os nativos. Milhares se converteram com seu testemunho e dedicação. Chamavam-lhe Bwana, que quer dizer pai. Vários postos missionários foram abertos e dezenas de missionários europeus foram enviados através do escritório central da missão mantido por sua esposa e filhas na Inglaterra. Com sua saúde delicada, os médicos exigiam repouso quase absoluto e apenas algumas horas de trabalho. Mas o mesmo fogo e paixão pela obra que ardia no coração de seu esposo, ardia também no coração dela. O sofá da sala, onde passava o dia deitada, tornou-se seu escritório, e ali escrevia até 30 cartas ao dia, editava artigos para o jornal da missão e coordenava o recrutamento e treinamento de novos missionários para ajudar o marido a evangelizar a África. Os dois haviam aprendido com George Müller a não divulgar suas necessidades, e incontáveis foram as respostas de oração nas horas de extremidades, tanto durante os anos na China como na África.

Na África, os nativos se reuniam às centenas e até aos milhares para ouvi-lo pregar. Vinham de longe, de várias tribos, trazendo seus colchões e cachos de bananas para passarem três dias cantando, orando e ouvindo a palavra. Num típico final de semana, Bwana deixaria o posto central à meia noite de sábado viajando junto com alguns nativos convertidos a pé ou de bicicleta (ele se recusava a ser carregado pelos nativos numa liteira como a maioria dos brancos faziam) para chegar às seis horas da manhã no posto missionário a ser visitado. Todos os missionários se reuniriam em sua cabana para compartilhar suas experiências e necessidades e orar juntos. Enquanto isso, os nativos estariam chegando (alguns teriam viajado a noite toda a pé) para a primeira das três reuniões diárias, de três a quatro horas de duração cada uma. Após muitos cânticos que os nativos entoavam de cor (Studd compôs cerca de 200 na língua nativa) e orações (Studd teve de organizar um método para que não orassem todos de uma vez; quem quisesse orar tinha de ficar de pé e esperar sua vez quando o último terminasse de orar; o período de oração durava de 40 minutos a uma hora), só então ele leria alguns capítulos do evangelho ou de uma carta de Paulo e pregaria em seu estilo inconfundível, linguagem simples e cheia de ilustrações (no lugar de pães, usava bananas, em vez de camelos, elefantes; para neve, giz) que mantinha os nativos atentos até por duas horas. Sua ênfase em santificação era tão grande que foi lembrada em 1960 no avivamento que ocorreu no Congo (ver livreto Avivamento no Congo).

Ele deveria voltar na segunda-feira para o posto central, mas por insistência dos nativos seu fim de semana se prolongaria até terça-feira à noite, e só na quarta-feira estaria de volta, esgotado e muitas vezes doente, mas feliz pois o que mais amava fazer era largar os muitos afazeres de seu escritório na selva e sair para pregar aos nativos. Seu médico insistia para que repousasse mais, no entanto mesmo ardendo em febre, desdenhava as ordens médicas e saía para pregar para sua congregação na selva.

Emocionante foi a visita de sua esposa, depois de 13 anos de separação, quando um pequeno avião pousou na selva, trazendo a esposa de Bwana. Os nativos se espantaram, pensando que era filha e não esposa de Bwana, de tão desgastado e alquebrado que Studd estava pelos anos de sofrimento na selva. Ali estava um homem consumido pela obra de Deus. Sofrera vários ataques cardíacos e de asma, a qual sempre o acompanhara desde jovem. As muitas obrigações da missão em Londres fizeram-na retornar após duas semanas, e ela partiu como soldado fiel para cumprir seu papel, sabendo que nunca mais se encontrariam nesta terra.

Mesmo sofrendo muitos ataques de malária e de várias doenças tropicais, o que causou sua morte em 1931, com 71 anos de idade, foram as conseqüências de pedras na vesícula que não foram removidas por cirurgia. Nos últimos anos, as crises eram tão violentas que decidiu viver à base de morfina para ganhar mais força temporariamente para trabalhar (trabalhava até 18 horas por dia, supervisionando a obra, traduzindo a Bíblia para diferentes tribos e escrevendo inúmeras cartas para seus missionários, familiares e amigos) e para pregar a palavra para sua querida congregação de nativos. A última palavra que escreveu numa carta para os missionários foi “aleluia” e foi essa palavra que pronunciou muitas vezes durante os últimos dias em que agonizava inconsciente em seu leito de morte, cercado por seus missionários e por dezenas de nativos. Foi esta também a última palavra que disse antes de morrer. Entre 1500 e 2000 nativos vieram para enterrá-lo no coração da África pela qual dedicara os últimos 21anos de sua vida, e juntos com os missionários eles cantaram:

Ao pé da cruz
Ao pé da cruz
Ajudaremos uns aos outros
Ao pé da cruz

No primeiro aniversário da sua morte, os missionários indagavam quantos viriam para a Conferência Anual de Nativos. Surpreendentemente, cerca de oito mil (muito mais que os quatro mil quando Studd estava vivo) vieram de todas as tribos e de todos os lugares para adorar o Cordeiro. Com a ajuda de sua esposa, de suas filhas e de muitos cooperadores, sua missão, Cruzada Mundial de Evangelização continuou, e permanece até hoje.

A vida de C. T. Studd tornou-se um testemunho de impacto porque mostra o que acontece quando alguém decide dar tudo para Jesus para andar e caminhar com ele pela fé no invisível. Studd desde jovem deu ao Espírito Santo total controle de sua vida. São dele estas famosas palavras: “Como poderia eu gastar os melhores anos de minha vida em prol das honras desse mundo, quando milhares de almas estão perecendo a cada dia?”

Adaptado por Elenir Cordeiro do livro “C. T. Studd – Cricketer & Pioneer” por Norman P. Grubb, publicado em 1933.

Sugerido e editado pelo querido irmão Alisson Bruno, da página Evangelho Em Foco.

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