O Que A Nossa Raiva Está Dizendo

Por Jonathan Parnell

Raiva não é bom para você, pelo menos não em sua forma típica.

Novos estudos argumentam que sentimentos regulares de raiva aumentam a probabilidade de doença cardíaca, e que num intervalo de duas horas de uma ataque de raiva, as chances de um ataque cardíaco ou derrame cerebral disparam. O que significa que todas as pessoas irritadas devem ficar atentas; é um ponto perigoso. Mas espere. A raiva é mais do que um problema para “pessoas irritadas”. Na verdade, é um problema para todos nós – isso inclui você e eu.

Tradicionalmente, a questão da raiva tem sido dividida entre aqueles que ficam com raiva e aqueles que não. Algumas pessoas tendem a ficar vermelhas, outras preferem relaxar e descontrair para permanecerem tranquilas. Mas a verdade é que todo mundo fica bravo – apenas expressam de maneiras diferentes. Em seu artigo “Por que a raiva é ruim para você”, a neurofisiologista Nerina Ramlakham diz: “Agora separamos as pessoas de forma diferente daqueles que mantêm raiva e daqueles que a expressam”. A questão, então, não é quem fica zangado, mas por que todos ficamos com raiva.

Por que ficar com raiva tem a ver com o amor?

O amor por trás da raiva

A raiva não vem do nada. Não é uma emoção original. Em um grau ou outro, a raiva é a nossa resposta a tudo o que põe em perigo algo que amamos. “Em sua origem não corrompida”, diz Tim Keller, “a raiva é realmente uma forma de amor” (“A Cura da Raiva”). Raiva é o amor em movimento para lidar com uma ameaça a alguém ou algo que realmente se preocupam. E em muitos aspectos, pode ser certo.

É certo que ficamos com raiva do entregador que acelera na nossa rua quando os nossos filhos estão jogando no quintal da frente. Isso faz sentido. O entregador coloca nossos filhos em perigo. Também é certo ficarmos zangados com o mal horrível do Boko Haram na Nigéria. É incrivelmente horrível!

“A questão não é quem fica bravo, mas o porquê que faz com que todos tenham raiva.”

Se somos honestos, tanto quanto existem instâncias certas para a nossa raiva, a maior parte da nossa raiva não está ligada aos perigos acidentais que cercam nossos filhos ou as injustiças perversas que acontecem em todo o mundo. Tanto quanto amamos nossos filhos e nos preocupamos com vítimas inocentes, nossa raiva normalmente aponta para outros amores – amores desordenados, como Keller os chama.

Essas Afeições Desordenadas

Amores desordenados, ou “afeições desordenadas”, como Agostinho os chamou, fazem parte do velho problema de tomar as coisas boas e torná-las definitivas. É o terreno escorregadio que vai de amar realmente nossos filhos a encontrar nossa identidade neles, a pensar que nossas vidas são inúteis sem a prosperidade de nossa posteridade. É essa mudança insidiosa que transforma as bênçãos em ídolos. E quando nossos amores começam desordenados, nossa raiva enlouquece.

Ficamos irritados com as coisas mais simples, mais inofensivas – as coisas que realmente não deve nos deixar loucos. Keller explica:

‘’Não há nada de errado em ficar irritado – ficar irritado até certo ponto – se alguém prejudica sua reputação, por que você está dez vezes – cem vezes – mais irritado sobre ele do que alguma horrível injustiça violenta que está sendo feito para as pessoas em outra parte do mundo?

Você sabe por quê? . . . Porque . . . Se o que você realmente está procurando para o seu significado e segurança é a aprovação das pessoas ou uma boa reputação ou status ou algo assim, então quando alguma coisa fica entre você e a coisa que você tem que ter, você fica implacavelmente irritado. Você tem que ter. Você está acima do topo. Você não pode ignorar isso.’’

“Se ficarmos zangados por sermos esquecidos, talvez o problema seja que nos amamos demais

Se ficarmos zangados por sermos esquecidos nas mídias sociais, ou por uma fechada no trânsito, ou não sermos reconhecidos pelo trabalho, ou por uma ideia, ou sentindo subestimado pelo nosso cônjuge – o problema pode ser que nos amamos demais.

Três passos para pôr para fora.

Então, o que fazemos? Se a raiva é problema de todos, e se muitas vezes expõe nossos amores desordenados, como podemos nos libertar de suas garras? Aqui estão três passos para pôr para fora.

  1. Analise a raiva.

Devemos entrar nos detalhes da raiva e entender sua fonte. Isso significa que quando nos encontramos ficando com raiva – quando essas emoções começam a se levantar – nós paramos e perguntamos: “O que é essa coisa tão importante para mim que eu fico na defensiva?” O que eu estou amando tanto agora que meu coração é movido a sentir-se irritado?

“Se você fizer essa pergunta”, diz Keller, “se você fizer essa análise, na maioria das vezes você ficará imediatamente envergonhado, porque muitas, muitas vezes a coisa que você está defendendo é o seu ego, seu orgulho, estima.”

  1. Sinta vergonha pelo pecado.

Podemos nos sentir envergonhados depois de fazer essas perguntas, ou pior, nada é mais feio do que abrir a tampa de nossos corações para encontrar esse tipo de corrupção. Por mais rançoso que seja, podemos enfrentar o susto com uma tristeza ousada. Somos ousados porque a corrupção, embora presente, não pode nos condenar ou nos derrotar. Jesus pagou o preço por esse amor desordenado. Ele suportou a ira que merecíamos, libertando-nos da culpa do pecado. Ele ressuscitou dos mortos, capacitando-nos sobre o domínio do pecado.

E então há tristeza. Ficamos verdadeiramente tristes por quão lentas são nossas almas em receber a graça de Deus. Estamos tristes por nos acharmos mais perturbados pelo nosso ego ferido do que pelos abortos que ocorrem no centro da cidade, ficamos tristes por agitar nossos punhos em meios rudes mais do que levantamos as mãos para curar o quebrado, ficamos tristes por zombarmos daqueles que discordam de nós mais do que defendermos publicamente os direitos dos sem voz. Estamos tristes com isso em nossas profundezas com uma espécie de tristeza séria que não se contenta em deixá-la ali. Nós somos entristecidos no arrependimento (2 Coríntios 7: 9-10). Nós voltamos e dizemos, não mais, Senhor. Por favor não mais!

“Podemos enfrentar a nossa corrupção com uma tristeza ousada. Jesus pagou o preço por esse amor desordenado.

  1. Lembre-se do amor de Jesus.

A solução óbvia para o amor desordenado é o amor ordenado. Mas não apenas um interruptor para que isso aconteça. Não podemos simplesmente parar de amar um objeto erroneamente para começar a amar o objeto mais amável corretamente – isto é, a menos que sejamos fortalecidos pelo Espírito para conhecer o amor de Cristo que ultrapassa o conhecimento (Efésios 3: 14-19).

Quando nossos olhos se abrem para ver e ter por apreço por Jesus (2 Coríntios 4: 6), quando somos vencidos pela Sua graça (2 Coríntios 8: 8-9), então somos levados a amá-lo mais do que tudo – e assim cada vez mais nos preocupamos com as coisas que importam, e aprendemos a não ficarmos zangados quando não deveríamos estar.

Traduzido por Camila Plens

Original What Our Anger Is Telling Us

Article by Jonathan Parnell

Desiring God

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