Didática da Pregação  (Parte 2)

Planejar é preciso

Como eu planejo a pregação? Preciso mesmo fazer isso? Eu leio sempre a bíblia e a pregação desce do céu na hora. O Espírito Santo me dá a revelação da pregação na hora. Essas perguntas e essas afirmações são comuns e estão certas em parte. O Espírito Santo é nosso guia e ajudador, nos inspira no momento da pregação? É o que cremos[1]. Mas isso não exime a preparação. Planejar uma pregação não é colocar o Espírito Santo dentro de limites, mas sim é limitar-se por obra do Espirito Santo a dizer aquilo que deve ser dito.

O texto a seguir não se refere exatamente ao planejamento, ou seja, não quer tratar disso, mas vale o exame:

28Pois qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular as despesas, para ver se tem como acabá-la? 29Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele, 30dizendo: Este homem começou uma construção e não conseguiu terminá-la. 31Ou qual é o rei que, antes de entrar em guerra contra outro rei, não se senta primeiro para consultar se com dez mil pode ir de encontro ao que vem contra ele com vinte mil? 32Mas, pelo contrário, enquanto o outro ainda está longe, manda emissários e pede condições de paz[2].

            O texto fala sobre duas situações em que o planejamento é preciso, a construção de uma casa e na ida à guerra, lembre-se que pregar é pregar é construir e batalhar ao mesmo tempo. Nos dois exemplos, sem planejamento o trabalho é infrutífero ou não acaba bem.

            Nesses anos como professor creio que fui muito infrutífero, até me dar conta que era preciso fazer diferente do que eu fazia, isso é algo que você deve considerar na pregação, mas fazer diferente não significa fazer o que a Palavra de Deus rejeita e condena, tenha isso claro em sua mente. Quando digo fazer diferente me refiro à forma, ao modo. Quero falar de uma técnica de planejamento chamada “alinhamento construtivo”.

No alinhamento construtivo partimos do objetivo, já falei disso anteriormente, vou ser mais extenso na explicação agora. Quando vamos planejar uma aula ou uma pregação, pensamos em primeiro lugar sobre o conteúdo que será dito e quase nunca ou nunca no objetivo. Mas considere isso um fator determinante para o bom resultado do que pretende.

Quando partimos em uma viagem com um loca em mente, traçamos uma rota e vamos por ela, não corremos o risco de nos perder no caminho. Quando o professor e o pregador sabem onde querem chegar com aquela hora de fala, o risco de se perder nas ideias e na compreensão pelos outros também será menor.

Repito, trace um objetivo geral para sua comunidade e, a partir dele, trace objetivos específicos que você vai tratar nas pregações, isso vai garantir a saúde espiritual dos que te ouvem. Seria bom que você tomasse alguns dias e, depois de oração continua, definisse um planejamento anual com um objetivo geral, depois planejasse objetivos específicos para que esse objetivo geral seja alcançado.

Esses objetivos específicos serão aqueles que você vai tratar nos cultos. Pergunte-se: “O que quero que aprendam com a pregação?”, isso é pensar o objetivo da pregação. Ou quem sabe: “Porque quero expor a carta de Paulo aos romanos?”, você terá uma razão, um objetivo para a exposição da carta, seja mais especifico depois de ter a resposta para essa pergunta “onde quero chegar com essa exposição?”. Pode parecer a mesma coisa, mas a segunda é mais profunda na sua finalidade. Talvez fazendo-a você desista de ensinar o que pensou por perceber que não é o momento ou que as suas razões não são de acordo com a vontade de Deus.

O construtor tem como objetivo construir uma torre, é um objetivo específico. Já o rei tem como objetivo geral não morrer nem ter seu reino destruído, e seu objetivo específico é ou vender a batalha ou conseguir a paz dependendo da sua analise.

Com o objetivo pronto pense em como você vai “verificar a aprendizagem”, ou seja, como saberá que estão entendendo. Pode ser que no final você os estimule a responder, talvez enquanto fala, quem sabem pense numa atividade após a pregação, como chamar a orar por aquilo e pedir que uma pessoa ou mais, ore visando o objetivo ensinado. Essa verificação é sua prova de que as pessoas, sua maior parte pelo menos, aprendeu com a pregação. Numa aula diríamos que uma avaliação, uma prova. No culto não deixa de ser isso, pois será como o pregador medirá seu ensino, podendo melhorar sua didática na próxima vez.

Depois e definido o objetivo e como irá verificar se os ouvintes aprenderam, é a vez de pensar nos conteúdos, no exemplo da exposição da carta aos romanos, o conteúdo é a própria carta. Caso o objetivo seja “ensinar sobre o pecado de Adão e suas consequências”, por exemplo, o conteúdo será outro, você pode usar outros textos da Palavra para instruir as pessoas.

Seria muito interessante que você escrevesse o que vai dizer, pode ser de modo simples, mas um esboço é um bom auxiliar. Quando decidir os conteúdos é preciso pensar como dizer e, particularmente tenho uma maneira que acredito ser a melhor:

  1. Ensine sobre o texto, explique o que ele quer dizer, para quem foi escrito e porque se for o caso.
  2. Encontre e depois revele Jesus no texto que está ensinando, ou seja, qual a relação desse texto com Jesus.
  3. Como aplico esse texto na minha vida, ou seja, “o que tem a ver comigo?”, afinal essa é uma pergunta que cada um deve se fazer, mas nem sempre o fazem, seja por que não conseguem seja por que não querem, mas seu papel é dize-lo.

Conclusões particulares sobre um assunto que está sendo ensinado pouco ou em nada ajudam o que aprende. Você estará ensinando sobre a Palavra de Deus, importa o que Deus quer comunicar com seu povo, não o que você “acha” que o texto quer dizer ou o que você pensa sobre o texto. Ensine o texto, no contexto, sem pretexto.

Observe o esquema abaixo (CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

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Consegue perceber que o objetivo define os conteúdos e a verificação, e a verificação também vai ajudar a definir os conteúdos? Espero que tenha clareado em sua mente como deve ser feito através desse esquema.

O alinhamento construtivo é uma proposta do psicólogo e professor John Biggs, foi-me apresentada em curso que participei tendo como referência o livro Aula nota 10 de Doug Lemov[3]. Depois de ter conhecido essa proposta e experimentado em sala com relevante êxito, penso que ela pode ser aplicada também no contexto da pregação, facilitando o entendimento do ouvinte e o trabalho de preparação por parte do pregador.

 

Finalmente

Como você vê, são técnicas humanas, falhas e passiveis de não dar certa e quase nunca dão, se confiamos nelas como solução. No entanto, sem a oração e vida com Deus, nenhuma das melhores técnicas é boa. Nenhuma dela é eficaz para a pregação enquanto fim. Quero dizer, elas não são a solução, mas são de grande ajuda.

A técnica do alinhamento construtivo, aliada aos pontos que propus nada são sem a presença de Deus e a ação do Seu Espírito. Quando eu digo em ter vida com Deus, estou me referindo a uma vida como discípulo de Cristo, em oração, leitura e meditação da Palavra feitos diuturnamente.

Seja sábio, peça a Deus que nos dá e não lança em rosto, não seja escravo da eficiência, ela não depende de você, mas do Espirito que o é. Seja claro, simples e objetivo. Ame ensinar as coisas do Senhor, ame o Senhor, ame seu próximo. Seja humilde, ensine e aja com humildade diante da comunidade que te ouve e vê. Não imagine que é você o redentor de quem te ouve, isso é pecado, afinal Cristo o é. Seja empático e reconheça as diferenças de entendimento que pode haver, para ajudar nisso, planeje. Seja envolvente, não maçante nem repetitivo, saia da pregação e pregue Cristo.

 Lembre-se:

12[…] a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qualquer espada de dois gumes; penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é capaz de perceber os pensamentos e intenções do coração. 13E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão descobertas e expostas aos olhos daquele a quem deveremos prestar contas[4]. (Grifo nosso)

A função ou objetivo último da pregação é o ensino e o anuncio do evangelho. Diante disso, trace os objetivos para o ensino da Palavra de Deus, buscando esse objetivo último à ser alcançado. Corra a carreira, tenha fé.

Espero em Deus ter contribuído com seu aprendizado, minha oração é que o Senhor lhe capacite e o ajude na sua caminhada ensinando Seu povo. A responsabilidade do que ensina é muito grande a aspira cuidado da nossa parte para que sejamos fieis às ordens de nosso Salvador Jesus Cristo.

1Portanto, também nós, rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, depois de eliminar tudo que nos impede de prosseguir e o pecado que nos assedia, corramos com perseverança a corrida que nos está proposta, 2fixando os olhos em Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o qual, por causa da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da vergonha que sofreu, e está assentado à direita do trono de Deus. 3Assim, considerai aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis e fiqueis desanimados. 4No combate contra o pecado, ainda não haveis resistido a ponto de derramar sangue. 5Já vos esquecestes do ânimo de que ele vos fala como a filhos: Filho meu, não desprezes a disciplina do Senhor, nem fiques desanimado quando por ele és repreendido. 6Pois o Senhor disciplina a quem ama e pune a todo que recebe como filho. 7É visando à disciplina que perseverais. Deus vos trata como filhos. Pois qual é o filho a quem o pai não disciplina? 8Mas, se estais sem disciplina, da qual todos se têm tornado participantes, então, não sois filhos, mas filhos ilegítimos. 9Além disso, tínhamos nossos pais humanos para nos disciplinar, e nós os respeitávamos. Logo, não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, e assim viveremos? 10Pois eles nos disciplinaram durante pouco tempo, como bem lhes parecia, mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para sermos participantes da sua santidade. 11Nenhuma disciplina parece no momento motivo de alegria, mas de tristeza. Depois, porém, produz um fruto pacífico de justiça nos que por ela têm sido exercitados[5].

À Ele a glória, hoje e sempre, amém!

Rogério Moreira Penna

[1] Ibdem. Mateus10:20; Lucas 12.12

[2] Ibdem. Lucas 14:28-32

[3] LEMOV, Doug. Aula Nota 10: 49 técnicas para ser um professor campeão de audiência. Trad. Leda Beck, São Paulo: Da Boa Prosa: Fundação Lemann, 2011.

[4] Ibdem. Hebreus 4:12-13

[5] Ibdem. Hebreus 14:1-11

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