Onde há o Espírito há Liberdade-

“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.”

2 Coríntios 3:17

Imagino que todos, ou a grande maioria, já tenham ouvido alguém tentar justificar alguma “manifestação do espírito” usando este versículo? A “interpretação” que fazem deste texto é que quando o Espírito de Deus está agindo num culto, Ele dá liberdade aos crentes para fazer qualquer coisa em nome do “espírito”. Portanto, não se pode questionar estas coisas, não importando o quão diferentes e bizarras elas possam ser, afinal, na visão deles, “onde há o espírito, há liberdade e você que não concorda, não vê as coisas com os olhos da fé”.

Pois meus irmãos, é verdade, este texto Paulino tem sido distorcido para validar todo tipo de aberração e “presepadas” nesses “cultos” e reuniões evangélicas. Mas então, qual é a correta exegese deste texto bíblico?

Bom, primeiramente temos que observar que Paulo não está tratando do culto quando fala dessa passagem. O contexto é completamente diferente. Paulo, nos versículos 13 e 14, está falando sobre a temporariedade da lei Moisés. Que havia um “véu”, não literal, (vale ressaltar que Moisés utilizou um véu sobre seu resto por determinado tempo, serve como uma tipologia ao texto também) que não permitia os antigos israelitas verem a verdadeira revelação de Cristo nas palavras do velho testamento. Eles liam o texto bíblico, mas não conseguiam enxergar que ele já apontava para Cristo. No verso 14, Paulo fala que mesmo em seu tempo, muitos judeus ainda permaneciam com esse “véu” e não viam que este foi removido em Cristo.

Porém, quando qualquer judeu se converte, o véu lhe é tirado (v.16), e ai, por causa da salvação em Cristo, no Espírito há liberdade (v.17), há liberdade para que tenhamos o Espírito Santo, e agora todos nós podemos contemplar a Glória do Senhor, sem o “véu” (v.18). Passamos a estar livres da lei, livre do legalismo, passamos a estar interligados com Cristo, no Espírito.

Fica claro, portanto, que o texto não tem nada a ver com liberdade para fazermos o que sentirmos vontade no culto a Deus.

E há outro ponto a se destacar. A Palavra de Deus não se contradiz em momento algum. Assim sendo, como poderíamos harmonizar a errônea interpretação dada por estes irmãos mais “espirituais” com passagem de Rom 12:1?

ROGO-VOS, POIS, IRMÃOS, PELAS MISERICÓRDIAS DE DEUS, QUE APRESENTEIS O VOSSO CORPO POR SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E AGRADÁVEL A DEUS, QUE É O VOSSO CULTO RACIONAL

Ou com o texto de I Cor 14:40?

“TUDO, PORÉM, SEJA FEITO COM DECÊNCIA E ORDEM”

Impossível seria! A interpretação equivocada destes irmãos os coloca em rota de colisão com a própria Palavra.

Porém, aqui faço uma ressalva. Não estou advogando em favor de um culto frio, metódico e engessado por regras e costumes humanos. Longe disso! Estou apenas fazendo coro com o apóstolo Tiago em dizer que “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra, e não somente ouvintes” (Tg 1:22). Este é principio do culto racional e espiritual, ouvir a palavra e praticá-la, em todos os aspectos, até no culto!

Por fim, fico com as palavras do Reverendo Augustos Nicodemus, no que se refere ao verdadeiro culto espiritual:

Um culto espiritual é aquele onde a Palavra é pregada com fidelidade, onde os cânticos refletem as verdades da Bíblia e são entoados de coração, onde as orações são feitas em nome de Jesus por aquelas coisas lícitas que a Bíblia nos ensina a pedir, onde a Ceia e o batismo são celebrados de maneira digna. Um culto espiritual combina fervor com entendimento, alegria com solenidade, sentimento com racionalidade.

Hugo Coutinho

Fonte: REFORMAI

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