O que a Bíblia ensina sobre a HOMOSSEXUALIDADE-

*Texto escrito pelo Reverendo Kevin DeYoung

Há seis razões por que não podemos rejeitar Levítico 18.22 “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;” e 20.13 “Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles.” e por que devemos  ver estas proibições como uma expressão da vontade moral imutável de Deus.

1. Nenhum discípulo de Jesus deveria começar com a suposição de que os mandamentos da lei mosaica são amplamente irrelevantes. Jesus mesmo insistiu em que não viera para abolir a menor porção da lei (Mt 5. 17-18). Jesus falou em cumprir a Escritura do Antigo Testamento, mas nunca falou em dispensá-la casualmente. Certamente, o discipulado na nova aliança é diferente da vida antiga na antiga aliança. Todos os alimentos são declarados puros (Mc 7.19); dias santos se tornaram opcionais (Rm 14. 5-6); todo o sistema de sacrifícios no templo, os sacerdotes e os sacrifícios foram relegados (Hb 7. 1-10.18). Jesus traz a Escritura à completude, ao clímax, ao objetivo tencionado. Entretanto, isto é muito diferente de supor que seções pouco conhecidas de Levítico devam ser descartadas automaticamente. No sentido mais verdadeiro, nada no Antigo Testamento deve ser descartado. Toda a Escritura foi inspirada por Deus e é proveitosa para o cristão (2 Tm 3.16-17). Até o obsoleto sistema de sacrifícios ainda nos ensina sobre a natureza da adoração espiritual e do verdadeiro discipulado (Rm 12.1-2). Cada lei no Antigo Testamento revela algo sobre o caráter de Deus e a natureza de nossa obediência. Se o princípio que fundamentava Levítico 18.22 e 20.13 é algo mais do que “Deus não aprova o comportamento homossexual”, então, isso precisa ser provado com base na Escritura, não apenas afirmado com base numa rejeição casual da instrução do Antigo Testamento;

2. Não há no Novo Testamento nenhuma indicação de que Levítico deca ser tratado como especificamente obscuro e secundário. Muito pelo contrário. Jesus se referiu a Levítico 19.18 “amarás o teu próximo como a ti mesmo” mais do que a qualquer outro versículo do Antigo Testamento, e o Novo Testamento se refere a ele dez vezes. Os apóstolos Pedro e Paulo também citaram Levítico como parte de suas exortações à santidade (2 Co 6.16, citando Lv 26.12; 1Pe 1.16), citando Lv 11.44. Os autores do Novo Testamento não hesitaram em recorrer a Levítico, o livro preeminente sobre santidade em suas Bíblias, para acharem instrução e exortação para o viver santo. Em 1Co 5, Paulo apelou diretamente à lei de Moisés – Levítico 18.8, Deuteronômio 22.30; 27.20 – para estabelecer a pecaminosidade do incesto (um procedimento que ele fez de novo em 1Co 6, com respeito à homossexualidade). Paulo achou em Levítico obrigações morais que ainda são vigentes para o cristão. A ética sexual do Antigo Testamento não foi ab-rogada como o sistema de sacrifícios, mas estendida para a igreja. A lei é boa, se alguém se utiliza dela de modo legítimo (1Tm 1.8).

3. A palavra que Paulo usou e foi traduzida por “sodomita” (1Co 6.9; 1Tm 1.10) era derivada de duas palavras – arsen (homem) e koite (cama) – achadas em Levítico 18.22 e 20.13 (Septuaginta). Não há ocorrências da palavra (arsenokoitai) anterior a Paulo. Até muitos eruditos revisionistas concordam em que Paulo cunhou a palavra a partir de Levítico. Também pode haver uma alusão ao veredito de levítico 20.13 (“ambos praticaram coisa abominável”), em Romanos 1.24 (“Deus entregou tais homens… para desonrarem o seu corpo entre si”).

4. Levítico usa linguagem forte ao denunciar o comportamento homossexual, chamando-o “abominação”. Fora de Levítico, a palavra hebraica to’ebach aparece 43 vezes em Ezequiel, e 68 vezes no resto do Antigo Testamento com respeito a pecados especialmente graves. Não podemos reduzir to’ebach a mero tabu social ou impureza ritual. A palavra significa geralmente algo que o Senhor abomina. “Seis coisas o Senhor aborrece”, Provérbios declara, “e a sétima a sua alma abomina” (6.16; cf. Dt 12.31). Como autores revisionistas estãi prontos a ressaltar, todos os pecados sexuais em Levítico 18 são agrupados sob o termo “abominações” (vv. 26-27, 29-30), mas somente o sexo de homem com homem é destacado como uma abominação. De fato, é o único ato proibido que recebe essa designação em todo Código de Santidade. A pena de morte, par ambas as partes, também expressa a seriedade da ofensa aos olhos de Deus.

5. A referência ao período menstrual da mulher (18.19; 20.18) não deveria pôr em dúvida o resto da ética sexual descrita em Levítico 18 e 20. Inicialmente, em ambos os capítulos há uma progressão clara de pecado sexual, que vai se afastando em medida crescente do propósito de monogamia macho-fêmea. Em Levítico 18.19-23, as ofensas se movem de sexo com uma mulher mestruada para sexo com a mulher do próximo, para sexo com outro homem, para sexo com animal. Cada nova ofensa é outro passo para longe do desígnio de Deus. De modo semelhante, em Levítico 20.10-16 as ofensas se movem de sexo com a mulher do próximo, para sexo com um membro da família, para sexo com um membro da família de geração mais nova, para sexo com outro homem, para sexo com mais do que um parceiro, para sexo com animal, para uma mulher que assume o papel de um homem em se aproximar de um animal para fazer sexo com ele. Ter sexo durante a impureza menstrual de uma mulher é o mais baixo degrau da escada no capítulo 18, e não faz parte da progressão no capítulo 20.

Além disso, temos de entender que o Antigo Testamento quer dizer por “impureza”. Levítico 18.19 proíbe um marido de fazer sexo com sua mulher durante o tempo em eu o sangue está sendo liberado, pois isso o tornaria impuro por causa da impureza dela. A questão, portanto, é se a menstruação ainda torna uma mulher impura. A menstruação não era um pecado (nenhum sacrifício era exigido para expiá-la). Era uma questão de impureza ritual. Mas, com a vinda de Cristo – e a eliminação do sistema de sacrifícios, do templo e do sacerdócio levítico – todo o sistema que exigia pureza ritual foi removido. No Antigo Testamento, nem toda impureza era pecado, mas todo pecado tornava uma pessoa impura. Como Jonathan Klawans comenta na Bíblia de Estudo Judaica, a impureza ritual e a impureza moral são duas categorias análogas mas distintas. Pureza ainda é importante no Novo Testamento, mas se torna uma categoria exclusivamente moral e não uma categoria ritual. Pureza se refere àqueles atos que são moralmente puros aos olhos de Deus; é por isso que a fé da mulher de hemorragia (menstruação), mencionada em Lucas 8, era mais importante do que os doze anos de sua hemorragia (vv. 43-48). A lição de Levítico 18.19 não é “descarte todo o capítulo”, mas “refreie-se de toda atividade sexual que o torne impuro”.

6. Exceto a questão de sexo durante a menstruação, a ética sexual de Levítico 18 e 20 é reafirmada francamente no Novo Testamento. O adultério ainda é um pecado (Mt 5.27-30). O incesto ainda é um pecado (1Co 5.1-13). Até a poligamia é rejeitada claramente (1Co 7.2; 1Tm 3.2). Seria estranho que a proibição contra a prática homossexual fosse deixada de lado quando o resto da ética sexual não é, levando em conta especialmente a maneira como a rejeição do comportamento homossexual está arraigada na ordem criada.

O raciocínio contra a importância permanente de Levítico parece convincente a princípio, mas os argumentos equivalem frequentemente a pouco mais do que utilização de jargões. Qualquer pessoa que estude a Bíblia como uma disciplina séria entende que lidar com a relação entre o Antigo e o Novo Testamento pode ser algo complicado. Não adotamos a lei de Moisés como nosso pacto de membresia da igreja. Também não rejeitamos a graciosa autorrevelação de Deus na Torá, por causa de uma proibição a respeito de comer moluscos. Levítico fazia parte da Bíblia que Jesus lia, a Bíblia em que Jesus acreditava e a Bíblia que Jesus não quis abolir. Devemos levar a sério o que o Código de Santidade nos revela a respeito do caráter santo de Deus e de como as pessoas santas devem viver. Mesmo deste lado da cruz, os mandamentos de Levíticos ainda são importantes.

Texto extraído do livro: O que a Bíblia ensina sobre a HOMOSSEXUALIDADE? Kevin DeYoung pág. 56-61, Editora Fiel.

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