g12

A Igreja Cristã Brasileira sofre há um bom tempo com “ondas” de novos movimentos que surgem ao redor do mundo. Movimentos que encontram uma abertura muito grande dentro da maiorias das nossas Igrejas, pelo fato de oferecerem a elas, em tese, resultados numéricos satisfatórios para quem almeja retorno financeiro e crescimento no número de membros, mas que causa um grande desserviço a pregação genuína do Evangelho de Cristo.

Um destes movimentos é chamado G12. Neste artigo iremos analisar as principais características deste movimento e comparar com o que a palavra nos ensina em relação às doutrinas que o G12 traz.

Origem do G12: César Castellanos Domínguez, líder da Missão Carismática Internacional, é o fundador deste movimento. Segundo ele, após frustrações vivenciadas em relação ao crescimento numérico de suas igrejas, motivo pelo qual ele renunciará ao pastoreio, Deus o chamou novamente ao pastorado. Ele pediu direção a Deus para capacitar líderes em menos tempo, e, segundo Castellanos, Deus mostrou-lhe que assim como Jesus treinou doze pessoas, era esse mesmo número de pessoas que ele deveria treinar.

A partir deste ponto, onde supostamente “Deus falou com Castellanos sobre como a igreja deve ser” começam as piores interpretações e manipulações possíveis,e tudo com a falsa aparência de Igreja. Desde o exagero no misticismo com o número 12, ate a utilização de títulos e mais títulos para dar uma ar de superioridade aos líderes e a obediência cega e inquestionável dos seguidores.

G12 na Prática: Inicialmente há uma divisão na Igreja em grupos que são chamados de “células” onde inicia-se os primeiros passos na caminhada “cristã”. Para estas células existe um material disponível, onde devem ser ensinados de acordo com a “visão” de Castellanos. Neste ambiente os novos convertidos fazem um questionário que, segundo eles, é chamado de “mapeamento espiritual”, com perguntas sobre tudo o que novo convertido e seus familiares fizeram no passado. Esse mapeamento tem a intenção de saber mais da vida do novo convertido, uma ferramenta para que os ensinos de maldições hereditárias sejam aceitos com facilidade e sem questionamentos.

Nas células o novo convertido começa a crer que o método do G12 é o único que pode levar as pessoas para o centro de Deus, o que já é um equívoco terrível, porém, após esse contato na célula, os novos convertidos são fortemente influenciados a passar pelos estágios que o método oferece. Estágios que denotam uma espécie de “plano de carreira” ou um pseudo preparo para ser mais um líder apto a ensinar este método a outros.

Os estágios são:

  • Pré Encontro: São quatro aulas de doutrinas básicas que preparam o novo convertido para o próximo estágio. Nestas aulas são abordadas as doutrinas mais básicas, desde Igreja , Batismo, etc.
  • Encontro: Também conhecido como “Encontro com Deus” ou em algumas variáveis “Revisão de Vida”, que é um retiro de três dias onde os novos convertidos ficam longe de sua família e recebem diversas ministrações, entre elas: quebra de maldições hereditárias, libertação, cura interior, Batismo com o Espírito Santo (que eles dizem que é o falar em novas línguas necessariamente e que é feito de forma “impositória”), e são ensinados sobre a visão G12 com grande ênfase.
  • Pós Encontro: Palestras que são ministradas e que visam fortalecer o conteúdo ensinado no Encontro, funciona como uma confirmação ou consolidação das doutrinas.
  • Escola de Líderes: Cursos de aproximadamente três meses que o foco é capacitar com técnicas de persuasão e com mais doutrina da visão G12. Os que participam deste estágio são ensinados a crer que o crescimento numérico é o sinal que Deus está dando o crescimento.
  • Envio: É quando o membro já passou por todas as fases e começa a fazer sua própria célula. Célula que quanto mais cresce mais será bem vista. Funciona com um plano de carreira literalmente. Primeiro o líder se esforça para montar o seu grupo de doze pessoas, e depois ensina a cada m destes doze a montar o seu grupo de doze , e assim o líder vira líder de 144, e assim sucessivamente.

Erros Doutrinários

Não sou contra ao desenvolvimento de grupos menores para o ambiente de Igreja, e concordo que estes grupos contribuem para uma comunhão mais próxima e fortalecimento da igreja. O que não posso aceitar como bíblico é quando Castellanos afirma que este é o modelo universal da Igreja de Cristo. Primeiro porque, embora Jesus realmente tenha escolhido os doze apóstolos como discípulos, estes tinham uma missão específica em relação ao Evangelho, que era anunciar o Reino. Lemos na Bíblia que não foram apenas estes que Jesus comissionou (Leia Lucas 10). Segundo, e gravíssimo erro, sobre os grupos pequenos ou células é que todos os envolvidos no G12 entendem e ensinam que o método em si mesmo é que traz o crescimento, e este pensamento contrapõe todo o contexto do Evangelho. Se lemos na Bíblia que Deus é quem dá o crescimento, por que Castellanos acredita que o método em si é eficaz? (1 Coríntios 3:6)

Outro erro gravíssimo que encontramos neste movimento são as práticas que não estão doutrinadas em nenhum texto do Novo Testamento, como “quebra de maldições hereditárias”, “mapeamento espiritual”, “regressão”, “escrever os pecados em um papel e queimar na fogueira” e diversas outras doutrinas. Todas estas questões, entre outras, não encontram nenhum aparato bíblico. No Antigo Testamento vemos que Ezequiel deixava muito claro que cada um é responsável pelo que faz, e colhe os frutos do que faz (Ezequiel  18: 1-20). Lendo esse texto sabemos que não existe a questão da maldição hereditária. E o Ensino Bíblico nos diz que TODAS AS MALDIÇÕES FORAM LEVADAS NA CRUZ DO CALVÁRIO, então, o maior erro deste movimento ao usar estes métodos é o fato de negar a suficiência da Obra da Cruz (2 Coríntios 5: 17 -19). Que tipo de maldição é essa que Jesus não conseguiu quebrar? Claramente isso é usado como um método que atinge o emocional e que faz aqueles que passam pelo encontro a ter uma concepção errada do sacrifício da Cruz.

Por conta desta distorção abusiva do Evangelho, nasce o erro do medo do questionamento, e isso proporciona o abuso dos líderes. Com medo, passam a se sujeitar e a se submeter a qualquer arbitrariedade de seus líderes. Neste submissão os lideres passam a exercer uma influência exagerada sobre a ovelha, estas chegam a pedir ao líder para ir visitar um primo ou parente que faz parte de outra denominação, ficam com medo de contar ao líder que conheceu uma pessoa de outra igreja, etc..etc..

A manipulação é a característica mais forte. Sei de casos em que uma “pastora”, adepta a este movimento, falava para um membro de sua célula desobedecer a proibição de voltar da igreja de madrugada, mas honra-lo orando por ele, como uma forma de “compensação”.

No livro de Castellanos, chamado “Sonha e Ganharás o Mundo”, ele afirma que a igreja só iria crescer em termos de números se aderisse ao modelo celular. Esse tipo de exclusivismo é comum em diversas seitas, e o G12 não foge a essa regra.

Nas doutrinas do G12 observamos também as fortes influências da confissão positiva ou teologia da prosperidade, que  também são um câncer maligno que atinge grande parte das igrejas de nossos dias. Keneth Haggin, Peter Wagner e David Yonggi Cho são exemplos de pessoas que ensinaram muitas heresias e que influenciam diretamente o método, origem e estruturação das atuações do G12.

No Brasil, temos diversos exemplos deste líderes que aderiram a visão celular: Renê Terra Nova, que se denomina apóstolo e que há um tempo “ungiu” sua própria mãe como “Matriarca”, segundo ele, ela tem o “útero apostólico”. Valnice Milhomens, que se denomina apóstola, e  muitos outros que optaram pelo mesmo método.

O G12 é um movimento que contradiz o Evangelho na prática, e que deve ser rejeitado e banido de nossas igrejas. Não deve haver espaço a nada que negue a suficiência de Cristo, que distorça a Palavra de Deus com tantas falácias e erros.

Voltemos ao Evangelho.

Soli Deo Glória.

Marco Aurélio Cicco

  1. 19 de julho de 2016

    Conheçi uma moça há algum tempo deste movimento, gostei muito dela, há ponto de orarmos para saber a vontade de Deus. Pois gostavamos um do outro mais que amigos.
    Mas quando me aprofundei sobre a igreja dela com estudos eu percebi q estava entrando em um lugar que nao é o meu. Sendo que ate o pai dela é um dos 12 dos 12 dos 12 do rener terra nova.
    E meu sou Presbiteriano.
    Ou seja?

    CAI FORA !!!

    Soli Deo Glória.

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