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A primeira menção bíblica a respeito de falar em “línguas” é encontrada no livro de Atos no capítulo 2. Os apóstolos aguardavam a chegada do Espírito Santo, e de repente Ele chega, e no versículo 4 do capítulo 2, começaram a falar em outras línguas conforme o Espírito concedia. No versículo 5 lemos que em Jerusalém moravam judeus de todas as partes do mundo, logo, pessoas que falavam outro idioma, pois sim, eram estrangeiros.

E nos versículos 6, 7 e 8, esses mesmos estrangeiros ficam maravilhados, pois sabiam que os que falavam as línguas eram Galileus, mas os estrangeiros os ouviam falar em sua língua materna, ou seja, uma língua compreensível, o seu idioma natal. Aí temos uma análise textual importante. No grego, a palavra traduzida como “línguas”, tem o significado literal de idioma. Em outras palavras, o dom de línguas de Atos, foi o dom de falar em outros idiomas não conhecido pelos que falavam. Realmente só Deus poderia fazer algo desse tipo.

E o dom tinha um objetivo: falar do Evangelho aos estrangeiros. Não era para demonstrar que os apóstolos eram mais espirituais do que os outros, era para edificação.Em I Coríntios 14 versículo 6, Paulo diz o seguinte:

“Portanto, irmãos, se eu for até vós falando em línguas, que benefício vos trarei, se não vos falar por intermédio da revelação, ou de conhecimento, ou de profecia, ou, ainda, de ensino?” (Bíblia King James)

Paulo deixa em evidência que o dom de falar em línguas, ou seja, em outros idiomas, tem valor para os que falam outros idiomas, mas que nada serve aos demais. Por exemplo, se eu estiver em uma reunião onde todos falam e entendem português, qual o sentido de eu falar Hebraico? Nenhum. Sobre a ordem em relação das reuniões na Igreja, Paulo deixa muito claro também a forma que devemos nos conduzir. Em I Coríntios 14: 28:

“Contudo, se não houver intérprete, permaneça calado na Igreja, falando consigo mesmo e com Deus.”
(Bíblia King James).

Ou seja, essas pseudo “demonstrações de espiritualidade” ou pessoas que interrompem a pregação, ou atravessa uma reunião, falando em “língua dos anjos” como algo descontrolado, não tem o menor respaldo bíblico para acontecer. A bíblia ensina a fazer totalmente o oposto.

Muitos dizem que são “tomados pelo espírito” ao saírem berrando em línguas que ninguém entende e nem interpreta, a título de parecerem mais espirituais. Perdoe-me a franqueza, não há nada bíblico nisso, portanto, não há nada da parte de Deus nisso. Principalmente porque esse tipo de situação não edifica em nada a igreja. Há quem acredite que o dom de línguas cessou. Podemos ler em I Coríntios 13 versículo 8:

“O amor jamais morre, todavia, as profecias deixarão de existir, as línguas cessarão, o conhecimento desaparecerá.”
(Bíblia King James)

Embora esse cessar esteja relacionado ao versículo 10 do mesmo capítulo, que fala que o “cessar” acontecerá com a chegada do perfeito, existem muitas pessoas que creem que essa “cessar” é gradativo à medida que o se aproxima a chegada do “perfeito.” Cada um crê no que quer e entende, mas lendo a Bíblia, é impossível afirmar isso como uma verdade absoluta.Ainda temos o ponto mais importante de todos que é analisar o dom praticado no contexto bíblico. Poucas são as igrejas que incentivam o dom para edificação e para a pregação do Evangelho a pessoas que não falam o mesmo idioma.

Aos que dizem que falam a línguas dos anjos com base também em 1 Coríntios 13, não entendem o contexto do que foi dito ali. E ainda que assim fosse, qual a certeza que temos que os anjos falam os jargões que ouvimos por aí, tipo “xaramanaias, labassurionderrá” e por aí vai? Não temos nada disso na Palavra de Deus. Paulo em I Coríntios 14 versículo 15:

“Diante disso, o que fazer então? Orarei com o Espírito, mas ao mesmo tempo com

a mente;  cantarei com o espírito, mas igualmente com a razão.”
(Bíblia King James).

Está muito claro que a manifestação do dom de línguas também deve ser feita com entendimento. Não é uma “possessão” ou algo incontrolável. Acredito que Deus possa sim usar pessoas com estes dons, com base no que está escrito e no contexto de I Coríntios 14 e no contexto de Atos, para pregar o Evangelho em outros idiomas para que estrangeiros entendam. Fora disso, não há argumento para o “show” que vemos hoje de pessoas que falam um monte de palavras que ninguém entende, mas que a título de espiritualidade e poder, manipulam multidões que nada aprendem do Evangelho e que não edifica à Igreja de Cristo em nada.

Concluo meu raciocínio com as instruções de Paulo:

“Dou graças a Deus por falar em línguas mais do que todos vós. No entanto, na igreja, prefiro comunicar cinco palavras compreensíveis,
a fim de orientar os meus semelhantes, do que falar dez mil palavras em uma língua estranha.”
(1 Coríntios 14:18-19 | Bíblia King James).

Está mais do que claro, embora também sei que muitos nunca leram esse versículo, ou leram e deixaram-no de lado.

Obs: Particularmente, creio que este dom não cessou, mas não é nada do que muitos andam fazendo dizendo que estão “cheios do Espírito Santo”.

Abraço! Paz!

Marco Aurélio Cicco

  1. 3 de maio de 2016

    Fiquei meio em dúvida em relação a isso agora. Fui batizada em outubro de 2015 no Espírito Santo, mas estou em dúvida se foi um dom divino.

    • 4 de maio de 2016

      Olá. A certeza deste batismo tem a ver com Gálatas 5:22. A bíblia também nos ensina que nem todos tem todos os dons, então associar o dom de línguas como sendo necessariamente o batismo do Espírito Santo não faz sentido.

  2. 4 de maio de 2016

    Muito superficial, não abordou todos os versículos que citam o “falar em línguas”, deixando uma ideia solta e gerando lacunas na compreensão do texto
    .

    • 4 de maio de 2016

      Teologicando, como deve ter percebido, a idéia aqui não é criar compêndios teológicos, e sim sanar as dúvidas emergenciais. Embora eu respeite sua opinião e sei que é impossível agradar a todos, o bom resultado foi alcançado com aqueles que não entendiam nem o porquê do dom. Agradeço a visita e comentário.

  3. 13 de dezembro de 2016

    Bom, na congregação onde estou somos incentivados a orar em linguas estranhas, com a justificativa de que é o próprio Espírito intercedendo por nós. Eu evito, já que tenho dúvida a respeito do objetivo disso e se realmente a justificativa deles tem coerência…gostei do post.

  4. 27 de março de 2017

    Excelente Estudo!

  5. 6 de junho de 2017

    Qual seria a evidência então do “bastimo com Espírito Santo”??

  6. 8 de junho de 2017

    Olá Marco, tudo bem?

    Como entender o verso de 1Co 14.28 supracitado …não havendo intérprete fale consigo e Deus…

    Deus então daria línguas sem intérpretes? Nesse contexto Deus seria incoerente?

    Abraços, Paz!

    • 8 de junho de 2017

      Paz Jefferson.

      Se Deus seria incoerente? Realmente, não. Incoerente é a mania da maioria dos pentecostais em não se dar ao trabalho de ler um pouco mais o contexto dos textos.

      Paulo não está recomendando aqui a prática de falar em língua intimamente. O seu propósito é proibir o uso de línguas sem interpretação na igreja. Estes preceitos eram usados por homens de Deus em dias anteriores para reprovar a prática Católica Romana de administrar adoração religiosa em latim. Os homens podem orar em qualquer idioma que eles entendem em secreto. Eles não devem orar em um idioma que eles não entendem nenhum lugar. Em público eles devem falar em um idioma inteligível pela igreja ou então as suas palavras devem ser interpretadas.

      O conceito pentecostal das línguas como sendo uma ajuda à devoção particular é contrário a tudo o que a Bíblia ensina sobre línguas. Até onde me lembro, nunca me posicionei como cessacionista, pois não o sou, mas usar um versículo para tentar validar algo, a título de apontar a “incoerência de Deus”… realmente….

      Enfim, Deus não é incoerente, Ele só não quer que sejamos meninos. É o que diz no texto.

      • 8 de junho de 2017

        Não foi o que eu disse… Se o dom de línguas é uma manifestação divina, alguém falar sem intérprete, me faz pensar que Deus pode usar alguém sem o intérprete, essa é minha questão.

        • 8 de junho de 2017

          Se ignorarmos: Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar. Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. 1 Coríntios 14:13,14

          Pode ser então que alguém fale em línguas sem intérprete? Bom, se creio na Bíblia, esta possibilidade como vindo do Senhor não me parece possível.

          • 8 de junho de 2017

            Não estou afirmando, estou com uma dúvida. Exemplo: Como pode alguém orar em uma língua desconhecida e o espírito orar bem? E como posso orar em uma língua desconhecida e orar para que eu possa interpretar?

          • 8 de junho de 2017

            Versículo 15, logo depois do 14, responde sua pergunta: Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.
            1 Coríntios 14:15

  7. 8 de junho de 2017

    Não compreendi a resposta, mas agradeço! Boa quinta!

    • 8 de junho de 2017

      Tudo bem. Faço o melhor que posso, embora seja insuficiente algumas vezes. Boa quinta.

      • 8 de junho de 2017

        Tenho certeza disso.

  8. 7 de setembro de 2017

    Creio no dom de línguas conforme a Bíblia nos relata em que falaram em línguas estrangeiras não aque tem se visto hoje

One Trackback

  1. […] hereditárias, libertação, cura interior, Batismo com o Espírito Santo (que eles dizem que é o falar em novas línguas necessariamente e que é feito de forma “impositória”), e são ensinados sobre a visão G12 […]

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