Ao Senhor Deus

“Ao Senhor, teu Deus, temerás; a Ele servirás, a Ele te achegarás e, pelo seu nome, jurarás” (Dt 10.20).

Há algum tempo, navegando nos mais diversos sites e blogs sobre teologia, deparei-me com este versículo, e imediatamente algumas palavras saltaram-me aos olhos. Meu desejo, então, com este breve artigo, é fazer uma análise sobre o texto acima exposto.

Em primeiro lugar, convém falar sobre o início do versículo, onde Moisés escreve “ao Senhor, teu Deus”. A intenção contida nestas palavras é a de lembrar ao povo que o Soberano sobre Israel, e estendendo-se pela Graça à Igreja, é o Senhor. Devemos nossas vidas a Deus, e isso é claro nas Escrituras. Não há outro “deus”, outro “senhor”, além do nosso Deus e Senhor. O Todo Poderoso, Onipotente, Onipresente, Onisciente, é Deus, e não outro.

Moisés, ao relatar o que lemos, utiliza das expressões hebraicas que, transcritas ao português, expressam a “autossuficiência” de Deus, seu caráter ilibado como Justo Juiz e como o “Todo Poderoso”. Esse, leitor, é o nosso Deus.

Em segundo ponto, é necessário falar ainda sobre o primeiro verbo apresentado no versículo, “temerás”. “Temer” vai muito além do que conseguimos pensar, normalmente. É comum o a ideia de que “temer a Deus” simboliza ter “respeito por Deus”. Entretanto, ao analisar o texto original, entende-se que este vocábulo empregado quer dizer, expressamente, “ter medo”. É ter um “medo reverente”, algo que vai além do “apenas” respeitar. Cristo, por exemplo nos deixa uma lição bem clara sobre isso:

“E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei” (Lc 12.4-5).

Ora, o único que tem poder para lançar alguém no inferno é o próprio Deus. Devemos sim temê-lo, lembrando de seus feitos assombrosos e, ao mesmo tempo, maravilhosos. Afinal, “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).

Em terceiro ponto, desejo tecer alguns comentários sobre o “servirás”. Sendo Deus o Todo Poderoso, a quem devemos temer, de maneira que não apenas respeitamos, mas reverenciamos de forma humilde, a Ele também devemos servir. Este “servir” significa “ser útil”, “prestar serviços”, “ter serventia”. Vemos, no texto em hebraico, que a palavra utilizada por Moisés faz menção do modo como um escravo serve a seu senhor – sem questionar. Assim devemos ser também!

Não podemos, em hipótese alguma, crer que temos o direito, a capacidade, de questionar ao Senhor. Somos apenas servos, vasos nas mãos do Oleiro, criaturas sob o comando do Criador. Quando recebemos uma ordenança divina, devemos apenas executá-la, sabendo que se de Deus realmente recebemos aquilo, haverá sempre um propósito maior por trás de cada ato realizado.

Em quarto lugar, é bom também aplicar este texto à analise da expressão “chegarás”. A ordenança é clara: devemos estar sempre próximos ao Senhor. Ele é a nossa fonte inesgotável de vida, o único capaz de trazer luz ao nosso ser. Devemos seguí-lo de forma próxima, estando sempre aos pés do Senhor, “cobrindo-se com a poeira que é levantada pelo seu calçado”. Paulo, em Ef 5.18, determina que devemos, constantemente, estar cheios do Espírito de Deus.

Em quinto lugar, e com intuito de terminar as análises, anseio por tecer alguns comentários sobre “pelo seu nome, jurarás”. Devemos viver pelo bom nome do Senhor. Nossas atitudes devem ser certeiras, corretas, pois carregamos conosco o nome, “a fama”, de nosso Deus. Jesus nos afirma que nossa palavra deve ser, sempre, “sim, sim; não, não” (Mt 5.37).

Termino, então, afirmando que ao Senhor, Todo Poderoso, Independente, Autossuficiente, Justo Juiz, devemos ter um medo reverente, que vai além do respeito, servindo como um bom escravo é útil ao seu mestre, sujeitando-nos a Ele, sempre próximos, seguindo-o de perto, vivendo pelo Seu Nome, honrando Seus feitos.

Sob a Graça,

Daniel Kinchescki

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