Dúvidas na Caminhada

 “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma. Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá coisa alguma do Senhor; é alguém que tem mente dividida e é instável em tudo o que faz.” Tiago 1:2-8

Dúvidas são comuns à existência humana. Enquanto a fé provém de Deus e é uma centelha divina em nós, nossa natureza caída e nossa carne tendem a ir na contramão dessa fé e lançar dúvidas e questionamentos sobre Deus e sobre nós mesmos. Mesmo pessoas que tiveram uma grande proximidade com Jesus tiveram dúvidas sobre Ele em algum momento, como podemos ver abaixo:

a)      Identidade de Jesus – João Batista (Mt 11:1-6) – João Batista recebeu de Deus uma missão muito importante, preparar o caminho para o Messias, anunciar a sua chegada e chamar o povo ao arrependimento. João foi o responsável também por batizar Jesus no começo do seu ministério e foi descrito por Jesus como o maior dos homens nascido de mulher. Contudo, mesmo João com todas essas credenciais chega em algum momento a duvidar da messianidade de Jesus. Quando ele já está preso há algum tempo, a solidão e a dor o fazem trazer a tona seu lado judeu messiânico, o fazendo questionar sobre como Jesus faria seu ministério expiatório, se Jesus seria um rei político, se Jesus libertaria o povo da opressão romana. Será que como cristão ainda por muitas vezes em meio ao sofrimento e a dor temos duvidado de Jesus e da nossa própria salvação? Será que situações críticas em nossas vidas tem relativizado a certeza sobre o ministério de Jesus?

A carta aos Hebreus no seu capítulo 9 nos fala sobre como a libertação e a salvação em Cristo não vieram como os judeus esperavam, de forma social, temporal e política, mas aconteceu de forma espiritual, eterna e universal. A salvação em Jesus e nossa libertação do pecado, da morte e da justiça de Deus vai além dos fatores pessoais, sociais, políticos e temporais. A Graça de Deus derramada em nós através de Jesus vai além de tudo o que podemos ver, ouvir e viver. Ela é maior que os nossos erros, os nossos medos, os nossos pecados, pois foi consumada antes da fundação do mundo.

b)     Autoridade de Jesus – Maria (Mt 12:46-47) – Maria teve um papel muito importante no plano de redenção do homem. Ela foi escolhida para ser a mulher que geraria o Messias, o Filho de Deus que traria perdão e salvação aos homens, conforme profetizado pelo anjo que a trouxe a notícia. Maria viu Jesus nascer, dar os primeiros passos, falar as primeiras palavras, ou seja, foi uma mãe normal de uma criança com um futuro único. Isso faz com que em algum momento da caminhada, onde Jesus já estava exercendo a vontade do Pai, que ela tentasse exercer uma autoridade e controle exagerados sobre Ele, pela intimidade de mãe e filho que eles tinham. Maria nesse ponto ainda tinha dúvidas sobre tudo o que estava acontecendo, sobre o poder e autoridade que estavam sobre aquele homem que ela havia gerado. Nós, como cristãos, muitas vezes temos nos achado íntimos e conhecedores demais de Jesus, sem termos o temor necessário a Ele, por quem todo o universo foi feito, todas as coisas que existem no universo foram feitas e a quem foi dada toda a autoridade nos céus e na Terra;

Em resposta a isso, vemos Jesus em um ato que a princípio pode parecer até meio ríspido (Mt 12:48-50), onde Ele questiona a seus discípulos sobre quem é sua mãe, seus irmãos, ou seja, sua família. Jesus ali não está desmerecendo o valor de sua mãe e de seus irmãos biológicos, mas ressaltando um princípio espiritual, que é o de que a família de Jesus é formada pelas pessoas que fazem a vontade do Pai, que está nos céus, assim como Ele fez. Temos sido discípulos de Jesus apenas quando oramos ou dizemos que O conhecemos? Ou temos praticado a vontade do Pai para sermos realmente parte da Sua família?

c)      Sacrifício de Jesus – Pedro (Mc 8:31-33) – Pedro é certamente o discípulo de Jesus que mais teve destaque nas Escrituras. Ele era o mais chegado de Jesus, assumiu a liderança dos discípulos em vários momentos,  liderou a igreja que foi depois estabelecida e foi quem fez as confissões de fé mais surpreendentes.  Contudo, mesmo com toda essa vivência e relacionamento direto com o Mestre, Pedro chega a duvidar que Ele precisasse padecer e ser crucificado, duvidando de tudo aquilo que Jesus havia passado anos ensinando. Em nossa caminhada muitas vezes temos sido como Pedro, andamos e caminhamos no Evangelho não aceitando as dores e perseguições que esse caminho nos trará. Tratamos Deus como injusto e muitas vezes queremos que Ele apareça para nós e nos peça perdão por estarmos sofrendo e padecendo pela Sua obra;

Jesus nos ensina que o Evangelho será sempre escândalo e ódio para o mundo e o sistema que habita nele, logo, se Ele foi odiado e perseguido, assim também será conosco, pois só poderá O seguir aquele que tomar a sua cruz e aquele que estiver disposto a perder a sua vida para assim, finalmente ganhá-la (Mc 8:34-38).

d)     Promessas de Jesus – Discípulos (At 1:4-6) – Jesus aparece aos seus discípulos após a Sua ressurreição, dando a eles todas as provas de que estava vivo. Seu ministério terreno já estava acabando e Ele manda os discípulos ficarem em Jerusalém, pois após sua subida aos céus o Espírito Santo haveria de descer sobre eles para que a Sua igreja pudesse ser estabelecida e o Evangelho começasse a ser pregado e se expandisse pela Terra. Contudo, os discípulos ainda assim insistiam querendo saber sobre o tempo em que Deus restauraria  o reino a Israel. Mesmo diante da promessa maravilhosa da descida do Espírito Santo sobre eles, os mesmos não conseguiam pensar com fé, mas estavam ainda ansiosos para saber além do estavam destinados a saber. Muitas vezes somos assim na caminhada, queremos saber e fazer coisas que não nos cabe e desprezamos as promessas de Deus para nossa vida. Será que temos desprezado ou diminuído a importância do Espírito que habita em nós? O Espírito de Deus, que é o Deus que habita em nós,  têm sido suficiente em nossas vidas?

Jesus confronta os discípulos a serem e andarem como discípulos e deixarem o papel de Deus para Deus (At 1:7-8). Ao mesmo tempo em que Jesus minimiza nossa vontade e desejo de conhecer o futuro, Ele ressalta a importância de nós recebermos e entendermos o poder do Espírito Santo sobre nossa vida para podermos pregar o Evangelho até os confins da Terra e podermos viver tudo aquilo que Deus tem para nós. Essa é a promessa de Deus e sua maior herança, o que nos capacita para toda boa obra, nos dá poder para vencermos o mal, nos dá entendimento da Palavra e nos faz sermos como Jesus.

Que possamos ter sinceridade em assumir nossas dúvidas e coragem para buscar a Verdade, que é o que nos liberta e nos coloca a cada dia no caminho certo, o caminho estreito, um caminho de fé, de esperança e de amor.

Rafael Câmara Alves

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