A Importância dos Conselhos de Davi

 

Há um bom tempo escrevi este texto, quando deparei-me com o “prelúdio” da morte de Davi, segundo rei de Israel. No texto que se encontra no primeiro livro dos Reis, capítulo segundo e versículos iniciais, Davi avisa a Salomão, seu filho e herdeiro do trono, sobre sua morte certa, e lhe dá uma série de conselhos de extremo valor e importância. Dentre estes, três me chamaram a atenção e fizeram-me refletir sobre o meu comportamento nos dias de hoje. Assim como Salomão, que era ainda um jovem pouco experiente, cada um de nós precisa (ou ao menos pede) uma série de conselhos para, normalmente, os mais “vividos”. Já dizia o velho ditado, “se conselho fosse bom, não se dava, vendia”.

Ainda que seja típico de nosso cotidiano pedir conselhos e palavras de ajuda a pessoas em quem confiamos, raramente damos o devido crédito a tais. Porém, no caso de Salomão, vê-se que este soube seguir, ainda que por algum tempo, o que lhe fora ensinado por seu pai. Pois bem, vamos aos fatos.

“Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem” (IRs 2:2).

Davi manda que seu filho esforce as suas mãos, não seja um rés preguiçoso. Existe a necessidade de gastarmos forças e energias no que fazemos. Tal como Salomão que precisava comandar um reino e se deparava diariamente com questões cruciais, nós também vivemos momentos de incertezas e de decisões críticas. Não podemos, se quisermos ter sucesso em nossa jornada, levar uma vida mesquinha, visto que não estamos aqui para sobrevivermos, mas sim vivermos – e em abundância. Este mesmo conselho fora dado algumas vezes antes, anos anteriores, para Josué.

“Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares” (Js 1:9).

E, após, a Zorobabel,

“Ora, pois, esforça-te, Zorobabel, diz o Senhor, e esforça-te, Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote, e esforça-te, todo o povo da terra, diz o Senhor, e trabalhai; porque eu sou convosco, diz o Senhor dos Exércitos” (Ag 2:4).

E este conselho permanece até hoje: esforça-te!

Na parte “A” do versículo dois, então, e como visto anteriormente, Davi aconselha seu filho que esforce-se para suas futuras conquistas, e em suas várias “batalhas”. Agora, na parte “B”, aconselha-o a ser homem.

“Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem.”

Quando li pela primeira vez este versículo, deparei-me com as seguintes interrogações: O que é “ser homem”? A quem isto se aplica?  A resposta acabei por encontrar após minutos de conversa com Deus. Tenho o hábito de, quando prego a Palavra ou aconselho algum de meus amados liderados (adolescentes da congregação, os quais detém meu coração em suas mãos), lembrar que devemos ser diferentes. Temos por obrigação a necessidade de demonstrarmos ao mundo o brilho do Espírito de Deus. Jesus nos diz que somos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-16), e esse é o nosso diferencial.

Mas o que isso tem a ver com o fato de “ser homem”?

Simples, “ser homem” implica em honrar nossa palavra (Mt 5:37), agir com sobriedade (Ef 5:15-18), sermos o foco de bons exemplos nesta terra (Hb 12:1; 2Tm 4:5). Alguns interpretam isto como pedir muito, mas levando-se em consideração que o Mestre nos mandou sermos perfeitos (Mt 5:48), tenho que esta mudança seja só o começo da transformação.

“Ser homem”, então, acarreta em ter caráter. Aplica-se não só as pessoas do sexo masculino, naturalmente, mas sim a todos – especialmente aos cristãos.

Por fim, ao terceiro conselho que me chamou a atenção.

“E guarda a ordenança do Senhor teu Deus, para andares nos seus caminhos, e para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés; para que prosperes em tudo quanto fizeres, e para onde quer que fores.” (I Rs 2:3)

Já vimos que o segundo rei de Israel aconselha seu filho a esforçar-se e a “ser homem”. Uma dúvida intrigante, porém, me veio à mente quanto notei que o “guardar as leis do Senhor”, obedecê-lo ou até mesmo o ato temê-lo veio somente em terceiro lugar. Moisés, quando recebeu as Leis lá no Monte Sinai, observou que a adoração ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó deveria ser única, e primeira. Somente a Ele, e primeiramente a Ele. Como, então, Davi toca neste assunto somente agora, depois de aconselhar a Salomão sobre outras coisas? A resposta se encontra em uma análise mais profunda dos versículos, bem como uma comparação ao texto que se encontra em Eclesiastes, capítulo 12 e versículo 13.

“De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.”

Visto que o ser humano, com seu “desenvolvimento” científico e moral, passou a abandonar seu dever principal (temer ao Senhor), fez-se necessário que houvesse mais uma diferença entre os filhos de Deus e as criaturas de Deus. Era entendido (e ainda é) que faz parte da natureza do homem o esforçar-se para obter o seu sucesso, e o honrar sua palavra e atitudes, ter caráter. Ao menos é isso que esperamos de todos que conhecemos.

O diferencial, então, a pitadinha extra de sal, é o temor ao Senhor. É a observância de suas leis e seus mandamentos. Davi enumera várias consequências que advém desta observância, assim como Jesus o fez em Mateus 6:33.

Então, se você, querido leitor, não sabe o que fazer no seu dia a dia, ou que tipo de atitude tomar, sigas os conselhos de Davi.

Esforce-se.

Tenha caráter.

Tema ao Senhor.

O mais Ele fará.

Daniel Kinchescki

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