Falácias da Teologia da Prosperidade

É comum hoje em dia nos depararmos com pessoas que querem fazer barganhas com Deus, infelizmente essa prática tem virilizado nas igrejas, onde você precisa dar para receber algo em troca. É lamentável pensar que Deus “vende” as suas bênçãos para a nossa vida.

O que me chama atenção são igrejas que estipulam valores de votos para Deus “te honrar”, para Ele movimentar a sua causa que talvez esteja “parada”. Não é certo aceitar que uma pessoa estipule o valor da sua oferta ou do seu voto, “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria.” (2 Co 9. 7).

A Palavra nos ensina que devemos apenas ofertar com aquilo que está em nosso coração e com alegria. Pessoas inquietas e ansiosas se submetem a fazer qualquer coisa para que a solução chegue o mais rápido possível, a palavra de Deus nos alerta: “O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima” (Provérbios 12:25).

Essa prática é adepta pela Teologia da Prosperidade, que é um  câncer maligno nas igrejas. A doutrina dessa Teologia defende a benção financeira como o fim da caminhada cristã, e justamente por isso que ela se torna perigosa, pois as pessoas procuram a Deus pelo o que Ele pode dar e não pelo que ELE É.

Ficam com sede de prosperidade em todas as áreas de suas vidas. É uma doutrina egocêntrica, interesseira, semelhante à Igreja de Laodicéia, uma igreja que se considerava rica, poderosa, se sentia auto- suficiente e foi criticada por não se humilhar verdadeiramente aos pés do Senhor.  A Teologia da prosperidade anda na contra mão da essência do evangelho de Cristo.

“Porque haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina, pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceiras nos ouvidos, e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas”. (IITm.4.3).

É triste entrar em uma igreja e ver lobos em pele de cordeiro que usam o nome de Deus para conseguir o que querem. “Pastores” que são tomados pela ganância, exploram o povo vendendo bênçãos, explorando a fé das pessoas, e é incrível o poder de persuasão.

Porém, como cristãos maduros, sabemos que a palavra tem que ser a bússola do cristão, que nos dá o “norte” espiritual. É na palavra que podemos encontrar o conhecimento, ela nos alerta: “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (I Tm.6:10) e que “ onde está o seu coração, aí está o seu tesouro.”(Mt 6:21). E a evidência de nossos dias é que realmente o povo perece por falta de conhecimento (Oséias 4:6).

Tragicamente, essa doutrina caiu muito bem no Brasil. Onde só se ouve falar em crise, desemprego, pessoas “quebradas” financeiramente e de repente surge algo atrativo, algo que promete que você terá um novo carro, casa nova, seus negócios vão prosperar. No entanto você não precisa ter um estudo qualificado, se esforçar no trabalho, é apenas usar a sua fé que irá prosperar.

No meio dessa falácia teológica, surge uma pergunta comum entre os adeptos de tal teologia: “Mas então porque existem diversas pessoas frustradas na teologia da prosperidade?” E a resposta está clara na Bíblia: Porque a maioria não vai prosperar, isso não é um ato bíblico. Uma vez escutando certa rádio, eles estavam atendendo as ligações e uma mulher questionou o Pastor dizendo:

“- Pastor, eu fui à campanha na sua igreja peguei o envelope do voto de mil reais, eu ofertei, eu fiz o voto, mas, no outro dia tive que desembolsar cerca de sete mil reais para resolver algumas pendências, estou achando estranho, porque eu estava acreditando que as coisas iriam prosperar. O que está acontecendo?”

O Pastor explicou algumas coisas sem sentido e a ligação caiu (foi o que eles disseram naquele momento, rs, que a ligação tinha caído).

Deus não tem compromisso com isso, Ele não é obrigado a nos dar nada e principalmente quando achamos que podemos ajudar Deus a resolver nossas situações, o que estamos fazendo é não acreditar no poder, na grandeza, na soberania Dele. Temos que ter consciência que Ele faz se Ele quiser e ponto. Tudo está em suas mãos, todo o controle, todo o universo, não temos a capacidade de imaginar o quão grande Ele é. Deus realmente é um Pai amoroso, que abençoa os seus filhos e supre a necessidade dos mesmos, contudo é de acordo com a perfeita vontade Dele e não da nossa, nós que somos os servos e não ao contrário. Tudo o que Ele nos proporciona é através da sua maravilhosa graça.

Essa teologia mentirosa prega bens materiais, riquezas, mas, na realidade ela é pobre. Pobre de conhecimento torna as pessoas pobres de espírito, com suas ambições terríveis. A soberba toma conta da humildade. “Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança”. (Mt 5:5). Temos que viver um evangelho de princípios e não um evangelho de interesses. Estamos vivendo do “ser” ou do “ter”? A palavra nos mostra que: “É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. (Mt19:24).

O próprio Jesus nos ensina: “…porque a vida de um homem não consiste na abundancia de bens que ele possui”. ( Lc.12:15b). O verdadeiro cristão deve ter seus olhos e coração voltado ao reino de Deus, é pensar alto, é pensar nas coisas celestiais, ser totalmente dependentes de Deus, somos servos, estamos para Servi-lo. Somos peregrinos, estamos de passagem, aqui na terra é só uma questão de tempo, tudo aqui é passageiro, tudo se acaba ou nós acabamos paras as coisas. Precisamos verdadeiramente viver o evangelho genuíno, o evangelho da graça, o evangelho que destrói o nosso “eu”, o evangelho de amor, mas também um evangelho de justiça. Temos que ser totalmente gratos pelo sacrifício de Jesus na cruz.

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. (Mt 6:19-21).

“Quanto mais do céu existe em nossas vidas, menos da terra cobiçaremos” (Charles Spurgeon.)

Caroline Moreira

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