Órfãos e Viúvas

A religião pura e imaculada para com Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. ’‘ (Tiago 1:27)

 

Falar de viúvas e órfãos, no contexto bíblico, sem dúvida é algo que nos traz um problema para a realidade da igreja de nossos dias. Tiago escreveu uma carta preciosíssima em todo o seu contexto, carta esta que fala sobre a prática da religião no que diz respeito a atitudes, ou seja, algo além da teoria. E é justamente isso que Tiago aborda no versículo supracitado.

A prática de algo verdadeiramente aprovado diante de Deus consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações. Em outras palavras, consiste em ajudar os órfãos e as viúvas a se alimentarem. Oferecer ajuda material propriamente dita.

No contexto bíblico, as viúvas não tinham condições de sustentar-se financeiramente, de forma que contavam com o acolhimento dos irmãos da Igreja para que pudessem sobreviver.

Religião pura e imaculada tem a ver com amor sincero e interesse real pela vida daqueles estão passando por necessidades e privações. Justamente por isso, Tiago menciona a questão de guardar-se da corrupção do mundo, que era fazer as coisas sem o sentimento verdadeiro que o cristão deve ter em relação a estes.

O problema que surge quando entendemos este texto é a triste constatação de uma realidade questionada por poucos: Por que a Igreja de Cristo contemporânea é omissa em relação a esse tipo de cuidado?

Hoje, na prática, pouquíssimas igrejas direcionam a arrecadação de seus recursos para este cuidado genuinamente escrito na Palavra de Deus. E infelizmente, esse erro não é exclusividade de igrejas neopentecostais. Poucas igrejas reformadas tem esse tipo de conduta diante de seus membros. Mazelas que não são passíveis de explicação são erros literais.

Claro que entendo perfeitamente as necessidades de uma igreja local em relação às contas e custos que uma instituição para um encontro comunitário tem, pois participo de uma igreja local.

A questão é que tais despesas não estão em detrimento de outras. E biblicamente falando, qual deveria ser a prioridade de uma instituição cristã? Será que Deus se agrada em gastar milhares de reais em prédios e estruturas enquanto a igreja está OMITINDO ABERTAMENTE esse cuidado aos órfãos e viúvas.

Lemos passagens no Novo Testamento onde o apóstolo Paulo trabalhava para não ser peso na igreja:

Atos 20.34: Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos trabalharam para as necessidades minhas e dos que estavam comigo.

1 Coríntios 4.12: nos cansamos trabalhando com as próprias mãos.

1 Tessalonicenses 2.9: Pois vocês ainda se lembram, irmãos, de nosso trabalho e fadiga. Noite e dia trabalhando para não sermos de peso para nenhum de vocês.

2 Tessalonicenses 3.7-8: vocês sabem como devem imitar-nos, porque nós não ficamos sem fazer nada enquanto estivemos entre vocês, nem recebemos de graça o pão que comemos. Ao contrário, com esforço e cansaço trabalhamos dia e noite para não sermos de peso para nenhum de vocês.

Uma pergunta que cabe aqui: se o Apóstolo Paulo conseguia trabalhar com a consciência de que não queria ser peso para a Igreja no sentido financeiro, porque alguns pastores de hoje em dia não conseguem?

Olhando a consciência e generosidade da Igreja Primitiva em relação aos irmãos desfavorecidos e necessitados, existe algo que possa de alguma justificar a omissão?

Não, não existe!

As viúvas e órfãos de nossos dias padecem, pela omissão e pela falta de prioridade das igrejas, que em sua maioria tem investido mais nas estruturas físicas do que na vida dos irmãos. Obviamente que a Igreja de Cristo não pode incentivar pessoas que podem trabalhar a ficar no comodismo, então a ajuda financeira deve ser direcionada com discernimento e sabedoria. Não se trata de mero assistencialismo, mas sim, de praticar o Evangelho em todos os sentidos.

Então a Igreja deve sustentar orfanatos financeiramente? Claro que isso pode ser feito. Porém, um modo de exercer a compaixão cristã em nossos dias pode ser a ADOÇÃO. Atitude que transpõe a esfera financeira e que é acompanhada de amor incondicional. Sem dúvida que esta é uma ótima opção para cuidar dos órfãos.

Da mesma forma, hoje, muitas viúvas se esforçam para trabalhar e não viver de pensão do marido (quando tem). Conheço um exemplo maravilhoso de uma igreja que tem uma viúva entre seus membros. Ela trabalha com afazeres domésticos. Os irmãos da Igreja a contrataram para limpar suas respectivas casas. De modo que não tem lhe faltado trabalho e sustento digno. Claro que são possibilidades e que existem muitas outras que podem ser sugeridas. O que não pode haver é a omissão, que infelizmente, é algo comum em nossos dias.

Portanto, o fato da Igreja não estar atenta a isso como deveria, não anula a nossa responsabilidade em relação aos irmãos menos favorecidos.

Oremos, para que o Senhor nos ajude a colocar em uma escala prioritária o que de fato deva ser prioridade no Reino de Deus, e que nós tenhamos a dignidade de não nos omitir diante do que diz a Palavra de Deus em relação à nossa responsabilidade.

Em Cristo, Marco Cicco.

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