romanos

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. (Romanos 12:1-2)

Versículo 1

  • “Rogo-vos (…)”: Rogar, sinônimo de Porém, com um leve detalhe: pelo dicionário, significa “pedir insistentemente, com uma postura humilde”, tal qual um servo pede ao seu senhor.
  • “(…) ,pois, irmãos, (…)”: Paulo “abre mão” momentaneamente de seu título como apóstolo e se coloca na mesma posição que os demais fiéis da igreja de Concordando com a primeira palavra deste capítulo, o apóstolo humilha-se perante os santos receptores da carta para que aceitem o que lhes é falado.
  • “(…) pela compaixão de Deus, (…)”: O autor da carta leva sua súplica a um nível ainda mais profundo. Se, antes, como um conservo dos fiéis romanos, Paulo lhes pedia, agora, nas mesmas condições, ele lhes implora, conjurando o amor, a compaixão de Deus. Nos dias atuais, seria como se Paulo expressasse-se dizendo “Pelo amor de Deus, meus amados irmãos”. Isso nos faz lembrar de um princípio cristão muitas vezes esquecido, a humildade.
  • “(…) que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (…)”: Apresentar é exibir, colocar à mostra, colocar à disposição. Quando Paulo escreve isto, quer dizer que devemos colocar os nossos corpos à disposição como sacrifício a Deus. Devemos gastar todo o nosso ser, não apenas parte dele, na obra do Mestre, e seguindo a vontade Soberana do Senhor. Em concordância com isto, o apóstolo escreve aos Coríntios, em sua primeira carta e no capítulo 6, dizendo: Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo [ou santuário] do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus (1Co 6:19-20). O contexto destes versículos mencionados é parecido à ideia presente no capítulo 12 de Romanos. Em ambos, ainda que no presente e estudado o apóstolo o faça de maneira diferente, é tratado acerca da imoralidade sexual. Entretanto, nossos corpos devem servir de sacrifício ao Senhor em, no mínimo, três maneiras distintas.
    Uma já foi citada, que é a santidade. Em Hebreus, o autor da epístola nos afirma que sem a santificação, ninguém verá a Deus (Hb 12:14). Santidade não se restringe apenas a atos sexuais ilícitos, mas a uma total separação do pecado. Por isso que a santidade não é instantânea, mas sim um processo que perdurará no crente remido até sua morte, ou a gloriosa vinda de Jesus Cristo, o Cordeiro que foi morto, mas ressuscitou.
    Cabe, então, tratar sobre o “sacrifício vivo”. Quando nos prostramos aos pés do Senhor para adorá-lo, devemos ter a certeza de entregar algo cheio de energia, com vigor, animado e expressivo. Paulo trata ainda da literalidade deste termo, visto que a cultura greco-romana valorizava a oferenda de animais e, em piores casos, de seres humanos como sacrifícios a seus deuses. O apóstolo contrapõe isto e afirma que o verdadeiro sacrifício cristão não é aquele onde se retira a vida de algo ou alguém para agradar a Deus, mas sim quando esta vida, este fôlego, é utilizada no servir ao Senhor.
    Por fim, ainda tratando sobre o sacrifício que devemos apresentar a Deus, chegamos à necessidade de agradar ao Senhor com o que por nós é ofertado. Existe uma “vertente teológica” nova afirmando que podemos adorar a Deus como nós queremos. Afirma que não há problemas em usar das artimanhas do mundo para atrair os ímpios, e não apenas isto, mas para ser “úteis” a Deus. Este ramo de ensino deturpado, depravado e adúltero prega uma salvação conquistada através meios errôneos e enganosos. Apenas a Verdade pode salvar. Apenas Ela é capaz de libertar e limpar um pecador de todos os seus delitos e pecados. E se esta Verdade é apresentada de forma enganosa, com acréscimos ou decréscimos da moral humana, ela não será mais tão capaz quanto antes.
  • “(…) que é o vosso culto racional (…)”: Paulo afirma que, ao apresentarmos a Deus os nossos corpos nos termos já postos aqui, conseguiremos, então, cultuar a Deus de forma que Lhe agrade. Existem algumas passagens nas Escrituras onde somos advertidos a buscar a Deus de forma consciente, entendendo o que é que fazemos (Gn 2.9; 2Cr 1.10, 11; 2Cr 30.22; Nm 10.28-39; Pv 1.4, 5, 7, 22, 29; Pv 2.2-6; 2Pe 3.18). Devemos saber o que fazemos, e não seguir toda sorte de doutrina que nos é apresentada. Somos todos ovelhas do rebanho de Cristo, e não um conjunto de máquinas de alguma empresa qualquer. Devemos tomar cuidado, pois nossos púlpitos estão sendo transformados em palcos, e a igreja, em plateia. Nossos “pregadores” estão cada vez mais comprometidos com seus bolsos do que com as verdades pertinentes à Palavra. Muitas das vezes, infelizmente, temos momentos de histeria e intenso mover emocional em cultos (como, por exemplo, o uso de fundos musicais), mas pouquíssima pregação e exposição das Escrituras. Os dons e a manifestação espiritual do poder de Deus são consequência da atuação de seu Santo Espírito, e da pregação da Palavra. A Palavra de Deus que é a espada do Espírito (Ef 6.17), não a língua estranha ou o milagre. Os dons, os resultados, as curas e as maravilhas não são o foco do evangelho, e não devem ser o do verdadeiro cristão.

Versículo 2

  • “E não sede conformados com este mundo (…)”: Paulo determina que a igreja de Roma não entrasse nos conformes do mundo, ou seja, que não viesse a se assemelhar ao que estava em seu redor. Nós fomos chamados para sermos diferentes, agirmos diferente. Essa diferença deve ser refletia em nosso jeito de ser, vestir, falar, andar. No que fazemos, como fazemos, com quem fazemos. Quais palavras utilizamos e em quais momentos elas são utilizadas. É através de seu diferencial, que é o agir do Espírito Santo de Deus, que a Igreja do Cordeiro irá brilhar neste mundo sombrio e tenebroso. O mais interessante é que o Senhor nos capacita para obtermos essa tão esperada e almejada diferença. Em Gálatas, capítulo 5, o mesmo apóstolo nos descreve um fruto que pelo Espírito de Deus nos é dado, o qual é: “amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. No versículo seguinte, Paulo afirma: contra estas coisas não há lei! (Gl 5.22-23).
  • “(…), mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento (…)”: Transformar é dar nova forma, mudar. Renovar, por sua vez, é substituir algo por outro melhor, é fazer algo novo e melhor. Paulo diz que devemos ser feitos novamente através da renovação, ou seja, da melhora de nossa forma de pensar. Devemos sempre colocar os nossos pensamentos sob o prumo da Palavra de Deus, pois só assim conseguiremos seguir avançando firmemente para o alvo, a saber, Cristo. O autor de Hebreus, em sua epístola, nos exorta a “deixar de lado os ensinos elementares acerca de Cristo”, e “prosseguirmos até à maturidade” (Hb 6.1).
  • “(…) E não sede conformados… Mas sede transformados (…)”: Na versão Almeida Fiel e Atualizada/Ampliada, a expressão paulina para este versículo nos faz entender que o conformismo e a transformação vêm por agentes externos que não o homem interior. Tal qual a Salvação, que vem do Senhor (Jn 2.9, Ef 2.1-10), assim também é a Santificação (Jo 17.17). Existe, dentro do homem regenerado pelo sangue de Cristo, uma guerra travada a todo momento. Em Gálatas (Gl 5.17), o mesmo apóstolo Paulo nos narra que a carne e o Espírito militam incansavelmente. Existe uma guerra em nosso interior, e o nosso “nível” de dedicação a Deus é crucial para definir quem vencerá esta ferrenha batalha. Há um ditado popular que prega a existência de dois lobos dentro do ser humano, que brigam e se digladiam em todo o tempo. O vencedor, entretanto, é o que for mais bem alimentado.
  • “(…) para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”: Fazendo tudo isso, conseguiremos entender o que o Senhor nos tem planejado. Apresentando os nossos corpos a Deus da maneira correta, e renovando-nos com as Santas Escrituras, conseguiremos nos aproximar do Todo Poderoso e experimentar (verificar as qualidades, colocar à prova, sentir) a “boa (útil, saudável, confiável, piedosa), agradável (satisfaz, que traz deleite, prazer) e perfeita (total, absoluta, acabada, sem falhas, capaz, exata) vontade de Deus”. É a vontade do Senhor! DELE!

Daniel Kinchescki

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