Amor Divino- Deus Ama Todas as Pessoas-

O amor de Deus sempre exerceu um papel de grande importância na teologia reformada, mas é necessário ter uma compreensão correta  desse atributo divino.

A declaração “Deus é amor” muitas vezes é explicada em termos teológicos relativamente complexos como uma combinação de dois conceitos fundamentais.

Em primeiro lugar, a vida eterna do Deus trino é uma nova vida de afeição e glórias mútuas (Mt 3:17; 17:5; Jo 3:35; 14:31; 16:13,14; 17:1-5,22-26).

Em segundo lugar, Deus criou anjos e pessoas para glorificar o seu Criador e compartilhar da comunicação recíproca e jubilosa dessa vida divina de acordo com a sua existência criada.

No entanto, ao afirmar que “Deus é amor” (1Jo 4:8), João estava pensando, primeiramente, no amor de Deus pelos seres humanos e, de modo mais específico, no fato de que, por meio de Cristo, Deus salvou aqueles que antes eram pecadores, mas que agora creem.

“Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1Jo 4:9,10).

Como é sempre o caso no Novo Testamento, “nós” como objetos e beneficiários do amor redentor significa “nós que cremos”( cf. Rm 8:39; 1Jo 4:13). Nem aqui nem em outras passagens, “nós” se refere a todos os indivíduos da raça humana.

O ensino do Novo Testamento sobre a redenção é totalmente particularista e quando é dito que o “mundo” é amado e redimido (Jo 3:16,17; 2Co 5:19; 1Jo 2:2), normalmente se trata de uma referência ao grande número de eleitos espalhados por todas as partes do mundo na comunidade humana de ímpios (cf Jo 10:16; 11:51,52).

Isso não significa que Deus não expressa um tipo de amor misericordioso e paciente para com toda a humanidade (Mt 5:44,45), mas esse amor não é motivação suficiente para Deus prover seu Filho com o mediador sacrifício expiatório em favor de todas as pessoas. Em momento algum a Bíblia diz que o amor redentor de Deus se aplica a absolutamente todos os membros presentes, passados e futuros da raça humana (cf. Rm 1:7).

Esse amor soberano e redentor é uma faceta da qualidade que as Escrituras descrevem como a bondade de Deus (Sl 100:5; Mc 10:18), ou seja, a sua gloriosa benevolência e generosidade que se estende as suas criaturas (Sl 145:9,15,16) e que deve conduzir todos os pecadores ao arrependimento (Rm 2:4).

Outros aspectos dessa bondade são a misericórdia, compaixão ou piedade, que demonstra benevolência para com as pessoas aflitas ao resgatá-las das dificuldades (Sl 107; 136); e a longanimidade, paciência e demora em irar-se que continua a mostrar benevolência para com pessoas que persistem no pecado (Êx 34:6; Sl 78:38; Jo 3:10; 4:11; Rm 9:22; 2Pe 3:9).

No entanto, a expressão suprema do amor de Deus ainda é a graça maravilhosa e amor inexprimível que demonstra a sua benevolência ao salvar pecadores que merecem somente a condenação, salvando-os, além do mais, mediante o preço altíssimo da morte de Cristo no Calvário (Rm 3:22-24; 5:5-8; 8:32-39; Ef 2:1-10; 3:14-19; 5:25-27).

A fidelidade de Deus aos seus propósitos e promessas é outro aspecto do seu amor que se expressa como bondade e louvor. Os seres humanos mentem e quebram suas promessas; Deus não! Mesmo nos momentos de maior aflição, ainda é possível dizer “suas misericórdias não tem fim… Grande é a tua fidelidade” (Lm 3:22,23; veja Sl 36:5; 89: 1,2,14,24,33,49).

Por vezes, talvez Deus expresse fidelidade de maneiras inesperadas e desconcertantes, que em curto prazo, parecem ao observador menos atento mais como demonstração de infidelidade, mas o testemunho final daqueles que percorrem com Deus os altos e baixos da vida é uma declaração retumbante de que “nem uma só promessa caiu de todas as boas palavras que flou de vós o Senhor, vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem uma delas falhou” (Js 23:14). A fidelidade de Deus, juntamente com outros aspectos da sua bondade conforme esta é apresentada na sua Palavra, é sempre rocha firme sobre a qual podemos depositar nossa fé e esperança.

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra

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