O Jovem Profeta

“Foi, pois, o moço, o jovem profeta, a Ramote-Gileade” 2 Rs 9.4

 

Este texto é fruto de um sermão antigo, que há alguns anos tive a oportunidade de apresentar à igreja em um culto de jovens. Pela Graça, então, transformo-o, hoje, em um artigo. Nos é narrado, dos versículos 1 à 13 de 2Rs 9, o momento em que Jeú é consagrado rei em Israel. Vemos, então, no início desta narrativa, que levanta-se Eliseu e dá ordem a um de seus moços, jovem discípulo, para que cumpra com esta tão assombrosa missão: de ungir um novo rei para a nação.

A Bíblia não nos dá detalhes ou características sobre este rapaz e sua história. Não sabemos seu nome, de quem era filho, se possuía família ou se tinha sonhos e pretensões. Aqui, então, encontramos a primeira lição sobre a vida deste rapaz: o que importa é a vontade do Senhor, e não quem somos. Nossa função é a de servir a Deus, rendendo-lhe toda glória e louvor.

Há algum tempo, eu debatia com um amigo sobre a questão de “direitos autorais” no tocante a textos, artigos e diversos outros tipos de trabalhos apresentados à internet. Desta conversa aprendi uma lição valiosa: somos proprietários apenas do mal que praticamos, pois o bem, e tudo quanto temos, pertencem ao Senhor.

Ainda sobre este tópico, vale à pena mencionar as palavras de João, quando afirma que “é necessário que Ele cresça, e eu diminua” (Jo 3.30), e as do Mestre Jesus, quando nos ensina que ao praticarmos as boas obras, devemos mantê-las em oculto, para que apenas nosso Pai celeste as conheça (Mt 6). Como disse Paulo aos de Roma

“Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Rm 11.36)

Dito isto, desejo fazer algumas considerações sobre o pouco que se extrai deste “jovem profeta”. Se não conhecemos sua história, ao lermos a passagem em questão, presente no segundo livro de Reis, conheceremos um pouco mais de seu caráter e personalidade.

Em primeiro lugar, era um moço solícito, obediente. No versículo transcrito no início deste texto, observamos que logo após receber a ordenança, o rapaz foi e fez como lhe fora comandado. Ele poderia dizer “não”. Poderia recusar-se à missão dada. Porém, foi.

Em segundo ponto, então, vem algo que me traz uma parcela a mais de temor ao coração. Para isto, precisamos entender o contexto de Ramote-Gileade e do que o rapaz iria fazer lá. Eliseu ordena ao garoto, “vá à cidade de unja um novo rei”. Israel, à época, vivia um sistema monárquico. Nesta forma de governo, levantar-se contra o rei era sinal de traição. Não existiam “partidos de oposição”, pois a oposição era vista como traição, e a traição era normalmente punida com a morte. Qualquer um que parasse o rapaz e lhe perguntasse o que fazia, se obtivesse uma resposta sincera, encontraria um grande “perigo” ao trono de Israel. Além disto, desta responsabilidade enorme que carregava nos ombros, o jovem dirigia-se à Ramote-Gileade, uma “cidade refúgio”. Nos termos de Ex 21.12-13, os moradores destas cidades eram homicidas culposos, ou seja, aqueles que cometeram um assassinato, mas sem a verdadeira intenção de realizar tal crime. Em outras palavras, então, o jovem profeta tinha a missão de ir a uma cidade de homicidas e lá, ungir um novo rei para a nação.

Sobre o jovem, então, um terceiro ponto que desejo destacar é a sua coragem. Como dito anteriormente, ele estava ungindo um novo rei. Não apenas isto, mas também decretando a morte de todos os homens da casa de Acabe (2Rs 9.8-9), pondo fim a uma família que alegremente corrompeu os costumes de Israel, rompendo os laços do povo com o Senhor.

Este jovem profeta, querido leitor, estava denunciando o pecado no meio da liderança de sua nação.

Um quarto detalhe desta história, que me salta aos olhos de forma clara, é que este jovem profeta enfrentou oposição ao que pretendia fazer. Após entregar a mensagem do Senhor a Jeú e ungi-lo rei, o rapaz foge, como lhe fora ordenado. Neste meio tempo os demais capitães, ao verem seu conservo indo-lhes ao encontro, perguntaram: “Por que veio a ti aquele louco?”. Mesmo tendo feito a vontade do Senhor, e acredito que exatamente por isso, o rapaz foi desacreditado.

Com a história deste rapaz, o jovem profeta, creio que podemos tirar algumas lições muito importantes, a saber:

Primeiro, que devemos obediência a Deus, acima de tudo. Temer ao Senhor é um princípio básico da fé cristã, e nas palavras de Salomão, é o “dever de todo homem” (Ec 12.13). Precisamos cumprir com a vontade do Senhor, realizando tudo quanto Ele nos ordenar. Cristo disse que ama a Deus quem faz o que por Ele é ordenado (Jo 14.21-23). Ainda, como no passado falou o profeta Samuel, “obedecer é melhor que sacrificar” (1Sm 15.22).

Em seguida, creio que vale à pena citar que, à semelhança deste rapaz, também temos uma grande e perigosa missão:

“Ide por todo todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).

Temos a missão, que por Deus a nós foi dada, de pregar o Evangelho, o “poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16). Precisamos denunciar o pecado, anunciar a Verdade, viver o amor e pregar a Salvação. Ao contrário do jovem, que ia à cidade refúgio para cumprir com seu objetivo, hoje devemos fazê-lo neste mundo sombrio e tenebroso que vivemos, onde os homicidas estão ao nosso redor, vivendo entre nós. Que tenhamos ousadia, graça da parte de Deus, e coragem para apregoarmos as verdades que a nós foram dadas pelas Sagradas Escrituras. Como disse Paulo a seu filho na fé, Timóteo, “Deus não nos deu espírito de temor,  mas de fortaleza, e de amor, e de moderação” (2Tm 1.7).

Por fim, que não venhamos a desfalecer na fé. Ainda que desacreditados, ainda que atônitos pelo estado caótico em que a igreja brasileira se encontra, ainda que pasmos por ver como “apóstolos” e “profetas” da atualidade adulteram a Palavra, precisamos ser “firmes e constantes, sempre abundantes da obra do Senhor” (1Co 15.58).

Pois, querido leitor, nosso “trabalho não é vão no Senhor”.

Sob a Graça,

Daniel Rodrigues Kinchescki

  1. 22 de novembro de 2016

    Sim Deus e fiel devemos faze a vomtade dale sei termo

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