Aborto- A Morte Oculta

Aborto é a interrupção precoce da gravidez por meio da remoção espontânea ou induzida de um embrião [antes de oito ou nove semanas de gestação] ou feto [depois de oito ou nove semanas de gestação], resultando em sua morte.

O artigo 128 do Código Penal brasileiro (que é de 1940) permite o aborto quando há risco de vida para a mãe e quando a gravidez é resultado de violência sexual. Há pouco tempo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a obrigatoriedade do SUS (Sistema Único de Saúde) realizar o aborto nos termos da lei. Atualmente, existem projetos de ampliação da lei, que também asseguram o aborto no caso de má-formação do feto, com diminuta possibilidade de vida após o parto.

Baseado no artigo 128, o aborto é permitido no Brasil somente nos dois casos supramencionados, e desde que haja o consentimento do pai e atestado de pelo menos dois médicos constatando a situação.

Todavia, conforme vimos, existem dois tipos de aborto, a saber, o aborto espontâneo, que ocorre por complicações físicas, e o aborto induzido ou provocado. Esse tipo de aborto é realizado por razões médicas sob o “amparo” da lei ou de modo clandestino, efetuado por médicos inescrupulosos ou por pessoas leigas, o que constitui crime. Pode acontecer pela ingestão de medicamentos que ocasionam o aborto ou por meio de cirurgia. Quando feito de modo inadequado, o  aborto pode causar graves complicações, e, inclusive, resultar na morte da mulher.

O que a Escritura diz sobre o aborto?

Não há uma prescrição legal na Escritura proibindo explicitamente o aborto. Porém, a razão dessa “lacuna” é óbvia. Era inadmissível que uma mulher israelita, no Antigo Testamento, desejasse um aborto. Assim sendo, não havia a necessidade de mencionar uma proibição direta na lei.

Para os judeus, as crianças eram consideradas como um presente ou herança de Deus (veja Gn 33.5; Sl 113.9; 127.3). Era Deus quem concedia a gravidez às mulheres, especialmente para as estéreis, de forma milagrosa (veja, por exemplo, Gn 29.33; 30.22; 1Sm 1.19-20). Não ter filhos para os judeus era uma maldição, já que o nome da família do marido não poderia ser eternizado (Dt 25.6; Rt 4.5).

Portanto, entendemos que o aborto era algo tão contrário à mentalidade israelita que bastava o mandamento Não matarás ou não cometam assassinato (Êx 20.13). Entretanto, vivemos num tempo bastante diferente. A sociedade pós-moderna, em sua maioria, tem uma visão distorcida da família. Muitos veem os filhos como um obstáculo para o trabalho e a realização profissional [visto que um filho recém-nascido necessita de cuidados especiais], pois gera uma despesa financeira razoável; como um obstáculo que impede a liberdade do casal para entretenimentos, como o lazer a dois, viagens pessoais. Em suma, para muitos, os filhos impedem o casal de aproveitarem a vida. Essa é a visão distorcida que a sociedade pós-moderna tem da família. Decerto, os cristãos devem ser guiados pela Palavra de Deus, e não pela ética humanista/relativista da sociedade.

Isto posto, vamos apresentar agora 10 argumentos utilizados pelos defensores do aborto e refutar cada um deles. Vejamos, pois:

1) O direito de soberania do corpo

Este argumento demonstra que a mulher tem plena liberdade para fazer o que quiser com o seu corpo. O lema dos abortistas é o seguinte: O corpo é meu, e, portanto, faço o que quiser com ele! Em outras palavras, meu corpo, minhas regras, conforme um vídeo lançado pela Rede Globo apoiando o “aborto” destaca [você pode assistir o vídeo clicando aqui]. Desse modo, o aborto é um direito da mulher, e o feto que há dentro dela lhe pertence.

Essa questão está relacionada com a resposta da pergunta: Quando é que, no processo de concepção, gestação e nascimento, o embrião [e posteriormente o feto] se torna um ser humano, adquirindo assim o direito à vida?

Os abortistas aduzem que o embrião [e depois o feto] torna-se um ser humano após um período de gestação. Por isso, abortar antes dessa fase não seria assassinato. Na Inglaterra, o aborto é permitido até o sétimo mês de gestação. Outros, porém, são mais radicais. Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos sancionou uma lei permitindo o aborto, alegando que uma criança não nascida não é uma pessoa, e, portanto, não tem direito constitucional.

O feto não é a extensão do corpo da mãe, não faz parte do corpo dela. Em toda a gestação, o agente ativo é o feto e o passivo é a mãe. Se a mulher fosse o agente ativo, o feto seria expulso do corpo da mãe como um “corpo estranho”. Por isso a placenta impede que o corpo [o feto] seja expulso. É o feto que regula todo o período da gestação. Apesar de a mulher ser a receptora, ela também possui um papel de “preservadora” do bebê em seu ventre, mesmo sendo passiva em toda a gestação.

Em contraposição, muitos biólogos, geneticistas e médicos são unânimes em afirmar que a vida biológica inicia-se desde a concepção, conforme o relato das Escrituras atestam.

A Palavra de Deus assevera este conceito: Deus considera a vida de crianças antes mesmo de elas virem a nascer (veja, por exemplo, Êx 4.11; 21.21-25; Jó 10.8-12; Sl 139.13-16; Jr. 1.5 e Lc 1.39-44). A Escritura  indica que o corpo, a vida e as faculdades do homem se originam simultaneamente na concepção.

Os Pais da Igreja reconheceram esta verdade, que aparece nos escritos de Tertuliano, Jerônimo, Agostinho, Clemente de Alexandria e outros. No Império Romano pagão, o aborto era praticado livremente, mas os cristãos se posicionaram contra essa atrocidade. Dessarte, a evidência biológica e Escriturística assegura que crianças não nascidas são seres humanos, e que abortá-las, portanto, é assassinato.

2) Privar quem se opõe à cultura da morte apelando para a “laicidade do estado”

Uma pergunta deve ser feita: Em que momento a luta contra o genocídio interfere na laicidade do estado?

Os relativistas declaram que o aborto envolve aspectos morais, éticos, legais e possui uma vasta influência religiosa, cuja avaliação depende da singularidade de cada pessoa. Defender a vida é uma questão moral, ética, legal, mas não necessariamente religiosa. A luta contra o aborto não é completamente religiosa, conforme argumentam os abortistas. Eles entendem que o pilar da luta contra o aborto é a religião. Portanto, os defensores do aborto ressaltam que os seus opositores, fundamentados na religião, estão privando a mulher do seu direito. Entretanto, matar é um direito? Abortar é cometer assassinato!

Por mais hediondos que sejam os pecados de violência sexual e roubo, por exemplo, nenhum desses se compara ao do assassinato, pois quem mata, com exceção da legítima defesa, acidentalmente ou em casos de guerra, mata alguém que é a imagem e semelhança de Deus, e só ele tem o direito de tirar a vida (Dt 32.39).

3) Fetos não são considerados humanos, são apenas um conjunto de células

Alguns abortistas entendem que durante os três primeiros meses de gestação, o feto não possui ciência, e, portanto, não são humanos. Contudo, não se torna humano aquilo que já é em princípio. A vida humana começa a partir da concepção, e não na gestação, conforme vimos no primeiro argumento.

4) A justificativa de bebês “anencéfalos” para advogar o aborto

Não existe bebês anencefálos; pelo contrário, existem bebês que nascem com má formação do encéfalo. Um feto sem o encéfalo morreria no ventre da mãe. Os aborstistas que defendem que um feto com má formação cerebral tem que morrer são, na verdade, eugenistas, ou seja, são aqueles que defendem a eugenia. Francis Galton (1822-1911) foi o criador desse termo; basicamente significa “bem nascido”.

Embora a eugenia seja controversa, Galton a definiu como “o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações, seja física ou mentalmente”. Segundo alguns eugenistas, se for constatado durante a gravidez através de “ultrossonografias”, “aminiocentese” e a biópsia do “vilo corial” [que detectam a síndrome de down, por exemplo] que uma criança irá nascer com alguma deformação genética irreversível, a melhor alternativa é abortá-la para que a criança não sofra, vivendo o resto de sua vida como um ser deficitário.

5) Justificar e legitimar o aborto

O argumento é o seguinte: “Se o aborto acontece naturalmente ou por alguma complicação física, ele deveria ser legalizado”. Isso é uma falácia lógica! Um fato ou uma experiência pessoal não é motivo para determinar um valor ou uma lei. Então, se abortos espontâneos acontecem, eles devem ser legalizados? De modo nenhum!

Ora, se pensarmos dessa maneira, devemos legalizar também o estupro, a pedofilia, o roubo, pois tais coisas acontecem sem a nossa vontade como o aborto espontâneo. E, se o crime é praticado mesmo que eu não queira que ele seja praticado, eu devo pensar que o crime deve ser legalizado?

6) Culpar os opositores da morte pela eventual morte de mulheres que assassinam os seus filhos em clínicas que realizam o aborto

Vemos aqui uma inversão revolucionária! Os que defendem a vida, que são contra o aborto, são responsáveis pela morte das mulheres que tentam assassinar seus próprios filhos. Segundo os abortistas, os conservadores, isto é, os defensores da vida, estão obrigando as mulheres a matarem seus filhos. Pelo contrário, estamos coagindo as mulheres a fazerem justamente aquilo que condenamos em princípio! Na mente insana dos que propugnam o aborto, os opositores deste pecado são culpados pelas mulheres que o realizam. Mas, se rejeitamos o aborto, estamos limitando as mulheres de realizá-lo, não é? Indubitavelmente, esse argumento dos abortistas é uma prova cabal de que estamos num embate com pessoas que esbarram na irracionalidade.

7) Falsificar estatísticas para justificar o infanticídio legalizado

A mídia sensacionalista e esquerdista mente de forma impudica divulgando falsas estatísticas de que centenas de mulheres morrem em abortos ilegais no Brasil. Se vermos a estatística no SUS, cerca de 7, 8, 10 mulheres morrem como resultado de aborto ilegal, sendo um número até compatível com o risco de morte no parto.

8) Utilizar por conveniência [e não por convicção] os ideais teóricos do liberalismo para justificar o infanticídio legalizado, afirmando que o Estado não pode interferir

O Estado não pode impedir o aborto, que “crianças inocentes” morram ainda no ventre materno, mas pode interferir para fomentá-lo, endossá-lo, financiá-lo através do governo submetido às organizações internacionais e à vontade de grupos revolucionários.

9) Legitimar o assassinato daquele que nasceu concebido de estupro

Abortar uma criança é puni-la por um crime que ela não cometeu. Tanto a criança como a mulher que foi violentada sexualmente são inocentes! Quem deve ser punido é o psicopata que cometeu o crime de estupro. Os abortistas salientam que os defensores da vida são condescendentes em incentivar o estupro e o aborto. No entanto, defendemos o contrário: o estuprador deve ser punido severamente por este crime. Por outro lado, é bem verdade que cerca de metade das acusações de estupro que são emitidas pela mídia sensacionalista, esquerdista e desonesta são falsas, uma vez que são produto das próprias feministas, por exemplo.

10) Como o Estado não pode coagir uma mulher a criar uma criança que foi pomo de um estupro, então é justo abortá-la

O estado não pode obrigar uma mulher a criar uma criança que foi concebida por um ato de violência sexual. Não há nenhuma lei que obrigue a mulher a criar essa criança. A luta dos conservadores é para que a mulher não aborte, assassinando uma criança inocente. Reitero, tanto a mulher como a criança são vítimas do estuprador.

Todavia, a violência sexual ocasiona em graves consequências psicológicas na mulher, como depressão, perturbação mental, isolamento social, resistência amorosa e sexual, etc… Por isso, é necessário que a mulher, a adolescente, ou a esposa que foi vítima de estupro receba cuidados especiais, para se recuperar desta calamidade. É indispensável o apoio da família e dos amigos. É importante também recorrer a um tratamento psicológico e, sobretudo, ao aconselhamento pastoral, no caso de a mulher ser cristã, embora não seja limitado somente aos cristãos. O aconselhamento pastoral pode muito bem ser utilizado como um meio para evangelizar mulheres que foram abusadas sexualmente.

Por outro lado, se a mulher que foi violentada sexualmente engravidar, ela tem o direito de não querer ficar com o filho, que é inocente, mas não tem o direito de abortar, conforme demanda a Escritura, embora a lei permita o aborto no caso de estupro. A mulher que não quiser ficar com o filho que foi pomo da violência sexual [que é uma situação extremamente difícil] pode disponibilizá-lo para adoção já na maternidade, após dar à luz.

Algumas consequências físicas do aborto:

1) Cancro da mama, do útero, ovários e fígado

2) Perfuração uterina

3) Lesões cervicais

4) Gravidez ectópica – É a gravidez em uma das trompas de falópio, um tubo que conduz os óvulos dos ovários para o útero. Esse tipo de gravidez é conhecida como gravidez tubária. Em alguns casos, uma gravidez ectópica ocorre na cavidade abdominal, do ovário ou no colo do útero.

5) Complicações nos partos subsequentes

6) Endometriose – Doença caracterizada pela presença do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve, como as trompas, ovários, intestinos e bexiga.

7) Esterilidade definitiva

Algumas consequências mentais

1) Perturbação psicológica, do sono, ingestão descontrolada de medicamentos psicotrópicos

2) Propensão ao suicídio

3) Propensão a diversos problemas cognitivos

Autor: Leonardo Dâmaso

Fonte: Reformados 21

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