A Oração de Daniel e o Perdão Divino

Levado cativo à Babilônia quando ainda jovem, Daniel distingue-se dos demais – inclusive de Hananias, Misael e de Azarias – pelo seu fervente temor ao Deus de seus pais, e às Sagradas Escrituras dadas ao povo de Israel. Propondo em seu coração não contaminar-se com os manjares e oferendas do rei, o jovem de Judá dedica-se a uma “dieta” inusitada, porém eficaz. Recebe as bênçãos do Senhor, progride no âmbito espiritual e “secular”, ao ponto de, um dia, ser jogado em uma cova com leões por culpa da inveja alheia.

No capítulo 9, porém, o profeta narra o que lhe acontece quando estava estudando os escritos de Jeremias. Visto que lhe fora revelado “o número de anos em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém”,  Daniel prostra-se com o rosto no chão, humilhando-se ao Senhor e buscando a Sua orientação. Acima de tudo, pede o perdão Divino – para ele e seu povo.

E é sobre este ato de pedir perdão que eu gostaria de falar.

Já me vi, várias vezes, pedindo perdão a Deus pelos motivos errados. Davi, no Salmo 51, ora ao Senhor implorando por misericórdia, não só porque teve medo das consequências ou da vergonha por culpa do pecado, mas também por ter magoado o coração do Todo Poderoso. Daniel, no capítulo em questão, faz o mesmo. No versículo 18 o profeta diz:

“Inclina os teus ouvidos, ó Deus, e ouve; abre os teus olhos e vê a desolação da cidade que leva o teu nome. Não te fazemos pedidos por sermos justos, mas por causa da tua grande misericórdia.”

Daniel apela à natureza de Deus que, além de ser Justo, é Misericordioso. O profeta não apoia-se em toda a justiça que havia praticado, mas sim no amor que Deus tem pelo seu povo. Paulo, alguns vários anos depois, descreve algo semelhante:

“Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei.” Rm 3:28

Não é através de nossas obras e atos de caridade que seremos salvos (ou justificados), mas sim pelo sangue do Cordeiro. Daniel, ao pedir perdão, invoca a misericórdia de Deus e lembra-se, ao mesmo tempo, que sem o Senhor ele não era nada (Dn 9:19; Jó 10:9).

Devemos, quando clamarmos ao Senhor em oração, buscar o perdão não tendo por base os nossos acertos (muito menos os erros de terceiros), mas sim o nosso sincero arrependimento, na magnificência e bondade do Todo Poderoso, sabendo que Ele nos perdoará.

Ainda, o profeta nos deixa uma lição que o apóstolo já citado ratifica. Nossos atos refletem as qualidades de Deus, ou as obscuram de maneira catastrófica. No versículo 19, Daniel pede perdão mais uma vez, mas o fez afirmando que o povo de Deus carregava o Seu nome, e o manchava por culpa dos pecados praticados. Paulo, na sua carta à igreja de Roma, afirma:

“Como está escrito: O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês.” Rm 2:24

Com este texto, quero deixar apenas três coisas.

  • Que Deus, através do sangue de Jesus, nos purifica de todo pecado (1Jo 1:7).
  • Que devemos pedir perdão com um sentimento sincero no coração, entendendo que é necessária também uma mudança de vida, de atitudes.
  • Que às nossas próprias custas e forças nunca conseguiremos obter a justificação de nosso pecados, nem a salvação de que tanto necessitamos.

Que o Senhor venha a nos dar graça e ânimo, pois os dias são maus, e precisamos vencê-los.

Daniel Kinchescki

  1. 30 de julho de 2017

    Otimo

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