Felizes Para Sempre

Era uma vez, há muito tempo atrás, uma mulher que devia uma quantia muito, muito alta. Ela não possuía bem algum e a única forma de quitar aquele débito impagável seria entregando-se como escrava ao seu credor, para servir-lhe e satisfazer-lhe as vontades por toda sua vida.

Mas um homem que observava a situação (pois amava demais aquela mulher), pagou todas as suas dívidas, não restando nenhum débito sequer, nada que lhe pudesse ser cobrado posteriormente, livrando a mulher da escravidão perpétua.

Eles ficaram noivos e prometeram se casar, mas o noivo precisou fazer uma longa viagem, antes de as núpcias se consumarem. Ele, porém, cheio de amor e cuidado por sua amada noiva, deixou-lhe uma extensa carta explicando-lhe detalhadamente quem ele era, o que ele fazia, todos os seus motivos, propósitos e intenções. Lembrou-lhe o modo e a razão do pagamento de sua dívida e de como ela viveria escrava se não fosse seu grande amor.

Deixou por escrito diversas declarações de amor por ela, reafirmando o compromisso do casamento, prometendo mais uma vez que voltaria em breve para casar-se. Escreveu-lhe também algumas instruções práticas sobre como ele gostaria que ela se comportasse durante sua ausência e recomendou-lhe que ela também lhe escrevesse cartas.

Preocupado, deixou-lhe ainda, como penhor de seu retorno, uma joia valiosíssima, de família, que ela deveria usar consigo, todos os dias, até que ele voltasse. Aquela jovem noiva possuía, então, uma fonte inesgotável de esperança.

Contudo, com o passar do tempo, a noiva perdeu-se em seus afazeres e já não lia mais a carta que seu noivo lhe deixará. Lia em partes, trechos isolados que, por vezes, não expressavam todo o contexto.

A joia, a garantia de que ele voltaria para consumar o casamento, já não lhe parecia tão especial e valiosa. As cartas que ela escrevia ao seu amado nem sempre expressavam seu amor e gratidão. Ela não escrevia com muita frequência ou, quando escrevia, limitava-se a contar suas mazelas rotineiras.

Infelizmente, a noiva não nutria mais o amor e a gratidão por seu noivo e não estava mais focada no dia em que ele voltaria para o tão esperado o casamento.

Obviamente, essa é uma ilustração de nosso relacionamento com nosso Senhor.

(Penso, agora, e por isso faço um parêntese, que aos olhos do mundo, com a lente do feminismo, por exemplo, essa ilustração não faça mais muito sentido, a moça muito provavelmente não se comprometeria a casar, tendo que esperar por um homem para ser feliz para sempre. A Disney, certamente, não compraria uma história dessas, porque não iria vender, a não ser que fosse como uma espécie de sátira. Lamentável o que o mundo tem feito conosco.)

Continuando, quero refletir sobre nosso relacionamento com a Palavra de Deus. Tudo que precisamos saber sobre nosso Senhor se encontra lá. Como o noivo deixou a carta de amor para sua noiva, assim são as Escrituras para nós, nossa fonte inesgotável de esperança.

Por meio de sua Palavra, o Senhor se faz conhecer. Lá está narrado o maior drama da humanidade: criação, queda, redenção e consumação. Esta é a metanarrativa da Bíblia, detalhada em cada um de seus livros. A Bíblia é um livro a respeito de Deus, quem Ele é, o que Ele fez, faz e fará, no qual Ele nos revela Sua vontade e Seu santo caráter.

Assim como a noiva deveria saber decor cada detalhe da carta deixada por seu noivo nós, crentes resgatados e regenerados pelo sacrifício de Jesus na cruz, deveríamos nos alimentar incessantemente de sua Palavra, conhecer o modo como Deus agiu com seu povo e age em nós hoje, com um único objetivo: a consumação.

Nunca se produziu tantos exemplares da Bíblia, temos acesso a diversas traduções, Bíblias de estudo, comentários e concordâncias, mas não nos dedicamos como devemos ou precisamos. Lemos pequenas porções: os Evangelhos, as epístolas, os Salmos. Sabemos superficialmente, mas nos esquecemos da metanarrativa principal, de modo que interpretamos a Bíblia como um livro sobre nós mesmos e a tratamos como se fosse um remédio homeopático que, com apenas pequenas porções diárias, pode nos fazer sentir melhor.

Não nos deixamos alimentar de maneira suficiente pela Palavra, de modo que especulações e conjecturas atraem nossa atenção e roubam nossa fé. Gastamos mais tempo lendo sobre a Bíblia do que lendo a Bíblia. Dizemos que ela é nossa regra de fé e prática, mas duvidamos de certas partes ou acreditamos que não se aplicam ao nosso contexto atual, por estarem desatualizadas.

A Bíblia é a carta de amor deixada por Deus para nós, é nela que encontramos alimento para nossa esperança. É conhecendo-a que podemos nutrir amor pelo Noivo. Jen Wilkin, em seu livro Mulheres da Palavra, diz que “se quisermos sentir um amor mais profundo por Deus, temos que aprender a vê-Lo mais claramente pelo que Ele é. Se quisermos ter um relacionamento mais profundo com Deus, temos que aprender a pensar mais profundamente sobre Deus”.

Não há outra maneira! Que sejamos gratos pela Palavra deixada a nós. Que possamos, com auxílio do Espírito Santo, nos debruçar nas Escrituras e mergulhar nos lugares mais profundos. Que saibamos manejar bem a Palavra da Verdade (2 Tm 2:15), sabendo que “toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” (2 Tm 3:16). Que possamos, incessantemente, encontrar nas Escrituras a esperança de que seremos felizes para sempre, de que o Noivo voltará, consumando assim a mais bela união de todos os tempos.

Maira Cristina Moraes Izzo

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