Apelo Evangelístico  (Gerando Falsas Conversões)

”É muito mais fácil uma pedra chorar e um deserto inteiro florescer, do que um pecador se arrepender por sua própria vontade.” – Charles H. Spurgeon

 

A igreja evangélica moderna em sua maioria adotou definitivamente o método do famoso “Apelo Evangelístico”, aquele momento próximo ao fim do culto em que o pregador começa a se utilizar de artimanhas emocionais para convencer os não-cristãos aceitarem a Cristo, alguns diminuem a luz do ambiente, outros pedem para serem tocadas canções que se adequem ao momento, pode ser só o som do teclado de fundo por exemplo, conta-se histórias comoventes, muda-se o tom da voz, e cria-se todo aquele clima emotivo para sensibilizar o pecador presente, uma verdadeira atmosfera espiritual.

A princípio, gostaria de frisar que é o Espírito Santo que age em nós e ele não precisa da nossa ajuda para trabalhar. Em João 3:8 diz que “o vento sopra onde quer, e ouves o seu som; mas não sabes de onde ele vem nem para onde vai; assim é todo que é nascido do Espírito.” Portanto, ele não precisa de métodos carnais de condução, indução ou facilitação para agir no coração de um pecador e gerar/produzir conversões.

Através de um apelo emocional, muitas mãos podem levantar, muitas lágrimas podem cair, mas a conversão genuína e sólida só ocorre quando é o Espírito Santo que age, atraindo o pecador de forma eficaz. O seu teclado, as suas luzes, a sua voz, toda a sua performance… Nada disso é relevante mediante a poderosa ação do Santo Espírito no coração humano, quando intenta de fato, regenerá-lo.

Venhamos e convenhamos, o apelo evangelístico põe de lado a soberania de Deus quando, por exemplo, algum descrente recusa-se a “aceitar” a Cristo, adiando essa decisão para um outro dia, fica claro aí que a soberania do homem se sobrepõe a soberania de Deus, pela errônea ideia de que ele pode decidir quando e como será a sua melhor hora de ir a Cristo. Porém, as Escrituras relatam que a nossa salvação não depende de nós, mas única e exclusivamente da vontade de Deus (João 1:13), onde antes da fundação do mundo Ele já havia nos predestinado segundo a boa determinação da sua vontade (Efésios 1:4,5), nos concedendo graça e misericórdia, salvando-nos por meio da fé… E isso é dom de Deus, não vem de nós (Efésios 2:8).

Outro ponto a se destacar é que em Romanos 10:17 diz que a fé vem pelo ouvir e ouvir, pela Palavra de Deus. Logo, o Espírito Santo age através da exposição fiel e clara das Escrituras Sagradas. O centro da mensagem precisa ser a glória de Deus, alinhado ao propósito de mostrar a condição pecaminosa do homem e apontar-lhe a solução, que é Cristo. A verdade das Escrituras produzirá novas criaturas, trará pecadores à vida, visto que a verdade liberta (João 8:32). O grau de fidelidade à Palavra é que gerará os verdadeiros convertidos, sem mentiras, sem manipulações. Pregações fracas geram conversões falsas.

Em Atos dos Apóstolos 2:37 ao 47 no relato das primeiras conversões, Pedro quando pregava ele não se utilizava de artimanhas e facetas para convencer as pessoas a seguirem a Cristo, pelo contrário, ele pregava um Evangelho puro e simples, as verdades do Evangelho eram expostas de forma clara e objetiva e aqueles que acolhiam suas palavras procuravam-o pedindo para “salvá-los desta geração perversa”, eram batizados, e nisso ajuntaram-se quase 3 mil pessoas num só dia… Sem apelo emocional!  E no final do texto diz que o Senhor lhes acrescentava a cada dia os que iam sendo salvos.

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dous a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que me deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebata-las da mão de meu Pai.” (João 10:27 ao 29)

O problema do apelo evangelístico é que são estratégias carnais e antibíblicas. E tudo aquilo que não está de acordo com as Escrituras tem que ser rejeitado, “AINDA QUE FAÇA CHOVER MILAGRES TODOS OS DIAS”, dizia Lutero.

Não quero generalizar, mas através do apelo emocional muitos levantam as mãos e pouquíssimos continuam na caminhada cristã. Muitos se deixam levar por um quebrantamento momentâneo que logo passa quando o verdadeiro preço por seguir a Cristo aparece.

A verdadeira conversão é algo muito mais complexo do que possamos imaginar. O apelo acelera um processo que de forma alguma deveria ser acelerado. Oferecer Cristo como um produto e a salvação como um brinde, são de fato, atitudes repugnantes, perversas, maldosas e mentirosas. Na verdade, nós é que precisamos ser aceitos por Jesus. O apelo cria uma imagem da salvação errônea, que necessita de uma confissão pública de que Jesus é salvador, frequência nos cultos, fazer parte de grupos, dizimar e ofertar e fim… Não, esse é o Evangelho raso. O Evangelho verdadeiro vai muito, mais muito além disso tudo. Evangelho não é religiosidade, é Vida! Evangelho não é o momento, é a eternidade!

Patrícia Castro

  1. 22 de dezembro de 2016

    Patrícia Castro, olá. Eu compreendo que o chamado ‘apelo’, de fato, dá uma falsa convicção à pessoa de que conheceu a Cristo e que está ‘salva’. Mas tenho uma dúvida quanto à conversão: Romanos 10:9 diz: “Se, com tua boca, confessares ao senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.” Esse ‘com tua boca confessares’ não significa uma resposta afirmativa à uma pergunta (no caso o ‘apelo’)? Se não é isso, então como ocorrerá a ‘conversão’ e a ‘salvação’?
    Agradeço a atenção.
    Ana Elisa

    • 22 de dezembro de 2016

      Não significa uma resposta ao apelo, porque a crítica é contra o método, como se o meio em si mesmo fosse dar o resultado de alguém ser salvo. Efésios 2:8-9 deixa claro que a fé e a salvação vem de Deus, logo, se alguém confessa verdadeiramente, isso é resultado de uma conversão genuína, e claramente, não de um método, qualquer que seja.

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