O Essencial e o Acidental

Existem dois conceitos muito interessantes na filosofia que são o da realidade acidental, que são realidades que podemos viver perfeitamente sem, coisas que podemos ter ou não (um emprego ou um curso da faculdade, por exemplo) e o da realidade essencial, que são realidades que reforçam e desenvolvem a nossa identidade, ou seja, são realidades fundamentais na nossa caminhada.

Quando vemos uma semente, por exemplo, ela tem dentro dela todas as possibilidades daquele tipo de árvore, mas pode cair em um terreno acidentado que não irá favorecer o seu crescimento. Contudo, se essa semente for plantada no lugar certo, ela poderá captar tudo aquilo que é necessário para o seu desenvolvimento e tornar-se a árvore potencialmente perfeita que ela poderia ser.

Certa vez o filósofo também disse: “Ainda não sou o homem que Deus deseja que eu seja, mas também já não sou mais o homem que eu era ontem.” Deus é imutável e concreto, mas o ser humano é relativo e transitório, está sempre em transição de uma realidade para outra.

Paulo fala em 1 Coríntios 13 sobre a transição do falar e do agir de um menino para um homem, demonstrando a naturalidade que isso representa em nossa vida e como é importante que façamos essa transição. Não somos o que deveríamos ser muitas vezes porque estamos nos prendendo e gastando todo o nosso tempo com nossos vícios, nossos desejos e nossas vontades. Assim, o que é essencial em nós não vem à tona, pois estamos perdidos com o que é acidental.

Triste é para o homem quando ele percebe que está desperdiçando seu tempo com o que não reforça a sua essência. E a essência do homem é seu pleno relacionamento com Deus e com o próximo, o qual Jesus resume toda a Lei.

Respondeu Jesus: ” ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Mateus 22:37-40

O fardo pesado da nossa sociedade atual e suas complexidades afasta o homem de sua essência, desviando sua atenção a tudo o que ela exige e demanda ser importante, logo, vemos a falência de instituições que deveriam fazer algo pelo próximo, mas vivem perdidas em suas próprias rotinas e burocracias, como a maioria das igrejas por exemplo.

A sabedoria e maturidade nos farão usarmos todos os recursos disponíveis para favorecermos o que desenvolve nossa identidade. Pode ser ler um livro, ouvir uma música, fazer uma viagem, ressaltando ainda que isso não tem a ver necessariamente com coisas e/ou atividades religiosas, mas tudo aquilo que muitas vezes imprime o caráter de Deus na sua diversidade e amplitude de formas.

Contudo, nada irá ser mais proveitoso para o desenvolvimento de nossa identidade essencial do que desenvolvermos relacionamentos saudáveis, e o primeiro deles é com o Pai. Muitas pessoas tem grandes dificuldades nesses relacionamentos devido ao relacionamento que tinham com seu pai biológico ou alguém por quem foram criadas. Entender quem é o Deus Pai é fundamental para desenvolvermos nossa própria identidade e descobrirmos o que é essencial para nós. O Pai deve ser sempre a referência do filho, em quem ele se espelha, seu herói, a quem ele se dedica e a quem ele obedece com amor, assim como Jesus fez.

Disse Jesus: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra. João 4:34

Já o relacionamento com os irmãos, representa outros aspectos que são essenciais em nós, como a generosidade, o perdão, a comunhão, a paciência e todos os demais frutos do Espírito descritos por Paulo (Gl 5:22-23). Todos esses frutos foram dados a nós para que o amor do Pai se manifeste aos homens, para que nossa realidade essencial, que é a de ser como o Pai, seja revelada aos homens.

Nesse processo, podemos ver como as amizades são fundamentais. Sejam de sangue ou não, amigos são muitas vezes pessoas que participam desse processo de descoberta e conhecimento de nossa essência e vão a partir daí agindo como facilitadores, sendo esse o real discipulado que relata a Bíblia, uma relação de comprometimento mútuo, onde não importa prendermos pessoas para nós, mas as ajudarmos a encontrarem seus caminhos no Reino as servindo e as orientando, assim como Jesus fez, com bacias e toalhas.

A grande maravilha de Deus em nossas vidas é iluminar a nossa mente e nossa consciência, para que possamos entender essas realidades e trilharmos nosso caminho com autenticidade e alegria.

Aos que estão trilhando o caminho errado, Jesus convida ao arrependimento, que é a expansão da consciência, onde por esse entendimento buscaremos vivermos de acordo com a vontade do Pai e sermos aquilo que nossos irmãos precisam.

Rafael Câmara Alves

Write a comment:

*

Your email address will not be published.

© 2016 Evangelho Inegociável | porAgente Host.
Topo
Siga-nos:             
error: Content is protected !!