Como Devemos Pregar Eclesiastes-

Todo pregador tem que abrir as Escrituras e explicar o trajeto que fazemos quando partimos com “no princípio, Deus” (as palavras de abertura da Bíblia) e chegamos à “Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja sobre todos vocês” (suas palavras de encerramento).

Se não fazemos isso, somos como aquelas pessoas que leram o título do livro “Os Três Mosqueteiros” e mergulharam de cabeça no meio da história. O fato de que “Os Três Mosqueteiros” conta uma história sobre quatro mosqueteiros nos confundirá, a menos que voltemos, leiamos do começo e fiquemos atentos até o fim.

Seis sugestões

O livro de Eclesiastes nos situa bem à depois do início e muito antes do fim da história. Visto em si mesmo, ele pode parecer um livro estranho. Então, como podemos pregá-lo?

Espero que essas seis sugestões possam auxiliá-lo.

1. Eclesiastes descreve a vida após o Éden e antes do céu.

É como se um homem fugisse de casa antes de uma invasão e, anos depois, retornasse às suas ruínas, seu clamor chega a nós. Ele sabe o que era o Éden e agora o vê e como ele está – a decadência da sua antiga glória.

O livro de Eclesiastes brilha como um farol voltando às águas do Antigo Testamento de patriarcas com falhas e reis pecaminosos. Ele pulsa indo para o mundo do primeiro século que crucifica criminosos publicamente e à vista de todos. A “vida debaixo do sol” nos lembra de onde caímos e por que um Salvador é necessário.

2. Eclesiastes revela Deus para nós.

Muitos querem remodelar esse livro e nossos sermões sobre ele para que se assemelhem a Isaías ou a Paulo, para que se alinhem com a linguagem da Teologia Sistemática e para que nos coloquem apresentáveis diante de outras pessoas. Mas Eclesiastes não permitirá isso. Torça-o para a sua zona de conforto e você perderá o que esse texto inspirado por Deus revela sobre Ele.

Há mais a respeito de Deus do que apenas Isaías e Paulo podem mostrar.

3. Eclesiastes exalta a alegria das coisas comuns.

Não perca de vista a alegria. Muitas vezes Eclesiastes nos diz: “Não há nada melhor debaixo do sol” do que experimentar o prazer pretendido por Deus no trabalho, na comida, nos relacionamentos e no sono. Se usarmos os dons de Deus como mini deuses, somos como aquelas pessoas que tentam jogar futebol com uma melancia. A melancia não foi projetada para suportar nossos chutes e se desintegrará. Mas, se desfrutamos dos generosos dons de Deus da maneira que Ele pretendia, não como mini deuses, mas como gentilezas, então nos tornamos sábios em encontrar a grande alegria que persevera debaixo do sol.

4. Eclesiastes oferece as exceções às regras.

Quando qualquer um de nós aprende um idioma, ficamos entusiasmados por um momento, vibrando com o progresso satisfatório que obtivemos. Então vem o dia em que o professor nos informa que há exceções às regras que memorizamos. No inglês, “I” vem antes de “E” – exceto depois de “C” e, às vezes, de “Y” e com palavras que se parecem com “neighbor” (vizinho) e “weigh” (peso). Provérbios nos dizem, essencialmente, que “faça o bem e coisas boas se seguirão, faça o mal e coisas más sobrevirão”. Então Eclesiastes surge (como Jó) e diz que coisas ruins acontecem com aqueles que fazem o bem e coisas boas acontecem com aqueles que fazem o mal. Deus nos deu o livro de Eclesiastes por precaução, caso desejássemos usar o livro de Provérbios para transformar o discipulado em uma fórmula.

5. Reconheça o valor de Eclesiastes para o evangelismo e para a apologética em nossa geração.

Pessoas que frequentam a igreja podem relutar com o fato de Eclesiastes soar tão estranho quando comparado a Jeremias ou Paulo. Mas o não cristão atencioso muitas vezes fica chocado e atraído por esta maneira de falar sobre a vida e Deus. Um pregador que tem a honestidade de dizer: “A vida não tem sentido” ou “Eu odeio a vida”, permite que o ouvinte se sinta reconhecido e ouvido por aqueles que falam em nome de Deus. O pregador dá voz ao modo como as coisas são ao invés de como desejamos que elas sejam. A esperança oferecida tem valor. O Deus que fala não soa como um homem velho que precisa de ajuda para usar um iPad. Ele soa como o Deus que criou tudo isso e vê a ruína, sente a perda, a experimenta conosco e nos leva para casa.

6. Expanda sua capacidade de contemplar a Jesus, não apenas como profeta, sacerdote e rei, mas também como cumprimento do sábio do Antigo Testamento.

Jesus nos fala a respeito de si mesmo: “Aquele que é maior que Salomão está aqui” (Mt 12:42). Paulo retoma o que Jesus ensinou e passa para nós. Jesus, ele diz, é a sabedoria de Deus (1Co 1:18-31). Todos os tesouros da sabedoria e conhecimento estão ocultos em Cristo (Cl 2:3). Ver Jesus como nossa sabedoria não o convida a procurar por ele com se ele estivesse escondido em códigos dentro de cada texto em Eclesiastes. O sábio que escreveu o livro não pretendia isso. Nossa tarefa não consiste em encontrar indícios divinos de Jesus onde não há nenhum escondido. Mas reconhecer Jesus como aquele que é maior que Salomão significa que não podemos ler, interpretar e pregar corretamente Eclesiastes como se a sabedoria que ele apresenta encontrasse sua fonte e propósito em algum lugar fora de Jesus – como se o Pai e o Espírito nos dessem sabedoria sem referência ao Filho.

Três Sugestões

Então, como proclamamos Jesus em Eclesiastes? Aqui estão três sugestões:

1. Conecte a linguagem de Eclesiastes com a linguagem de Jesus.

Você pode dizer: “Agora, enquanto caminhamos através de Eclesiastes 10, os provérbios podem desorientar alguns de nós. Isso pode nos ajudar a lembrar que Jesus frequentemente revelou Deus a nós da seguinte maneira. Jesus diria: “Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão no buraco” ou “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça”. Então, quando ouvimos o sábio dizer: “As moscas mortas fazem com que o óleo do perfumista se corrompa e produza mau cheiro”, reconhecemos o tipo de linguagem que Jesus usava frequentemente”.

2. Conecte os ensinos de Eclesiastes aos ensinos de Jesus.

Eclesiastes nos ensina sobre dinheiro, sexo, poder, ambição e assim por diante. Explique o texto em Eclesiastes e diga algo como: “Jesus também aborda esse tema, não é?”, ou talvez, “Lembremo-nos que séculos depois, aqueles que seguiram a Jesus falaram sobre essa mesma questão”. Em seguida, cite ou faça uma breve referência sobre como o que Jesus ou os seus apóstolos ensinaram sobre esse tema informa ou corrobora com Eclesiastes.

3. Conecte Eclesiastes com a pessoa e a obra de Jesus.

Aludir à pessoa de Cristo pode soar assim: “Eclesiastes 10:10 nos diz que o trabalho duro requer um descanso estratégico. Anos depois, aquele que é maior que Salomão sentou-se próximo a um poço, ao meio dia, para descansar. Cansado do dia, dormiu num barco e guardou o dia de descanso no Sábado.

Em última instância, declarar a obra de Cristo se assemelha a dizer: “Este texto expõe como a insensatez nos destrói. Ele prenuncia por que o Deus que deu esse livro e ensinou a Israel essa sabedoria finalmente enviou o Seu Filho, o cumprimento de toda a sabedoria, para pagar pela loucura e nos regatar dela”, ou talvez, “Eclesiastes nos mostra que mesmo a sabedoria não pode nos salvar nem mudar as condições da vida debaixo do sol. Aquele que é maior que Salomão é necessário”.

Não negligencie esse livro estranho. Ele é cheio da sabedoria que tanto a igreja quanto o mundo precisam desesperadamente ouvir. Acima de tudo, ele nos conecta com a sabedoria encarnada, o Senhor Jesus Cristo.

Traduzido por Tiago Silva e revisado por Jonathan Silveira.

Texto original: Preacher’s Toolkit: How Should I Preach Ecclesiastes?. The Gospel Coalition. Publicado com permissão.

via: TUPORÉM

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