A Solidão do Pecado
Todos pecaram, é o que nos ensina a Bíblia, não há um único homem que não seja pecador, fato.
Nem sempre nossos pecados são expostos. Na maioria das vezes “pecadinhos” passam despercebidos aos olhos das pessoas, mentirinhas que contamos, regrinhas que burlamos, fofoquinhas que fazemos, entre outros. Alguns pecados ficam apenas em nossa mente, cobiça, inveja, ira, por exemplo. Outros, que consideramos mais graves, conseguimos esconder das pessoas e assim mantemos nossa boa reputação, vícios, adultério, pornografia, violência, roubos, há uma lista imensa de possibilidades.
Acredito que há pessoas que conseguem viver uma vida inteira encobertando seus pecados dos olhos humanos, esquecendo-se, contudo, que o Senhor, onisciente, onipresente, sonda os corações e vê todas as coisas. Não há nada que escape aos seus olhos. Por isso, como disse inicialmente, todos pecaram, não há um justo sequer, porque é diante Dele que estamos. A Bíblia nos alerta, repetidas vezes, sobre nossa tendência em fazer o mal, sobre o nosso enganoso coração e mais do que isso, ela nos ensina que aquele que está de pé deve cuidar para não cair, nos exorta a vigiarmos constantemente.
Porém, eventualmente, nossos pecados vêm à tona, aqueles que podem destruir famílias, vidas, aqueles que colocam nossa alma em grande perigo. Sim, situações terríveis são expostas e revelam quão maus nós somos, atestando que o “ nosso coração maquina pensamentos perversos e nossos pés se apressam a correr para o mal” (Provérbios 6.18). Junto vem a vergonha, o medo, a tristeza, a amargura, a angústia, o peso das acusações, o sofrimento de pessoas que amamos, a solidão, o tormento da alma.
Nesse momento e lugar de solidão em que o pecado nos coloca, é preciso ver a mão misericordiosa do Senhor, é preciso enxergar uma possibilidade de reconciliação com Deus, é necessário, com urgência, se arrepender verdadeiramente. O salmista Davi também experimentou essa situação e no Salmo 32 ele descreve a angústia de não confessar os pecados e a alegria de ser verdadeiramente perdoado: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoastes a minha iniquidade” (v.3-5).
As vezes Deus nos leva ao deserto da vergonha, da culpa, da solidão e Ele expõem o nosso pecado mais oculto porque Ele nos ama e sabe que por nós mesmos não poderíamos resistir à situação, Ele sabe que estamos aprisionados. É na vergonha que surge a oportunidade de nos reconciliarmos com Nosso Deus. Todos nos viram as costas, não há quem nos estenda a mão, todos nos acusam, mas o Único que realmente importa está de braços abertos, esperando o nosso mais sincero arrependimento.
O mesmo Davi esteve em situação de perigo e fugia de Saul quando se escondeu em uma caverna e no Salmo 142 ele clama, ele suplica, ele se derrama e expõem ao Senhor a sua tribulação. Ele confessa que seu espírito está desanimado, mas ele sabe que o Senhor é o único que conhece o caminho que ele deve seguir. É uma linda oração em que ele se despoja e reconhece que não há ninguém que se importe, que se interesse por ele, que não há lugar seguro em que ele possa se refugiar. Ele sabe que só há refúgio para ele em Deus. E é na solidão, que muitas vezes o pecado nos coloca e nos aprisiona, que devemos aproveitar para clamar e suplicar ao Senhor, como se fosse nossa única chance de sobrevivência e, na verdade, é.
Davi continua e diz, atende o meu clamor, considera cuidadosamente a minha oração, porque eu estou muito fraco, abatido, tira a minha alma desta prisão, para que eu dê graças ao Seu nome (versos 5 e 6). Devemos aproveitar a oportunidade que o Senhor nos dá e não apenas ficarmos reféns da vergonha e do temor e da culpa, mas pedir, sinceramente, Senhor, não posso vencer isso por mim mesmo, é mais forte do que eu, livra-me, eu imploro. Davi reconheceu, ele disse, Tu és o meu refúgio, és tudo o que tenho, o meu quinhão, a minha parte, a minha herança na terra.
Querido leitor, a minha oração é para que sempre possamos confessar nossos pecados ao Senhor e nos arrependermos verdadeiramente, buscarmos uma vida de santidade. Mas se, por ventura, tardarmos, se formos resistentes e, em consequência disso, o Senhor nos expuser, nos lançar aos olhos acusadores das pessoas, se o Senhor nos conduzir ao deserto da vergonha e da humilhação que o nosso pecado nos causa, que possamos aproveitar a oportunidade misericordiosa de Deus, reconhecer que nada somos além de miseráveis pecadores, nos arrependermos verdadeiramente e nos reconciliarmos com o Senhor e dizer como Davi, Tú és o meu refúgio, tudo o que tenho.
“Pois tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam”. Salmos 86:5 
Maira C. M. Izzo de Carvalho
  1. 11 de outubro de 2017

    Que texto profundo que nos esclarece e nos anima que mesmo sendo pecadores Deus com graca e misericórdia nos traz consolo paz e perdão
    😘
    Deus continue abençoando sua vida Maira e continue compartilhando suas reflexões. Bj

  2. 13 de outubro de 2017

    Que texto incrível!
    Parabéns! Que Deus continue te capacitando!

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