Hospedando  Anjos

“Conserve-se entre vós a caridade fraterna. Não vos esqueçais da hospitalidade, pela qual alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.” Hebreus 13.1-2

Confesso que tenho um amor tremendo por algumas cartas que a Bíblia nos apresenta. Em primeiro lugar está a de Paulo aos Romanos, clichê, mas verdadeiro. Seguindo, encontro “as pastorais”, também paulinas. Depois destas, e para encerrar por aqui a longa lista que seria feita, vem a carta aos Hebreus. Mesmo desconhecendo o seu autor, diversos versículos desta carta conseguem acalentar meu coração de uma forma maravilhosa.

Quanto a estes acima expostos, que fazem parte desta tão tremenda carta aos Hebreus, desejo tecer alguns comentários sobre a “caridade fraterna”, e principalmente sobre a – infelizmente – tão esquecida “hospitalidade”. Vendo, finalmente, como ambas estão entrelaçadas.

Para entender o primeiro ponto, basta separar as duas palavras que formam a expressão geral. Oi? Simples. Primeiramente, precisamos entender o que é “caridade”. Esta, que em muitas versões e traduções da Bíblia nos é apresentada como “amor” (o que não está errado), pode ser entendida também como compaixão, benevolência, afeto e bondade. Uma pessoa caridosa é aquela que estende a mão ao próximo. Aquela que “faz o bem, sem ver a quem”. É o típico exemplo de um “bom samaritano”. Depois, então, convém entender o que é “fraterno”. Este termo aplica-se a coisas que são próprias de irmãos, de forma cordial e afetuosa. Pode, também, ser aplicado a alguém que demonstra tratamentos carinhosos para o seu próximo.

Basicamente, então, temos o que vem a ser esta “caridade fraterna” que o autor da epístola narra, e que deve ser conservada no seio da Igreja. É quando os irmãos, unidos pelo “perfeito amor”,  labutam diariamente pelo bem do outro. Este “amor entre irmãos” é o que o apóstolo João escreve em sua primeira carta, no capítulo 4. Esta ideia fica mais clara na carta em apreço nos versículos que seguem, a saber, Hb 13:3, 17-18. Devemos tratar aos nossos irmãos com afeto, carinho, lembrando que são membros do corpo de Cristo e Noiva do Cordeiro. A Igreja tem o dever de tratar a todos com mansidão e amor, “mas principalmente aos que são da família da fé” (Gl 6.10). Como diz o apóstolo Paulo, não nos cansemos de fazer o bem (Gl 6.9)!

O que vem a ser, então, a “hospitalidade”? Novamente, vamos ao dicionário! Uma pessoa hospitaleira é aquela que é amável, afável, gentil, acolhedora, meiga, receptiva. Temos exemplos de pessoas hospitaleiras na Bíblia? Ô, se temos!

O que dizer de Abraão, o pai da fé? Em um belo dia aparecem três homens em sua casa. O patriarca os recebe à maneira da época, lavando-lhes os pés, preparando-lhes lugar de descanso e comida. Quem eram aqueles homens? Dois anjos, e o próprio Senhor! Vemos, em Gn 18.1-8 que Abraão serviu aos visitantes, colocando-se inteiramente à disposição.

Ser hospitaleiro é dever do Cristão, visto que no início do versículo 2 (Hb 13.2) está escrito “não vos esqueçais”, no modo imperativo negativo. Ainda, é uma ordenança que vem acompanhada de uma lembrança. O autor escreve a parte final do versículo, em outras palavras, como quem fala: “olha, algumas pessoas já hospedaram anjos, fiquem atentos!”.

Cristo mesmo anunciou outras promessas acerca da hospitalidade. Observando o texto de Mt 10.40-42, vemos que quem recebe um servo do Senhor de forma digna, recebe ao próprio Deus!

Este assunto é tão sério e de suma importância para a Igreja, que é abordado pelo nosso Senhor Jesus Cristo (como visto acima, no Evangelho de Mateus), por Paulo (com visto em sua carta aos da Galácia), pelo autor de Hebreus e, até mesmo, por Pedro.

Na primeira carta do apóstolo Pedro, capítulo 4 e versículos 7 à 11, vemos uma lista de deveres dos cristãos uns para com os outros. Entre estes, estão o amor intenso (v. 8), a hospitalidade sem murmurações e falsidade (v. 9), o servir aos irmãos de bom coração (v. 10), e o de glorificar a Deus em tudo (v. 11).

Amados irmãos, que saibamos viver um amor sem máculas, sem falsidade, acolhendo a cada um, “principalmente os domésticos da fé”. Que sejamos verdadeiros cristãos, oferecendo o amor de Deus em um mundo repleto de ódio e pecado. Que saibamos amar aos nossos irmãos, servindo-lhes como consolo e alento em dias tenebrosos. Que deixemos de lado toda falsidade, todo rancor, ódio, “raiz de amargura”, falsa doutrina e ensinamentos errôneos, seguindo firmemente, como um verdadeiro corpo, até Cristo.

Ser hospitaleiro é muito mais que oferecer um teto para alguém que passa de viagem. Ser hospitaleiro é transformar-se em um lar para aqueles que vagam pela terra, sem ter onde verdadeiramente repousar a cabeça. É ser a Igreja de Cristo, que abraça todos quantos Ele mandar.

Daniel Kinchescki

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