O Primeiro Mártir

No grande capítulo 7 de Atos o médico Lucas narra a história do propósito de Deus através do Antigo Testamento. Mas aqui também vemos o primeiro mártir na história da Igreja do Novo Testamento que foi Estevão, um diácono fiel.  A morte deste servo fiel é registrada mais plenamente do que a morte de qualquer outra pessoa no Novo Testamento, exceto a de nosso Senhor Jesus Cristo. Aqui está um homem morrendo pelo testemunho de Cristo, morrendo pelas mãos de homens ímpios, mas morrendo em graça e morrendo graciosamente pela glória de Deus.

O Espírito de Deus dirigiu Lucas para identificar apenas um dos assassinos de Estêvão. Aqueles que apedrejaram Estevão “depuseram as suas capas aos pés de um jovem chamado Saulo” (At 7:58). Saulo foi provavelmente o homem que examinou Estêvão e ficou confuso com o seu discurso quando ele esteve diante do Sinédrio (At 6:8-10). Aqui vemos um contraste impressionante. Estêvão e Saulo estão no descanso eterno dos santos agora. Mas veja que incoerência, pois enquanto viviam eles não tinham nada em comum. Estevão estava prestes a morrer. Saulo estava segurando as roupas daqueles que o apedrejaram. Saulo era um fariseu orgulhoso de seu pedigree, seu aprendizado, suas obras, sua posição religiosa, e sua grande reputação.

Estevão era um pecador quebrantado e humilde, salvo pela graça de Deus, cuja única esperança estava em Cristo. Saulo vivia em seu ego. Estêvão estava crucificado com Cristo. Seu coração estava exultante olhando para Cristo, seu exaltado Senhor. Saulo era um religioso.  Ele colocou a sua esperança na religião. Para ele a lei, o templo, o sacerdócio e as cerimônias eram tudo. A religião de Estêvão era uma questão de coração, uma união viva e espiritual com Deus em Cristo (Fp 3:3;At 7:48-50). Ele sabia que a cerimônia religiosa sem fé em Cristo é inútil (Is 1:10-15).

Saulo achava que Deus estava impressionado com rituais e cerimônias. Estêvão sabia o que poucos sabem que “O Senhor olha para o coração” (1 Sm 16:7;Lc 16:15). Saulo defendia sua religião. Para defender a sua religião ele se tornou ardiloso, cruel e insensível. Estêvão defendeu a causa de Cristo, mesmo à custa de sua própria vida.

A causa de Cristo, Sua Igreja, Sua verdade e Sua glória eram de maior valor para Estevão do que a própria vida. Estevão foi gracioso até o fim, sempre verdadeiro, gentil, perdoador e abnegado. Nosso grande Deus graciosamente faz todas as coisas para o bem dos Seus eleitos e a glória do Seu nome.

O apedrejamento de Estevão, embora fosse um ato terrível de crueldade e bárbaro, foi regido pela soberania de Deus. Deus estava no controle total da situação.  Se Saulo não estivesse lá, Estevão não teria orado por ele. Se Estevão não tivesse orado, Saulo não seria salvo. Mesmo o mal realizado por homens e demônios é bom para os eleitos de Deus, e deve trazer louvor ao Seu nome (Sl 76:10;Pv 12:21;16:7;Rm 8:28;1 Pe 3:12-13).

Em Sua soberania Deus cuida dos Seus servos até na hora da morte. Aqueles que morrem nos braços de Cristo, que morrem com fé, morrem bem. O que Deus fez por Estêvão, Ele fará essencialmente por todos os que confiam em Cristo. Estêvão morreu, estando cheio do Espírito Santo, com o coração fixo em Cristo, olhando para o céu firmemente.

Ele morreu confiando em seu suplente soberano, invocando o nome de Deus. Ele viu o céu aberto! Ele viu a glória de Deus! Ele viu o Senhor Jesus em pé no lugar de poder para recebê-lo! Ele morreu sem qualquer maldade em seu coração! Realmente, ele não morreu, ele entrou no descanso eterno dos santos (Jo 11:25-26). Ele simplesmente entrou na morte. Ele adormeceu nos braços de Cristo e acordara em glória, por meio da ressurreição! Que o Bendito Salvador, nos dê graça para viver e morrer!

Soli Deo Gloria

Fábio Falcão

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