A Oração Modelo

“E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; O pão nosso de cada dia dá-nos hoje; E perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.” (Mt 6.5-13)

No texto em destaque, Cristo dedica parte de seu tempo e ministério em ensinar aos seus discípulos como orar. A oração, algo muito importante na vida de um cristão, não deve ser, em nenhum momento, tida como um fardo, tampouco como algo desnecessário. É através da oração que nós conseguimos nos comunicar ao Pai celeste, e ela é um dos meios pelo qual Ele vem operar em nossas vidas, e em quem nos cerca. Oração não é mera repetição de palavras, nem um monólogo. Não devemos nos vangloriar em orarmos, já que Deus conhece nossas misérias e carências antes mesmo de nos darmos conta de sua existência. A oração é um ato de fé, e sem sombra de dúvidas, um ato de submissão. A. W. Tozer, renomado teólogo americano, certa feita afirmou:

“‘Eu me recordo de um homem de Deus a quem foi perguntado: ‘O que é mais importante: ler a Palavra de Deus ou orar?’. Ele respondeu: ‘O que é mais importante para um pássaro, a asa da direita ou a da esquerda?”.

Precisamos orar.

Precisamos abrir nossos corações ao Pai.

Precisamos conversar com Ele, perdermos nossa carência e um vazio que só Sua Palavra é capaz de tapar.

Nos versículos 9 a 13, Jesus nos mostra uma oração modelo, cujos princípios deveriam guiar a todos nós quando prostramo-nos aos pés da cruz.

1.“Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;” (V. 9): Primeiro, ao orar, devemos entender que o Deus Todo Poderoso é o nosso “Pai”. A maior relação entre Deus e o ser humano lavado e remido pelo sangue do cordeiro é a familiar. Ao sermos justificados por Cristo, somos adotados por Deus. O Senhor, como um bom pai, admoesta seus filhos, os cria como devem ser criados, e lhes imputa os seus padrões de moralidade e justiça. Quando somos adotados por Deus, Ele inicia o nosso processo de aprendizado, fazendo com que o Espírito Santo venha a gerar em nós as Suas características. Somos santificados, criamos um nojo do pecado, observamos o desenvolver do mundo sob a ótica Cristã. Ainda, Deus nos sustenta. Quando precisamos de algo, conforme nos demonstra o versículo 8, o Senhor já o sabe. Ele é quem provê com as nossas necessidades, os nossos anseios. “O Senhor é meu pastor, nada me faltará” (Sl 23.1), já dizia Davi. Outro ponto importante sobre a afirmação de ser Deus o Pai, é que esse corrige seus filhos. A Palavra nos afirma que o Senhor corrige a quem Ele ama, da mesma forma que um pai quando corrige ao seu filho (Pv 3.12).

Segundo ponto sobre o versículo em destaque é que o Senhor é o “nosso” Pai. Ao sermos adotados por Deus, lavados e remidos por Cristo, recebemos as boas vindas à família do Senhor. Por sermos todos irmãos em Cristo Jesus, precisamos entender que somos, da mesma forma, um só corpo. Devemos lutar lado a lado, e não uns contra os outros. Estender as mãos para ajudar os fracos e que caem, não para matá-los de vez. Somos irmãos, o que quer dizer também que somos iguais. Cristo é o primogênito dentre muitos (Rm 8.29), e só Ele é o irmão mais velho, o superior aos outros. Somos todos do mesmo nível, e não há um entre nós que o Pai ame mais que o outro.

Em terceiro lugar, Cristo nos demonstra onde Deus reina. Seu trono, poder, honra e glória estão nos céus. Deus está acima de tudo e de todos. Não há poder maior que o dEle, ou algum que se compare a este. Sendo o Soberano que é, o Senhor reina dos altos céus, que declaram a sua glória (Sl 19.1).

Por último, ao se tratar do versículo 9, vemos que Jesus exalta a Deus expressando a santidade do Senhor. Ele está separado de todos, visto que não comunga com as trevas e maldade. O Senhor é santo, e santidade ao Senhor! (Ex 39.30). O mais interessante, ainda, não é o fato de Cristo louvar a Deus declarando-o santo, mas sim fazê-lo mencionando que o alvo desta santidade é o nome do Senhor. Devemos dar um testemunho santo, separado, diferenciado, do nome de Deus em nossas vidas.

2.“Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;” (V. 10): A ideia geral de cada expressão utilizada neste versículo é de exaltar a vontade de Deus sobre a nossa. Paulo nos afirma que o Reino de Deus não é formado de coisas presentes, nem de bens que se passam e que são eternamente inúteis, “mas sim justiça, paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). Devemos buscar, antes de mais nada, o Reino de Deus e a sua Justiça, conforme nos diz o Mestre (Mt 6.33). Quando pedimos que o reino de Deus venha e desça, fazemos com a intenção de sermos moldados conforme à vontade de Deus, o que é expresso nos termos que seguem neste versículo. Deus age como, quando, onde, e através do que quer. Ainda, se não quiser agir, essa é a vontade dEle – e é esta que permanece inalterada. Mas, neste caso, então, para que orar? Se a vontade de Deus permanece, de fato, inalterada, por que devemos manifestar a nossa vontade a Ele? Pelo simples fato de que, quando oramos, e como já dito, Ele nos molda para que estejamos conforme a sua santa vontade. No grego, as palavras utilizadas pelo evangelista nos dão a ideia de “deixe vir o teu reio” e de “deixe ser feita a sua vontade”. Qual a diferença? Para quê citar isso? A resposta está que no escrito original a ideia de súplica fica mais marcada e presente que a tradução para a língua portuguesa.

3.“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (V. 11): Essa expressão utilizada por Jesus nos dá a ideia de que devemos nos contentar com o necessário. Precisamos aprender a viver com o que nos é dado por Deus. Não, não é proibido pedirmos mais, desde que este pedido não se torne o centro de nossas atenções. Vivendo com o que Deus nos dá, aprendemos a ser cada vez mais dependentes dEle. O maná do deserto era enviado ao povo todos os dias, sendo que a ordenança era de que os israelitas “colhessem” apenas a porção de cada dia. Se tivessem mais que o necessário, o alimento apodrecia, causando mal cheiro e moscas. Isso nos faz entender que quando somos ambiciosos e queremos sempre mais, mais e mais, nunca estaremos, de fato, contentes com o que temos. Quando pequeno, eu assistia a um desenho chamado “Mogli: o menino lobo”. Neste, em dada parte do filme, era entoada uma canção cuja parte do refrão eu aqui transcrevo: “necessário, somente o necessário, porque o extraordinário é demais”. Nós não somos consumidores, e Deus não é uma loja de conveniências!

4.“E perdoa as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (V. 12)”: Este versículo está condicionado aos 14 e 15. Lendo-os, entenderemos melhor o que Cristo quer dizer. Essas dívidas não são as financeiras, tampouco as materiais, mas sim as espirituais. Só temos o direito de pedir perdão a Deus por nossos pecados e falhas quando nós perdoamos aqueles que nos tem, ainda que constantemente, ofendido. Outro ponto interessante é quando observamos a utilização do verbo “perdoar”. Quando na primeira vez, no grego, vemos que ele está no modo imperativo, fazendo menção de que Deus nos perdoa de uma vez, pela primeira vez (justificação). Já quando utilizado novamente, o verbo encontra-se no modo imperativo, e no presente. O que isso quer dizer? Significa que é um hábito. Devemos ter o hábito, o costume, de perdoar aqueles que nos ofendem.

5.“E não nos deixeis cair em tentação; mas livrai-nos do mal (…)” (V. 13): Eis aqui um dos pedidos mais fundamentais que um cristão deve fazer. Em outras palavras, “Deus, me livra do pecado, me ajude a não pecar”. No grego, a expressão utilizada no lugar de “não nos deixeis cair em tentação” é “não nos guie à tentação”. Deus não pode tentar a ninguém, visto que não pode ser tentado (Tg 1.13). Cristo, ao orar desta forma, pede exatamente para que Deus o guiasse, e não só ao Cordeiro, mas também aos seus discípulos, para longe da tentação e do pecado. Devemos nos afastar do pecado, assim como quando tentamos aproximar dois polos eletromagnéticos iguais – eles se repelem! Entretanto, o único jeito de vencermos o mal é quando nos sujeitamos a Deus (Tg 4.7). Eis o motivo de orar, ler a Palavra, separar-se a Deus. Fazendo isso, venceremos o mal.

Em algumas versões da Bíblia em nossa linguagem esta última frase não aparece, mas é exatamente com ela que pretendo encerrar este estudo.

“Pois teu é o reino, o poder, e a glória para sempre. Amém!”

Sob a Graça,

Daniel Kinchescki

  1. 20 de outubro de 2016

    Bom dia irmãos…

    Primeiramente, gostaria de parabenizar o autor do texto… ótima reflexão…

    Tenho um ponto que acredito que seja um erro de concordância no item 4. no seguinte trecho ( Só temos o direito de pedir perdão a Deus por nossos pecados e falhas quando “não” perdoamos aqueles que nos tem, ainda que constantemente, ofendido.)

    O “não” coloca em contradição o ensino… Acredito que foi um equívoco na edição do artigo.

    Muito excelente o texto… irei compartilhar com a família.

    Grande abraço… Fique na Paz do Senhor!

    • 20 de outubro de 2016

      Obrigado pela observação irmão,foi devidamente corrigido. Deus o abençoe!

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