O Porquê das Escrituras

Outrora, quando Deus caminhava e conversava com o homem, era ausente a necessidade de um mediador, ou da revelação da natureza Divina, visto que Criador e criatura eram íntimos e se conheciam. Após o pecado original, a comunhão entre Deus e o homem foi desfeita, surgindo aí a ânsia de manter este elo firmado por e em algo.

Deus, então, revela-se de duas maneiras ao homem. A primeira, conhecida como revelação comum, está presente no canto dos pássaros, nas árvores que dançam sob o vento, nos cães que perseguem os gatos, na respiração de cada ser vivo presente no planeta. A natureza clama e vive para glória de Deus (Rm 1.20). Já a segunda, a revelação especial, é aquela que Deus dá à sua Igreja, ou seja, Cristo, o Verbo Vivo (Jo 1.1). Conhecer a Deus de forma especial significa ter uma vida de relacionamento diário com o Senhor. E é precisamente nas Sagradas Escrituras que conheceremos ao Criador.

Neste estudo, então, cabe a apresentação de alguns versículos e textos que nos comprovam o porquê nós, a Igreja do Senhor, devemos estudar a Bíblia.

1 Pe 3.15 –  Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós, (…). Precisamos estar prontos para defender nossa fé, utilizando de argumentos e expressões inspiradas pelo Espírito, e descobertas na Palavra da Verdade. O estudo da Bíblia nos capacita a batalharmos pela nossa fé com mansidão e temor, ou seja, dando um bom testemunho do que falamos, exemplificando em nossa própria vida o que por nós é pregado.

2 Tm 2.15 – Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (…). Paulo escreve a Timóteo algumas considerações essenciais à vida de um bom cristão em apenas um versículo. O estudo e aplicação diária da Palavra em nossas vidas nos fazem aprovados perante os olhos do Senhor. Ainda, um cristão (“obreiro”) que sabe manejar bem sua Bíblia, que a conhece, não tem do que se envergonhar.

Is 34.16 – Buscai no livro do Senhor, e lede; nenhuma destas coisas faltará, ninguém faltará com a sua companheira; porque a minha boca tem ordenado, e o seu espírito mesmo as tem ajuntado. Talvez o versículo mais complicado dos que serão citados. Ainda assim, o início deste texto deixa bem clara a ordenança do Senhor quanto às suas Escrituras. “Lede”, do verbo ler, encontra-se no modo verbal “imperativo”, significando uma ordenança.  Ademais, dado o contexto, implica que a leitura da Palavra de Deus nos dá a certeza de suas promessas, e do cumprimento destas.

Sl 119.130 – A explicação das tuas palavras ilumina e dá discernimento aos inexperientes (NVI). A Palavra de Deus é o nosso guia nesta terra. O salmista escreve no verso 105 do salmo citado, que a Palavra de Deus é lâmpada para os pés e luz para o caminho (Sl 119.105). Com a correta observância das Sagradas Escrituras, teremos nosso entendimento iluminado pelo Espírito Santo, que dissipará toda sorte de trevas e escuridão de nossos corações, bem como iremos adquirir discernimento para caminharmos nesta terra de maneira que agrade ao Todo Poderoso.

Se, então, os versículos apresentados acima não servem para responder à pergunta em questão, me valho de mais alguns argumentos, que seguem.

Ela é o nosso manual – Salomão escreve que não há nada novo sob o Sol (Ec 1.9), e que tudo que um dia foi, voltará a ser (Vs. 10). Com isto, a Bíblia é o manual do Cristão que não deseja ser acometido de surpresa pelas aflições futuras. Observando a Palavra de Deus, tal como fez Daniel (Dn 9), veremos que o Senhor já nos deixou a história revelada, e que podemos nos preparar, como Paulo aconselha à igreja de Éfeso, para o dia mal (Ef 6.13).

Ela alimenta a nossa alma – Claude Bernard, renomado médico francês, afirma que os alimentos “São substâncias necessárias à manutenção dos processos do organismo e reparação de partes, que se faz constantemente”. Um corpo sem os devidos nutrientes definha, padece. A carne é acometida por fraqueza, e quando o desespero da fome bate, qualquer coisa parece servir de alimento. Assim como o nosso corpo precisa de nutrientes para obter energia, se “reconstruir”, e manter-se firme, o nosso espírito precisa da Palavra de Deus. Jesus diz ao inimigo que o homem não vive só de pão (Mt 4.4), Jeremias afirma que seu coração se alegra quando ele come a Palavra de Deus (Jr 15.16). O estudo das escrituras é tão importante que Pedro compara-a ao leite materno, que é o mantenedor de proteção e crescimento ao recém nascido (1Pe 2.2). Quando não nos alimentamos bem o suficiente, e principalmente no âmbito espiritual, nosso espírito enfraquece. Nossa comunhão com Deus enfraquece. Começamos a definhar, a não resisir às afrontas e ciladas do adversário. O tempo de oração é reduzido, a atenção que era para a Palavra de Deus é roubada, os cultos perdem a graça, a presença de Deus vai embora, e as tentações tornam-se cada vez mais fortes. Se não fosse pouco, qualquer coisa ainda nos serve de alimento. Começamos a fazer parte daqueles “crentes” que Paulo cita a Timóteo (2Tm 4.3-4). O evangelho da prosperidade vira algo normal e aceitável. O “não faz mal” deixa de ser um problema. O céu parece ser o único fim de todas as almas, e o inferno parece ser somente um conto de fadas.

Ela é o instrumento que o Espírito Santo usa – É certo que Deus opera como, onde e quando quer. Usa os mais diversos meios, desde animais (Nm 22.21-31) a sonhos e visões. Quando, porém, deseja comunicar-se de maneira mais clara e eficaz – já que alguns podem não compreender, ou até mesmo ignorar outros avisos, como Nabucodonosor (Dn 2.1-3) – envia seus servos à peleja, para anunciarem sua Santa Palavra.  O enviado, contudo, não pode apresentar-se despreparado. Em 2Sm 18.19-32 nos é apresentada a história da morte de Absalão, filho rebelde de Davi. Joabe, responsável pelo ato, envia um cuxita para dar as novas ao rei. Aimaás, corredor “oficial” do reinado, irado, insiste algumas vezes para levar a mensagem. Joabe então permite, e o corredor inicia a sua jornada. No meio do caminho, encontra e ultrapassa ao cuxita, chegando ao palácio antes deste. Ainda que tenha sido o primeiro a chegar, o filho de Zadoque não portava mensagem alguma. Para não sermos como ele, devemos estar com a Palavra de Deus em nossos corações e mentes. Temos de pregar a Palavra (2Tm 4.2), mas não despreparados, sem saber ao certo o que falar. Para que o Espírito opere através e em nós, precisamos meditar na Lei do Senhor (Sl 1.2; Js 1.8). Que ela trabalhe em nossos corações, da forma que o Todo Poderoso desejar, visto que é capaz de assim o fazer (2Tm 3.16).

E tem mais. Não conseguiremos pregar a Palavra, ou até mesmo encontrarmos socorro no dia da angústia através dela se não a conhecermos anteriormente. O Espírito Santo nos lembra das promessas e profecias bíblicas quando já sabemos de sua existência. É isso que o Senhor Jesus nos revela em Jo 14.26, “mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. Ainda que o Espírito nos ensine, Ele usa a Palavra de Deus como base para cada lição.

Ela enriquece espiritualmente a vida do salvo – O salmista afirma que a Lei do Senhor é melhor que o ouro e a prata (Sl 119.72). Infelizmente, muitos “crentes” da atualidade trocam a ordem das palavras, acreditando que as riquezas materiais sobrepõe as espirituais. Trocam, adulteram, banalizam e envergonham a Palavra de Deus. Esquecem que o Senhor é o dono do ouro e da prata (Ag 2.8), e que a terra serve como escabelo para seus pés (Is 66.1). A Palavra do Senhor não pode nos ser revelada através de tão somente conhecimento humano (Ef 1.17), ou recursos humanamente cabíveis (At 8.9-21), mas sim pela revelação do Espírito de Deus (1Co 2.10).

 Daniel Kinchescki

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