O Outro Lado da Cortina Pastoral
Uma análise sem rodeios sobre o que realmente acontece nos “bastidores do púlpito”.
Hoje vou deixar o peso de ficar escolhendo o que escrever para não “pagar mico”…ah, cansei…vou deixar os “entretantos”, “todavias” e “poréns” de lado e vamos direto ao ponto!
Vou “mandar na lata” e não estou nada preocupado com a opinião de cada um, embora possa ser legitima e respeito isto. Na melhor das hipóteses você aceita ou na pior você deleta.
Sou pastor faz 32 anos, também sou filho de um pastor jubilado e apesar de muitas vitórias, alegrias e a felicidades vividas no chamado, já passei muito  sofrimento no ministério, porém, nunca pensei em me suicidar, nem mesmo em depressão entrei, de alguma forma reuní forças para atravessar algumas crises.
 No entanto, uma coisa soa triste em meu coração, é que durante 33 anos de pastorado apenas 3 ovelhas vieram e colocaram a mão no meu ombro e disseram “Pastor vou orar por voce”.
Claro que há anônimos que oraram por mim longe de minha pessoa ou presença…pois tenho intercessores.
Todavia, as pessoas normalmente lembram de seus pastores para descarregarem seus problemas, muitos deles por desobedecerem a Palavra e os ensinos pastorais…
…na verdade, muitas vezes me senti uma lata de lixo.
As pessoas se dão bem na vida, riem e comemoram, fazem o que bem “dá na telha” , nem sempre a gente fica sabendo “das bençãos”, neste caso o facebook é bem útil, mas se alguma coisa der  ERRADO,  aí sim, vão procurar o pastor.
A frase mais traumática que ainda não suporto ouvir é a famosa: “pastor, preciso falar com voce”…essa me arrepia a alma.
Essa maldita frase (desculpem)  ouvi centenas de vezes porque sempre tem “abacaxi pra descascar”.
Entretanto, a outra frase “pastor quero te agradecer”, ouvi poucas vezes na jornada.
E não vem com essa de “romantismo evangeliquês” que “a recompensa não é aqui, aleluias…”
Eu sei que vai ser na eternidade, mas, veja bem,  quanto custa um sorriso ou um simples “Valeu pastor”?
Então está na hora das pessoas ouvirem as “instruçôes pastorais” e para resolver suas trapalhadas na vida, procurarem psicólogos, advogados, policia, delegados, terapeutas, banco, médicos, parteiras, mecânicos; bombeiros, etc…e deixar os pastores serem pastores… deixar pastor pastorear, orar, ensinar, visitar os enfermos, batizar, discipular e trazer uma palavra para fortalecer a fé…
…essa é a ideia meu Deus!!!!
Meu pai esta doente, muito enfermo por ter adquirido uma enfermidade nos riachos infectados de alguns rios do nordeste fazendo missão…eu nâo culpo a ninguém…mas as pessoas que “sugam” pastores não conhecem este outro lado da cortina…
 Veja…este ano mais pastores que se mataram…só 4 chegaram na midia…e amanhã?
O número de colegas deixando o ministério tem aumentado expressivamente quandona ibra tanto necessita.
Sinceramente?
Estou com vontade de lancar uma campanha nacional com hashtag:  #deixemospastoresseremapenaspastorear
Cresci em um lar pastoral e muitas vezes acordei com meu pai soluçando madrugada a dentro por causa dos problemas de gente mal resolvida, arrogante, pedante  e “folgada” que depois de aprontar aos montes,  despejavam o saco de lixo em cima do pastor.
Hoje vejo estamos no limite…veja o que está acontecendo…Lamentavel mesmo…todos sofrem e muito.
Sem contar pessoas que nos chegaram arrasadas, destruidas, machucadas e a gente dá a mão, o pé, o ombro, a casa, a comida  a roupa, a dignidade e depois nos deixaram num piscar de olhos  no sórdido silêncio da ingratidão…e por ai vai a lista é interminavel.
Quantas vezes “temos que pregar” com dor de cabeça, com febre, cansado e ainda  fazer mil coisas corretas mas se errar em uma só…ja era…
Me perdoem, mas outro dia “aloprei”. Um sr me ligou dizendo que eu precisava disciplinar um irmão porque tinha comprado um carro e não tinha pago. Então perguntei quando, onde e como foi feito o negócio. O sr me respondeu que tinha sido numa churrascaria que conversaram e fizetam negócio. Diante disto respondi:
“Olha só, pra comer o churrasco vocês não me convidaram e só lembraram de mim na hora que deu errado.. .Faz o seguinte, “se vira”, eu não sou a financeira e nem o delegado, ok? Mas se quiser um discipulado para melhorar o caráter pode me procurar…tenha um bom dia”.
Que alívio!!!
A calúnia de alguns, o abuso de interesseiros,  a traição de alguns obreiros, a inveja de colegas e a pressão por resultados pela liderança da denominaçao, oprime, esmaga e leva colegas ao trauma e às decisões difíceis como as que estamos vivendo.
Não que seja o motivo central,  porém parte destas tragédias pastorais, reside no fato de que se confessarmos nossas dificuldades com as ovelhas caimos no conceito e descrédito, se procuramos o SD (nem todos fazem isso, não quero generalizar, entretanto alguns agem assim com disciplina tão rígida que escapam pelos dedos o amor) ele tem que “cumprir o manual” e ao invés de tratar uma situação primária, em off, cria um comissão de sindicância, leva ao Bispo, trata com o presbitério local, nos expõe…e ai, o que fazemos?
É claro, cada caso tem uma performance.
Há situações que foram vazadas em público e portanto evocam uma resposta pública, entendo esta ética perfeitamente.
Não estou vitimando “os coitadinhos” pastores, apenas mostrando que a agenda de uma igreja mórbida e “consumista” “empurra” pastores para fazer o que nunca foram chamados para fazer e dai as frustrações abatem quem está fazendo o que não suposto que fizesse.
Como já disse, você pode discordar da minha fala, mas vai ter que ser filho/a de um pastor de 51 anos de ministério e ter praticado mais 32 anos de pastoreio para início de conversa.
Hoje em dia muitos são excelentes para produzir textos, porém só sabe do doce da goiaba quem experimentou a fruta.
Você tem ideia o que passa um pastor quando prega um assunto relevante e ninguém comenta?
Então vem “um pregador de fora” e prega A MESMA COISA, e aí você ouve nas “rodinhas de gente” falar: “tá vendo? Isto tem que ser pregado aqui…”
E ai? Dorme com este barulho.
É uma honra ser pastor, uma alegria, um vírus abençoado que a gente pega.
No entanto, hodiernamente o pastor virou “bom bril” (você sabeco porquê, né?) e vou repetir …é como se sentir “uma lata de lixo”.
Seria maravilhoso se pastor pudesse ser pastor mesmo.
Embora destaco aqui que, talvez estas situações seja o comportamento da maioria, porém há aquelas ovelhas leais que não te perseguem, que entendem que você é humano e não um android, que te ajudam, oram por você, te entendem e te ocupa apenas para discipulá-las, ensiná-las, orientá-las na Palavra, na oração e na comunhâo.
Sim, graças a Deus temos pessoas assim em nosso rebanho e é exatamente isto que alimenta nossa esperança.
É como ressalta a Pra Rosinea:
“Este é o nosso desabafo,  estas mortes estão nos trazendo  para uma boa reflexão. Às vezes  esquecemos que somos  pastores, e nos tornamos   “marido” da igreja esquecendo  que a igreja  tem um noivo”.
Quando me lembro do Elvis Presley, até estive em sua casa em Memphis, Tenesse, me recordo de um dos seus fans dizer:
 “Elvis teve três assassinos, o povo que cobrava sua boa performance esquecendo que era humano, a crítica que pedia um “Rei” perfeito e os infames produtores que pressionava-o para produzir.
Estes fizeram Elvis ingerir drogas para dormir e para manter-se “aceso”…”
Esta cultura do “super pastor”, “mega púlpito” e a pressão de “ter que crescer” para “fazer bonito” no concílio tem que acabar gente.
Quando eu ouço alguém dizer:  “fulano tá “bombando”, tinha 100 membros e hoje tá chegando à 4 mil em dois anos”…me preocupa quantos reais discípulos existem nesta estatística?
Estamos vivendo a “síndrome pastoral Elvis Presley”.
Talvez por isso Paulo tinha uma preocupação com seu jovem pastor Timoteo:  “…Tu, no entanto, sê equilibrado em tudo, suporta os sofrimentos, faze a obra de um evangelista e cumpre teu ministério”.  (II Tim 4:5)
Deus abençoe a todos, Amém!
Elizeu M. Gomes
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