Como Você Define a Alegria

Ao iniciar esta série sobre a alegria na carta de Paulo aos Filipenses, pareceu-me melhor que devêssemos começar com uma definição de alegria. As definições são simplesmente descrições da forma como as pessoas usam palavras. As palavras não possuem definições intrínsecas. As definições são dadas pelo modo como as pessoas as usam. Quando digo que quero definir alegria para você, pergunto: De qual alegria estamos falando, ou de qual uso da palavra estamos falando?

Quero falar de alegria como o apóstolo Paulo a usa em suas cartas, e particularmente no livro de Filipenses. Não estou apenas perguntando sobre o significado da alegria em geral. Estou falando da alegria cristã, como o apóstolo Paulo descreve. Então, deixe-me dar-lhe a minha definição e, em seguida, comentá-la um passo por vez:

“A alegria cristã é um bom sentimento na alma, produzido pelo Espírito Santo, pois ele nos faz ver a beleza de Cristo na palavra e no mundo”.

Um bom sentimento

A alegria cristã é um sentimento bom. Com isso, quero dizer que não é uma ideia. Não se trata de uma convicção. Não se trata de persuasão ou decisão. É um sentimento. Ou – usando ambas as palavras como sinônimos – uma emoção. Uma das marcas da diferença entre uma ideia e uma emoção ou sentimento é que você não tem controle sobre seus sentimentos ou emoções. Você não pode estalar os dedos e decidir sentir algo.

Por exemplo, digamos que você está indo acampar. Você acorda, e lá está a silhueta gigantesca de um urso do lado de fora de sua barraca, um urso pardo. Ele parece faminto. Você não diz: “Ah, deixe-me pensar sobre isso”. Afinal, há um urso! Ursos são grandes, são perigosos; você deveria sentir medo. Então você decide ter medo. Bem, emoções não funcionam assim. Pensar funciona assim, mas sentir não. Acontece com você, e a Bíblia está cheia de comandos para fazermos as coisas que estão imediatamente fora do nosso controle, comandos para nos alegrar, para temermos, para sermos gratos, para sermos sensíveis.

Uma das razões pelas quais eu sou o tipo de cristão que eu sou, com a teologia que tenho, é que eu sei que a Bíblia requer de mim coisas que eu não posso produzir de imediato pelo meu próprio poder ou querer. Estou caído. Eu sou pecador. E ainda sei que devo sentir as emoções que a Bíblia espera que eu sinta. Eu sei que sou culpado.

Santo Agostinho disse: “Pai, ordene o que quiseres e concede o que ordenas”. Ele sabia que Deus ordenava certas emoções que ele não poderia fazer acontecer sozinho. Então ele orou: “Oh Deus, se você vai me ordenar essas coisas, dê-as para mim quando você quiser comandá-las”.

Então, a primeira parte dessa definição é que a alegria é um bom sentimento.

Na alma

A segunda parte da minha definição é que o bom sentimento está na alma. Por isso, estou chamando a atenção para o fato de que ele não está no corpo. A alma, a parte imaterial da minha personalidade, experimenta a alegria. O corpo pode sentir os efeitos disso. Posso ficar com borboletas no estômago. Posso ter uma mola nos meus passos. Pode haver lágrimas de alegria rolando pelo meu rosto. Nenhum desses efeitos no meu corpo, no entanto, é a própria alegria. Eles são todos distintos da alegria.

O corpo é composto por produtos químicos, músculos e nervos. É composto de elétrons, átomos e moléculas. E quando essas moléculas se movem, esse não é um evento moral. O corpo não tem o certo e o errado. Um movimento do meu braço para trás e para frente não tem significado moral, até que eu diga por minha vontade ou minha emoção para perfurar alguém. Então, torna-se ruim. Ou abraçar alguém necessitado. Então, torna-se bom. Minha alma transmite a virtude, certa ou errada, às partes físicas da minha vida.

A Bíblia claramente diz que é certo sentir alegria em Deus. Também, é errado estar preocupado com esta ou aquela situação. Há uma correção e um erro para essas emoções, e essas emoções precedem os movimentos corporais que se seguem. Os sentimentos são movimentos da alma.

Produzido pelo Espírito

A terceira parte da definição é que esses movimentos da alma são produzidos pelo Espírito Santo, o que é óbvio, pois não posso fazer essas coisas acontecerem. Eles são chamados de “frutos do Espírito Santo”. “O fruto do Espírito [Santo] é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22-23). Portanto, a alegria transbordando em minha alma para Deus vem do trabalho do Espírito Santo em mim.

Uma visão de Jesus

A quarta parte é que o Espírito Santo faz este trabalho, não magicamente, sem a minha mente estar envolvida, mas fazendo-me ver a glória e a beleza de Jesus Cristo.

Filipenses 3:1 diz: “Alegre-se no Senhor”. Como você se alegrará no Senhor, se você não sabe nada sobre Ele? Como você se alegra com o Senhor, se você não está vendo coisas sobre o Senhor que fazem a alegria levantar-se em seu coração? Essa é a obra do Espírito Santo. Ele não é apenas um interruptor (um botão de liga/desliga), e também você não se alegra sem nenhum conteúdo mental. O Espírito Santo é dado, de acordo com João 16:14, para glorificar a Jesus Cristo, o que significa que o Espírito Santo abre os olhos do meu coração para ver a beleza de Cristo. Quando vejo Cristo em tudo o que Ele está fazendo, e tudo o que Ele é, então meu coração é atraído pela alegria que há Nele. O Espírito Santo dá esse fruto fazendo com que vejamos a beleza de Jesus Cristo.

Na Palavra e no Mundo

A última parte é que o vemos em sua Palavra e no mundo. É óbvio que o lugar mais autoritário e mais claro onde vemos a beleza de Cristo está em sua Palavra, a Bíblia. É por isso que o Espírito Santo inspirou a Palavra, para que a pudéssemos ler e conhecer a Cristo. O Espírito nos dá olhos para ver as belezas de Jesus que chamam a alegria para fora de nossos corações.

Todavia, não é apenas na Palavra que vemos Cristo. Nós O vemos em seus dons e nas pessoas. Nós O vemos em seus dons da natureza. Nós O vemos em seus dons de alimentos, e em todas as coisas boas que nosso Pai Celestial nos dá. Todo dom de Cristo para nós está destinado a ser uma comunicação de algo Dele próprio. Então não apenas vemos a Cristo (e provamos a Cristo) em sua Palavra, mas também em suas obras.

Por fim, concluímos que a alegria é um bom sentimento na alma, produzida pelo Espírito Santo, e Ele nos faz ver a beleza de Cristo na sua Palavra e em sua obra.

Original: How do you define joy?  por John Piper

Traduzido por Camila Plens.

Revisão: Giselaine Daniel

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