Nossa Vida Como Resposta Ao Sofrimento

O sofrimento é parte constante da vida do homem. Nossa sociedade atual é marcada e expressa em lama e sangue. Guerras, fome, violência urbana e doméstica, doenças, drogas, preconceitos, indiferença, traições, pobreza, prostituição infantil, trabalho escravo. Quem nunca se pegou em certa angústia e tristeza ao assistir um telejornal ou ler um jornal?

O chão do sofrimento, da angústia e da morte nivela a todos que são participantes do meio em que vivemos. Somos diversos em termos étnicos, culturais, religiosos, ideológicos, políticos, além de sermos diferentes nos níveis sociais e econômicos. Mas no sofrimento somos um, todos os seres humanos sofrem.

A vida reserva também coisas boas e belas, como um casamento, o nascimento de uma criança, uma amizade fraterna… O sofrimento tem que ser combatido e controlado, para que não se espalhe e tome conta de tudo ao nosso redor. Assim como a água que precisa ser delimitada para não ocupar todos os lugares, assim também o avanço do mal e do sofrimento devem ser delimitados em nossas vidas.

Como filhos de Deus devemos dar respostas ao sofrimento, mas que respostas será que temos dado?

De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. 2 Coríntios 4:8-9

Paulo afirma também a vivência do ser humano em meio ao sofrimento, e de seus textos podemos aprender as respostas que NÃO devemos dar ao sofrimento.

A primeira delas é a explicação, pois tentar explicar ou debater o sofrimento ou questionar sua justiça não vai resolver o problema do sofrimento humano, pois NADA justifica a morte e o sofrimento de um ser humano, nenhum argumento se valida, nem mesmo o da justiça. Jesus é claro quando ensina aos seus discípulos sobre o “olho por olho”, ensinando que no Reino de Deus devemos amar nossos inimigos e orarmos pelos que nos perseguem. A Cruz de Jesus é o testemunho dos céus que a Graça de Deus é abundantemente superior à justiça dos homens, mostrando que no Reino de Deus o amor triunfa sobre o juízo e o Deus da justiça verdadeira abre mão de exercê-la para assumir todo o dano. As explicações teológicas servem apenas para quem não está sofrendo, pois quem está precisa mesmo é de um abraço, de lágrimas, de compaixão, de colo e de generosidade. A segunda resposta errada que podemos dar é procurar culpados, pois definir culpados é atribuir que alguém por suas ações precisa ser denunciado, indiciado, julgado, condenado e punido. Esse hábito vira um ciclo vicioso, pois o ser humano tem uma grande tendência a terceirizar culpas (governos, grupos específicos, teorias econômicas, religiões, etc). Encontrar um culpado exclusivo é quase sempre tentar se eximir da responsabilidade, pois se nos eximimos da culpa não vamos nos esforçar para arrumar uma solução.

Desespero e fuga também não são boas respostas, pois enquanto a primeira te faz agir de maneira emocional e irracional, a segunda te faz fingir que nada aconteceu, negando o ocorrido, se escondendo, ocultando completamente suas emoções, sendo que tudo o acontece em nossas vidas deve ser vivenciado, solucionado e somente depois deixado para trás.

A blasfêmia também pode ser definida como uma resposta errada ao sofrimento, talvez a pior delas, aonde transferimos para Deus nossas desilusões e perdas, atribuindo a Ele a culpa e consequentemente nossa amargura e raiva. Essa é uma atitude trágica para o ser humano, pois ele elimina a única solução, elevando o nível do problema e do sofrimento. Dar as costas ao Único Deus, ao Único que sabe amar, ser Misericordioso é ser tolo ao não acreditarmos que Ele está nos controle de tudo, nos conduzindo para o caminho que Ele mesmo preparou.

Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos, sendo agora revelada pela manifestação de nosso Salvador, Cristo Jesus. Ele tornou inoperante a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade por meio do evangelho. 2 Timóteo 1:8-10

Logo, Paulo nos ensina quais as respostas adequadas ao sofrimento humano:

Não nos envergonharmos do Evangelho de Cristo: Paulo ensina que a suficiência da cura do homem pertence a Jesus. É o primeiro passo de quem deseja sair do sofrimento, conhecer o Cristo, nosso Salvador, que por nós sofreu e padeceu até a morte, e morte de cruz. Sua Graça foi derramada antes de existirmos, basta apenas agora isso ser revelado aos homens. Jesus tornou inoperante a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade por meio do Evangelho. Tornar inoperante a morte é dar prazo definido para que ela tenha fim, que é a esperança da ressurreição;

Agir em prol dos que sofrem: entendendo que Jesus é o único que pode aliviar o fardo dos homens, Deus coloca em nossas mãos a missão de levar esse amor através da pregação do Evangelho e das atitudes em prol dos que sofrem. Sabemos que esse mundo jaz do maligno, contudo, compete a nós como filhos de Deus manifestar o amor do Pai em favor dos homens. Enquanto estamos na Terra devemos contribuir com nosso tempo, nossa vontade, nosso dinheiro, ou seja, com tudo o que temos. Enquanto ansiamos pela ressurreição buscamos viver nossas vidas em Deus e levarmos essa vida a todos quantos pudermos.

Portanto, visto que os filhos são pessoas de carne e sangue, ele também participou dessa condição humana, para que, por sua morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo, e libertasse aqueles que durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte. Hebreus 2:14-15

Para finalizar, na carta de Hebreus, a Palavra confirma nossa esperança, afirmando que o Cristo além de tornar inoperante a morte, retirou de nós o medo da morte. A ressurreição anula a morte, trazendo a nós a certeza da vida eterna e a consciência do amor de Deus, sabendo o alto preço que foi pago para que pudéssemos ser livres dessa morte, a saber, o sangue de Jesus.

Que a esperança da ressurreição e a falta de medo da morte que nos foi arrancada por Cristo na cruz, nos tornem mais apaixonados pela vida e pelos que entrando em nossos caminhos, ainda sofrem. Sejamos a resposta ao sofrimento dos homens.

Rafael Câmara Alves

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