A Humanidade Plena de Jesus

A Humanidade Plena de Jesus: Que tipo de homem Ele foi?

As Escrituras apresentam Jesus de maneira clara como um ser plenamente humano e plenamente divino. Ele é uma só pessoa, mas possui duas naturezas: uma humana e outra divina.

A declaração da humanidade plena de Cristo é essencial para a fé cristã. Tanto que o apóstolo João condena severamente aqueles que negam “que Jesus Cristo veio em carne” (1Jo 4:2; veja também 2Jo 7).

Essas palavras dirigidas a uma forma antiga de heresia conhecida como docetismo (do termo grego “dokeo”, “parecer”). Os docetistas ensinavam que Jesus era divino (porém não o próprio Deus), mas que apenas parecia humano. Alegavam que era uma espécie de fantasma, um mestre que, na verdade, não viveu e morreu como ser humano.

As Escrituras deixam claro que Jesus era um homem. Ele experimentou limitações humanas como a fome (Mt 4:2), o cansaço (Jo 4:6) e o desconhecimento de certos fatos (Mc 13:32; Lc 8:45,47). Experimentou a dor do choro (Jo 11:35,38), da aflição (Mc 14:32-42; Lc 12:50; Hb 5:7-10) e do sofrimento na cruz (Mt 27:46; Mc 15:34).

Uma vez que era divino, Jesus não podia pecar; mas, uma vez que era humano, ainda podia ser verdadeiramente tentado (Hb 4:15). Jesus também precisava lutar contra as tentações, mas sempre resistiu até vencê-las (Mt 4:1-11). Podemos inferir pela experiência no Getsêmani que as suas lutas foram, por vezes, mais intensas e agonizantes do que jamais conseguiremos imaginar (Mt 26:36).

O livro de Hebreus enfatiza que se a humanidade de Jesus não fosse plena, ele não seria qualificado para nos ajudar a atravessar as tribulações da experiência humana (Hb 2:17-18; 4:15,16; 5:2,7-9). Mas, devido à sua experiência humana, ele garante que em todas as nossas dificuldades, podemos estar certos de sua intercessão compassiva por nós diante do Pai (Hb 7:25).

Infelizmente, muitos cristãos bem intencionados se concentram de modo excessivo na divindade de Jesus, a ponto de quase excluírem a sua humanidade crendo que, com isso, estão honrando ao Senhor. Formas atuais da heresia antiga do monofisitismo (a ideia de que Jesus possuía apenas uma natureza) também tendem a minimizar o fato de que Jesus foi plenamente humano. Há quem suponha que Jesus apenas fingiu ignorar certos fatos; afinal, ele era divino e onisciente (sabia todas as coisas).

Do mesmo modo, há quem negue que Jesus de fato sentia fome e cansaço, crendo que sua divindade energizava o seu corpo humano de modo contínuo e sobrenatural.

No entanto, a doutrina bíblica da encarnação afirma que o Filho de Deus viveu sua vida divina-humana na sua mente e no seu corpo humano e por meio deles em todas as áreas, maximizando a sua identificação com aqueles que ele havia vindo salvar, bem como a sua empatia.

A ideia de que Jesus alternava essas duas naturezas, ora agindo em sua humanidade, ora em sua divindade, também é equivocada. Ele suportou todo o seu sofrimento, incluindo a agonia da cruz, e morreu na unidade de sua pessoa divina-humana.

Não obstante, alguns atos e características de Jesus podem ser atribuídos corretamente à sua natureza divina, e outros à sua natureza humana. O Concílio de Calcedônia (451 d.C) expressou essa doutrina como “a propriedade peculiar de cada natureza preservada e unida em uma só pessoa e substância” (PNPN 2, vol.14, p.265).

Por exemplo, enquanto em sua humanidade Jesus desconhecia certos fatos, em sua divindade ele era, ao mesmo tempo, onisciente, por mais difícil que seja de entendermos como isso era possível.

O reconhecimento da humanidade plena de Jesus é essencial para a fé cristã devido ao papel especial conferido por Deus aos seres humanos como portadores de sua imagem. A humanidade foi designada como o meio pelo qual aprouve Deus demonstrar a sua glória e estender o seu reino sobre toda a terra.

Mesmo depois da queda em pecado, Deus ainda declarou que os descendentes de Eva esmagariam os descendentes da serpente sob os seus pés (Gn 3:15). Essa promessa antiga se cumpriu em Jesus, pois ele foi um ser plenamente humano que serviu a Deus fielmente e recebeu como recompensa um nome que está acima de todo nome.

Por meio de Cristo, a vitória da humanidade sobre o mal está assegurada.

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra

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