O Reino de Deus se Faz Visível

O Reino de Deus se fez visível pelo Messias montado em um jumento. Desse jeito, se inaugurava um Reino invisível sendo feito visível diante dos olhos do povo de Israel. Só faltava uns dias para a celebração da Páscoa, porém, não perceberam que a verdadeira Páscoa estava entre eles, o Messias, e tão longe, ao mesmo tempo; sem perceberem o cumprimento dos tempos, somente encontraram os seus próprios desejos de destruir Aquele que ia ser a salvação tão desejada.

Em oposição a tal impiedade, Jesus exortou qualquer um que aceitasse plenamente esse Reino para entrar em Sua realidade escatológica e viver o futuro como sendo feito presente na pessoa de Cristo. Não se tratava de noções míticas do nacionalismo hebraico, nem de defesas de aspectos cultuais, legalistas ou apocalípticos de poder temporal: o Reino de Deus se faz visível na pessoa de Cristo, que proclama sua chegada montado em um jumento. O verdadeiro Rei de Israel se faz visível.

O Reino de Deus é feito visível na Igreja de Cristo, o corpo do Rei Eterno, visível na terra (Mateus 16:18), e Sua missão é dispensar graça através dos tempos, multiplicar-se e tornar-se uma nova sociedade em meio dos povos, as nações e as tribos da Terra. Não se trata de uma promessa futura, é uma realidade presente feita visível pelos sacramentos, a adoração e a presença do povo de Deus, intrinsecamente engajado com as exigências da vida. A salvação é um processo que começa agora com um compromisso do Reino (1 Coríntios 11:17-22, veja também Atos 2:44), trazendo a cura da pessoa, a restauração de relações, a liberdade do domínio de Satanás, a justificação do pecador, a plenitude sem culpa, e restabelecendo total do ser humano.

As necessidades urgentes de pessoas reais têm precedência sobre questões celestiais, mesmo que esses pensamentos celestiais falem da esperança escatológica final. Deus e Seu Reino não são remotos ou distantes: estão presentes e imanentes na proximidade redentora. A menos que a proclamação da salvação tenha um impacto agora, estamos apenas brincando com palavras. Estamos aqui para demonstrar o amor de Deus montando em um jumento; Não por afirmar, coagir, bulldozing ou Bíblia bashing.

A proclamação do Reino de Deus por Jesus incorporou uma exigência histórica de justiça em palavra e ação. Zaqueu (Lucas 19,1-10) experimentou a salvação não apenas pessoalmente, mas também em relações, ele rompeu qualquer ligação com um sistema tributário corrupto e o seu tratamento injusto aos pobres. A graça de Deus e a manifestação do Seu Reino é um desafio para quebrar essas barreiras que impedem a comunhão com outros. A Igreja supera tal barreiras unindo diversas pessoas, povos, línguas, em uma só nação, o Reino de Deus.

A ortodoxia cristã ilumina a catolicidade da Igreja para abraçar todas as gerações, povos, línguas e pessoas pela graça expressada na Semana Santa. A Cruz e a Ressurreição expressam o poder invencível do eterno amor de Deus pelo Seu povo.

As bem-aventuranças emergem como um manifesto revolucionário para levantar a bandeira deste Reino feito visível montado em um jumento. Mateus e Lucas nos ajudam a compreender os significado completo da espiritualidade integral, refletida na ortodoxia cristã e a catolicidade da Igreja. Enquanto Mateus fala dos pobres do Espírito (Mateus 5.3), Lucas amplia expressando em clara alusão aos pobres (Lucas 6.20). Mateus nos fala dos que têm fome de justiça (Mateus 5.6), e Lucas nos lembra dos famintos que não tem para comer (Lucas 6.21). As palavras finais de Lucas ainda expressam uma forte advertência aos ricos e bem alimentados (Lucas 6.4), enquanto Mateus continua sobre as bênçãos que temos durante tempo de perseguição e calúnia.

No Domingo de Ramos, encontramos esta realidade da verdadeira salvação entrando a Jerusalém. Jesus entra na Cidade de Deus, uma visão escatológica do novo céu e na nova terra quando Cristo voltará. Diante de tal evento, os mestres da lei e governantes levantam seu poder temporal e planejam contra Jesus (João 11.47-57), inclusive considerando matar a Lázaro depois dele ter sido ressurreto (João 12.9-11).

A salvação nos é apresentada como uma nova realidade. Os scripts sociais de um pobre mendigo são invertidos com os de um homem rude insensível (Lucas 16:19-31). O publicano arrependido é aceito diante do fariseu “justo” (Lucas 18:10-13). Os trabalhadores da vinha retomam a terra controlada por um latifundiário avarento e ausente (Mateus 20:1-16). Uma viúva desesperada e persistente recebe misericórdia de um juiz (Lucas 18: 2-6). Todas estas histórias são descritas em termos de salvação.

Essa dimensão de reversão da cultura do Reino traz salvação para todos. Também, aqueles que em todas as suas dimensões. A transformação das estruturas injustas e ímpias fruto do pecado, serão confrontadas pela cultura do Reino. Por este motivo, não devemos nos surpreender quando a Igreja levanta sua voz profética e é rejeitada, inclusive perseguida. Somos a luz que não será extinta jamais, sendo o agente de transformação das estruturas sociais, aqui e agora, fazendo visível o Reino de Deus entre os povos e as nações. Não temamos quando formos perseguidos, criticados e, inclusive, mortos por ser seguidores de Jesus, também fizeram isso com o nosso Senhor.

A salvação é uma nova vida, reconciliação com o Pai, perdão dos pecados, a totalidade reencontrada e a cura das feridas. A salvação é a recuperação da pessoa inteira de acordo com o propósito original de Deus para Sua criação. Ser salvo é entrar no Reino com valores diferentes e pensamentos transformados, um estilo de vida diferente, por uma nova vida terrena de discipulado (Lucas 8:10, Marcos 10.15, Mateus 13:41). Assim, o tempo e o mundo atual são sustentados, mas a extrema pobreza e injustiça dão lugar a um novo espírito comunitário de amor e generosidade.

Se o Reino está presente, a salvação será proclamada pelo poder dos sinais e milagres (Romanos 15:19, Mateus 4,23). A obra de Jesus na Cruz se faz visível pelo anuncio do evangelho das boas novas inspirado pelo Espírito Santo. Sinais e maravilhas tornam-se evidência do reinado de Deus sobre a doença e os demônios, e a salvação inclui sem dúvida alguma a libertação ativa neste mundo dos demônios e espíritos imundos, acompanhada de cura física, espiritual e emocional.

Como a missão da Igreja, o Reino de Deus, é em última análise indefinível. O Reino de Deus é multidimensional e abrangente. Se o seu motivo é a conversão, o Reino está limitado à soma das almas salvas. Se o seu motivo é a plantação de igrejas, o Reino se torna uma instituição. Se seu motivo é escatológico, o Reino se torna uma esperança futura e as exigências da vida são ignoradas. Se o seu motivo é caritativamente filantrópico, o Reino se torna a busca da justiça social para a melhoria da sociedade. Mas quando unimos todos estes motivos sobre o Senhorio de Cristo para a glória de Deus pelo poder do Espírito Santo, o Reino é uma experiência diária que se faz visível. O Céu se faz presente na Terra.

Josep Rossello
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