Desconfortos Necessários

Se você está à procura de uma religião que o deixe confortável, definitivamente eu não lhe aconselharia o cristianismo. (C.S. Lewis)

O caríssimo C.S. Lewis foi extremamente assertivo quando fez a afirmação supracitada. Pois é bem verdade que na caminhada cristã, vamos lidar com o desconforto em praticamente 100% do tempo.

Essa percepção oferece um choque de realidade muito severo. Em um mundo caído que não mede esforços e nem recursos para tempos de “paz interior”, como se pudesse produzir isso em si mesmo, lidar com a dor do desconforto tem sido o trauma e dilemas de muitas pessoas.

Ou seja, é muito comum encontrarmos cristãos que não querem ou passam por crises de “fé” quando a vida apresenta os descaminhos que são comuns a todos, como se o fato de crermos em Deus nos livrasse de sofrer decepções.

Claramente, com isso, não quero dizer que é ilícito o desejo de não enfrentar problemas. Muito pelo contrário. Temos sim que buscar viver uma vida em equilíbrio e ter paz.

Mas fato é que o Cristianismo causa muito desconforto em nós. Primeiro, porque o primeiro ataque à nossa zona de conforto passar pelo ambiente da consciência. Segundo porque conforme nossa consciência é transformada, nossas atitudes seguem por esse caminho.

E sim, agir de acordo com os valores do cristianismo é uma ofensa ao mundo que estamos inseridos.

Porém, a contrapartida disso, é que é um fato consumado que as dificuldades nos ensinam. E como ensinam. Os desconfortos trazem a tonas quem somos, mas principalmente, quem deveríamos deixar de ser.

Com o passar dos anos na caminhada cristã, percebo que há uma necessidade diária de aflições e desconfortos que temos que enfrentar, para que possamos amadurecer na fé.

Tendo isto em mente, proponho dois pontos de reflexão para que possamos ser corajosos e ousados para encarar de frente os desconfortos, que entendo que são necessários, para o nosso amadurecimento cristão:

A dura percepção de quem somos: não é fácil lidar com o fato de que todos somos pecadores perdoados. Por vezes, quando não compreendemos o valor do perdão que recebemos de Cristo, tendemos a não nos considerar dignos de fazer algo em relação ao Reino. É extremamente desconfortável lidar com essa realidade, pois chegamos à conclusão que se dependesse exclusivamente de nossos esforços, estaríamos perdidos. Há um desconforto gigante quando nos lembramos do que nós fomos salvos.

Porém, essa percepção é justamente a razão que precisamos para seguir servindo como Cristo nos ensinou. Me lembro de Paulo citando a realidade em 1 Timóteo 1:15, que ele mesmo, Paulo, era o pior dos pecadores, porém, quando vemos o seu empenho na propagação do Evangelho, sabemos que esta consciência não o impediu de servir, na verdade, foi a motivação dele.

Pode ser que em algum momento de nossas vidas pensamos que o perdão de Deus não nos alcança. Por vezes consideramos nossos erros imperdoáveis, e cometemos a grande falha de não nos perdoa pelo passado, sendo que Deus já nos perdoou mediante o arrependimento.

Já perdi a conta do número de pessoas que me pediram aconselhamento pastoral falando sobre entenderem que não mereciam o perdão. E se dependesse de nós não mereceríamos mesmos. Mas se cremos em Cristo e na Obra de Redenção realizada na Cruz, devemos ter maturidade para entender que o mérito não é nosso. É praticamente um “tapa na nossa cara” humilharmos nossos achismos para nos rendermos a esta realidade.

É, eu sei que é bem desconfortável.

A percepção de quem somos NELE: somos novas criaturas. Tudo se fez novo. E entendermos que fomos e estamos reconciliados com Ele deve mudar a percepção de quem somos.

A Bíblia nos dá fundamento para esse raciocínio: Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; 2 Coríntios 5:17,18.

Como novas criaturas precisamos aprender que valores nocivos devem ser deixados para trás. E com isso não estou afirmando que não há uma renúncia diária e uma busca constante. O que estou dizendo é que nosso passado não nos define mais e que ele está no lugar que ele tem que estar, que é no passado.

Precisamos entender que temos um novo rumo, um novo norte a ser perseguido, que é Cristo. E que o nome de Cristo seja glorificado em todas as áreas de nossas vidas. E que nEle vencemos o mundo, e que nEle temos bom ânimo de seguir em frente. E que dEle e por Ele são todas as coisas.

Compreendemos que se não fosse a graça irresistível que nos chamou das trevas para a luz, nós estaríamos andando em círculo, vivendo uma vida sem sentido e sem significado. Vivendo sem a profunda consciência de quem somos nEle.

Que vida sequer pode ser chamada de “vida”, sem a presença de Cristo? Já parou para pensar nisso?

Pois pense. Ore sobre. Reflita.

Por fim, reitero a opinião de Lewis de que, de fato é o cristianismo não é confortável. Porém, ouso fazer um pequeno complemento, que é desconfortavelmente necessário seguir o caminho de Cristo.

Sigamos juntos, em oração.

Deus o abençoe!

Rev. Marco Cicco

  1. 25 de setembro de 2018

    Ótima reflexão pastor e puramente verdade.

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