depravação

Hoje me peguei pensando em o que poderia escrever. Há um tempo que não paro, sento, e sob a Graça de Deus digito algumas palavras, ou rabisco algumas folhas em anotações sobre algum tema em particular. Meditando em meu dia a dia, vejo que desesperadamente, sempre que acordo, necessito da misericórdia de Deus. Em Lamentações, capítulo 3 e versículos 21 até 23, o profeta Jeremias declara que as misericórdias do Senhor são o que lhe trazem esperança, que elas não têm fim, e que são novas a cada manhã. Louvado seja Deus por isso!

Porém, ainda que Ele nos estenda sua mão de misericórdia e graça, precisamos entender o porquê de termos estas necessidades. É muito fácil cair na ladainha do velho “evangelho da prosperidade” e acreditar que somos todos bonzinhos, que a sociedade, ou o convívio com os outros é que corrompe o ser humano, e que pelas nossas boas obras podemos nos justificar diante de Deus.

A Bíblia nos afirma que isto tudo não passa de mentira. O ser humano é corrompido pelo pecado (Rm 3.9-18; Ef 2.1-10), a Justificação ocorre pela fé nas obras de Cristo, e não nas nossas (Rm 3.19-26, 5.1-2). A verdade é que todo ser humano, até encontrar-se com a cruz de Cristo, e nela ver a salvação de que tanto carece, é um pecador miserável. Outra verdade, entretanto, é que aqueles que deixam aos pés da cruz toda sua ansiedade, todo seu fardo, e nascem novamente, são pecadores remidos. Sua natureza é transformada aos poucos, onde dá-se início ao processo da Santificação – quando o homem não é mais escravo do pecado, e agora começa a abandonar a prática deste, enojando-se com aquilo que causa náuseas em Deus.

Então, hoje, ao arrumar a bagunça aqui de casa, e pegar uma de minhas bíblias com intenção de guardá-la na estante de livros, decidi por abri-la aleatóriamente, pelo simples prazer de ler um ou dois versículos desta maneira. Antes de continuar o texto, gostaria de dizer que a nossa vida espiritual, bem como a leitura diária da Palavra de Deus, não deve ser resumida a versículos das “caixinhas de promessas”, ou uns poucos textos abertos ao léu, como que por acaso. Precisamos nos dedicar na busca pelo Senhor – “na graça e no conhecimento” (2Pe 3.18).

Feito isto, e voltando ao texto em questão, logo após abrir a Palavra, deparei-me com a carta de Paulo aos Gálatas, capítulo 1 e versículos 1 ao 5. Neste trecho que li, na versão da Bíblia de Estudo de Genebra (Edição Revista e Ampliada), o versículo 4 afirma que Jesus se entregou pelos nossos pecados para nos “desarraigar” deste mundo perverso. Curioso com o verbo em questão, fui ao dicionário ver o que significava e senti-me profundamente entristecido com o que era antes de conhecer ao Salvador.

Desarraigar significa “arrancar (uma planta, uma árvore) pela raiz”, ou ainda “tirar pessoa de determinado lugar, à força”. Essa é a dimensão da depravação humana: nós não desejávamos estar com Cristo. Estávamos todos plantados num mundo de pecado e imundícia, alimentando-nos do solo miserável em que estávamos fixados. Como diz o hino de n.º 15 da Harpa Cristã, “Foi na Cruz”, quão cegos nós andávamos, longe, longe, de nosso Salvador! Ainda que não querendo fazer diferença entre o pecado, visto que não existe “pecadinho e pecadão”, meu coração grita de horror ante à incredulidade que nele mesmo insiste em existir.

“Como, em algum dia, pude não querer este tão meigo Senhor? Como, durante a minha caminhada de vida, não quis eu lançar-me aos pés de Cristo?”. Dou graças ao Pai, pois aprouve Ele chamar-me para perto de Jesus (Jo 6.44). Quis Ele arrancar-me do lamaçal de pecado (Sl 40.2). Decidiu, o Todo Poderoso, que viria à terra como forma de homem mortal, ainda que não conhecendo o pecado, para pagar o preço que eu nunca poderia pagar (Fp 2.5-8; Gl 1.4). Ele se entregou pelos nossos pecados! Nós, e não Ele, somos os culpados! A responsabilidade é nossa!

E é exatamente por isso que precisamos da misericórdia e da graça de Deus, porque temos uma natureza que diariamente milita contra o Espírito dentro de nós (Gl 5.17), e que às vezes vence. Não podemos voltar à velha vida, sairmos do local onde Deus nos plantou, “junto ao ribeiro de águas” (Sl 1.3), e caminharmos em rebeldia ao solo lamacento de Satanás, do pecado.

Deus nos levou para mais perto dEle, para que não sintamos necessidade de outro nutriente a não ser Ele mesmo, e a Sua Palavra. Que consigamos, todas as vezes que nossos corações ansiarem por minerais diferentes, momentaneamente prazerosos, mas eternamente fatais, olhar para o madeiro, onde Cristo verteu seu sangue precioso, com o qual fomos regados e, pela sua Graça, crescemos transformados.

“Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” Romanos 11.36

Daniel Kinchescki

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