entretenimento

Imagine comigo, um convite legal no facebook para um culto temático, uma banda com um repertório de músicas que estão na moda, um pregador bem jovial que seja engraçado e fale a linguagem da “galera”, tudo muito colorido para atrair muitos jovens, um culto mais descontraído, uma pregação mais curta, para que não enfade tanto os ouvintes e mais light, falando principalmente sobre amor. Seria esse, um ambiente ideal para jovens se converterem ao senhorio de Cristo? Alguém pode argumentar: tudo isso faz parte de estratégias para trazermos os jovens a Deus! Ok, mas até onde as estratégias que usamos para pregar o evangelho são validas? Ou, o que seria realmente uma estratégia para pregar o evangelho? Há necessidade de mudar a forma de pregação da palavra de acordo com o público ouvinte?

O uso de estratégias sempre foi algo recorrente na bíblia para a evangelização! Paulo irá relatar que ele mudava a forma de apresentar o evangelho, para facilitar o entendimento daqueles que iriam ouvir: Porque, embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas. Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, (embora eu mesmo não esteja debaixo da lei), a fim de ganhar os que estão debaixo da lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, mas sim sob a lei de Cristo), a fim de ganhar os que não têm a lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns. 1 Coríntios 9:19-22

Entretanto, o mesmo Paulo já havia afirmado antes em 1 Coríntios 1.17, que ele tinha sido enviado para pregar o evangelho, mas não com palavras persuasivas ou de sabedoria humana, para que a cruz de Cristo não fosse esvaziada. Com isso, entendemos que Paulo podia sim mudar sua forma de expor o evangelho, mas nunca trocaria a sua mensagem Cristocêntrica, pois entendia que a substituição do evangelho por qualquer outra coisa, seria uma tentativa de anular a obra justificadora de Cristo naquela cruz.

Para alguns, esse texto pode parecer um exagero, pois poderiam questionar como algumas simples medidas que visam ajudar o evangelho, podem esvaziar a cruz de Cristo. A questão é quando essas medidas tomam o lugar do evangelho, tonando-se o motivo de todos estarem ali, deixando então de ser uma estratégia para propagação da obra de Cristo para se tornar puro entretenimento. Algo que tem sido totalmente comum nos dias de hoje. Saem os pregadores e entram em cena os animadores de palco. Até parece ser um stand-up, só que menos engraçado!

Muitas vezes recorremos a esse entretenimento evangélico nos cultos, com a desculpa de conseguir alcançar aqueles corações mais duros, mais distantes, que não gostam de ouvir sobre a mensagem da cruz. Tudo bem, é algo que realmente pode atrair pessoas, mas o problema é o resultado disso, pois, se eles não forem constrangidos pela pregação cristã, e não amarem o feito de Cristo, como eles poderão se tonar cristãos? Como poderão se tornar seguidores daquele de quem eles não ouviram falar? Por isso, Paulo ainda irá afirmar outro motivo porque ele não dava espaço para qualquer outra coisa em sua pregação: para que a fé de vocês não se baseasse na sabedoria humana mas no poder de Deus (1 Co 2.5). Nossa fé não deve ter como alicerce qualquer filosofia ou conselho deste mundo, por mais que possa parecer certo e agradável, nada pode se compara com o evangelho!

E ainda, sobre aqueles que não querem ouvir o evangelho, Paulo relata que para os que perecem, a mensagem da cruz é realmente loucura, mas para aqueles que são salvos, ela é o poder de Deus (1Co 1.18).

Então, respondendo ao questionamento, até onde as estratégias que usamos para pregar o evangelho são validas? Elas são validas até onde Cristo continuar sendo o centro da pregação, sendo o motivo real para todos participarem daquela reunião. Cristo é a linha de divisão dos dois extremos, estratégia e entretenimento. Não importa se eu uso uma linguagem mais jovial ou mais formal se a mensagem permanecer sendo Cristo, entretanto, no momento que eu, ou o que falo, ou a forma que falo, toma o espaço destinado a Ele, eu deixo de ser um pregador para me tornar animador!

Que ninguém perca tempo admirando a mim ou você ou a nossa forma de pregar, mas que todos possam olhar para o nosso salvador e somente para Ele!

Guilherme Borges

Fonte: LIVE

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