Divórcio e Novo Casamento

Falar em divórcio e novo casamento nos dias atuais tornou-se um assunto um pouco complexo, devido as inúmeras interpretações, bem como, as adversidades encontradas pelos cônjuges ou ex-cônjuges.

O casamento foi banalizado de tal forma que, a grande verdade é que o seu principio foi totalmente deturpado, com união entre homossexuais, divórcios por motivos fúteis e até por motivos relevantes, como o caso de agressões físicas e até assassinatos.  O modelo de família, antes planejado por Deus, agora é algo banal e completamente descartável.

Em Gênesis 2:24 temos:

“Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá a sua mulher, e eles se tornaram uma só carne”

“UMA SÓ CARNE” note o peso dessa frase, “uma só carne”, creio que o Pai quis deixar bem claro como é indissolúvel o casamento.

Ao analisar todos os versículos a respeito da importância e das responsabilidades do casamento e sobre as condições a cerca do divórcio concluiremos que as escrituras não deixam dúvidas sobre este assunto, mesmo existindo diversas interpretações de cristãos maduros e praticantes da graça.

O que ocorre na verdade é que alguns textos são interpretados de uma forma onde “abre-se” uma brecha para um entendimento mais flexível e até de certa forma lúcido com relação apenas ao segundo casamento, pois engana-se quem acredita que Jesus (Deus) não sabia que nós seus filhos iríamos falhar nessa área.

“Eu digo que todo aquele que se divórciar de sua mulher, EXCETO por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério”. Mateus 19:9

 “Mas eu digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério”. Mateus 5:32

Se buscarmos a tradução original do novo testamento, que no caso é o grego achamos uma palavra em comum de ambos os versículos acima, “πορνεια”, que é prostituição, ou como a maioria das traduções utiliza imoralidade sexual.

A palavra “πορνεια”, original do grego que traduzida significa prostituição, em diversas traduções está ligada a imoralidade sexual, infidelidade, adultério dentre outras variações. Porém note que isso muda todo o contexto e fator histórico, prostituição é algo que encontramos na infidelidade, contudo, a infidelidade possui uma denotação muito mais abrangente e complexa para se utilizar neste contexto. Trocando-se o contexto pode-se dizer que suavizamos e relativizamos sua aplicação, algo que não pode ser considerado neste tema.

Então, quando houve uma situação de adultério, a parte que foi traída, ou seja a vítima, pode se casar novamente. Até porque não faria o menor sentido que o inocente carregasse o peso de um pecado cometido por outro. Não há sentido nenhum em punir a vítima de uma tragédia.

O que pode ser entendido também como EXCEÇÃO para o divórcio, está escrito em 1 Coríntios 7: 15:

“ Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz.”

A expressão “sujeito à servidão” que Paulo utiliza nesse texto, deixa claro, que não há por parte da vítima, neste caso, do abandono, em seguir forçosamente um casamento, o que tenha que carregar o peso de nunca mais contrair matrimônio.

Em suma, se dentro de um casamento houver o abandono por parte de um dos cônjuges, o cônjuge que foi abandonado pode ser casar, e seguir em frente em sua vida.

Este entendimento também está explicito na Confissão de Fé de Westimenster Capítulo 24:6, exposto a seguir:

Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular. não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o decidirem seu próprio caso. (Mat. 19:6-8; I Cor. 7:15; Deut. 24:1-4; Esdras 10:3.)

Portanto, nos cabe lembrar conforme foi citado no início deste texto que Deus odeia o divórcio, porém deixou instruções claras que protegiam a parte divorciada (Deuteronômio 24:1-4).

Da mesma forma, o Senhor Jesus expõe a EXCEÇÃO para permissão do mesmo, assim como o apóstolo Paulo em sua primeira epístola aos irmãos da igreja de Corinto.

E é de extrema importância ressaltar que no ambiente cristão, o divórcio sempre deverá ser a última saída. Cristãos autênticos buscam diante de Deus soluções verdadeiras para os seus problemas, mediante oração, perdão e arrependimento sincero. E sim, há muitos casos de casamentos cristãos que foram reconstruídos mesmo após o deslize por parte de um dos cônjuges.

Oremos, pare que os casamentos cristãos de nossos dias não enfrentem tais situações.

Que o Senhor os abençoe.

Valdirene Cardoso

Marco Aurélio Cicco

  1. 26 de maio de 2016

    A Graça e a Paz de Cristo Jesus.
    Mais um artigo muito bom, estou estudando temas reformados, artigos e conteudos reformados e tenho me impressionado com a diferença do entendimento de agora com meu passado, de fato hoje estou começando a viver um evangelho verdadeiro e não mais sendo iludido.

    Falando do tema desta mensagem, curti muito o artigo e compartilhei para que outros leiam e entenda o verdadeiro fundamento do que significa Casamento.

  2. 17 de agosto de 2016

    Boa tarde
    Achei muito interessante o artigo e concordo (em partes).
    Vamos criar um caso sem citar nomes (não uma fábula, pois isso pode estar ocorrendo agora mesmo).
    Caso: um casal hétero e crente depois de alguns anos começam a discutir e brigar. Qualquer um deles começa a trocar agressões. Imaginamos que seja o homem que agrida a mulher. O negócio vai aumentando e talvez ela até corra o risco de ser morta. Neste caso ela não pode se divorciar dele e se casar novamente? Tem que ir perdoando até ele matá-la?

    • 18 de agosto de 2016

      O que procurei deixar claro é que a VÍTIMA, ou seja, quem sofreu o adultério, pode seguir em frente. Usando do seu exemplo e com base em Coríntios, se uma mulher for abandonada (emocionalmente, fisicamente) e agredida, evidentemente que ela é uma vítima de um louco. Então, ela deve inclusive denunciar o agressor, e sim, com o divórcio, ela pode se casar de novo e ser feliz.

  3. 1 de setembro de 2016

    Casamento diante de Deus é um só. Quem fala em excessão para arranjar novos casamentos, abre brecha para a pessoa casar 10x se quiser. Sempre usando esse pretexto. O Cristão bem fundamentado entende que:
    -Se o cônjuge o trai e sai de casa por exemplo, ele deve continuar orando pela pessoa. Até seu casamento ser restaurado.
    -Separar não é pecado. Recasamento sim. E tem nome: adultério.
    Infelizmente oque mais existe hoje é lideres ensinando que “Oque Deus Uniu Ninguem Separa”, mas… se sua esposa te traiu… pode desunir e casar de novo.
    Quando tive um caso de adultério em minha família, graças a Deus tive uma igreja sábia para nos alertar sobre essas verdades. Hoje minha família foi restaurada. Houve uma cruz. Bemmm grande… mas na renuncia da carne, colhemos frutos que agradaram o coração de Pai! Louvo ao SEnhor até hoje pela vida desses irmãos em CRistos que foram firmes com a gente. EXplicando que deveriamos largar os adultérios e voltar para nosso conjuge.

  4. 2 de setembro de 2016

    Observo que Mt19:9 e 5:32 , estão mais relacionados ao ato de perdoar ,se realmente o tal ato se confirme .Para um bom examinador da palavra de Deus , um pingo com certeza é letra . Que o Espirito Santo vos instruam !

  5. 8 de dezembro de 2016

    Na verdade você foi bloqueado, não foi por refutação, pois você não ofereceu nenhuma. Repare que nos comentários do textos tem gente que não concorda com a idéia.
    O que você fez foi criticar sem nenhum filtro. E claramente, esse tipo de comentário não, fora da discussão teológica e totalmente pretencioso, não é mantido.

  6. 8 de junho de 2017

    Olá gostaria de um entendimento maior em certo caso.
    O marido esteve em união estável de 5 anos e filho mais deixou a mulher e se uniu a outra e com essa se casou em cartório e igreja. Qual desses casamentos realmente é o verdadeiro o primeiro de a união estável ou o segundo registrado em cartório.

    Também gostaria de uma definição se ambos forem no religioso um união estável e outro em cartório. Paz

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