cruz comunhão

A revelação do amor de Deus é algo tão grande e maravilhosamente diversa que nenhum ser humano consegue compreender esse amor e essa graça em sua plenitude.

A comunhão entre pessoas que professam a mesma fé possibilita o crescimento espiritual e o entendimento mais profundo desse amor e dessa graça, pois em nossa caminhada estamos em níveis e momentos diferentes uns dos outros.

Nessa caminhada, um consegue olhar para Deus de uma forma, aprender alguma coisa e ter alguma experiência, enquanto o outro pode enxergar o amor e a graça de Deus por outra perspectiva, aprender outras coisas e ter outras experiências. Deus é o mesmo e se manterá o mesmo, mas o entendimento e as experiências de cada um são fundamentais para a maturidade e crescimento de toda a comunidade a que estão vinculados.

Logo, a comunidade é composta de pessoas diversas, cada uma com suas particularidades, passado, experiências e maturidade. Por isso chamamos esse organismo vivo de corpo, onde as partes são complementares e interdependentes para o funcionamento do todo, o que demanda grande cuidado e sabedoria para gerenciar esses relacionamentos.

E disse Jesus: “Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens”. Mateus 4:19

Pessoas que chegam a todo o tempo para a igreja e para a comunhão muitas vezes chegam perdidas, confusas, machucadas e em conflito. Jesus quando chama seus discípulos não os avalia nem os separa por habilidades e personalidade, Ele apenas os convida a largarem tudo e O seguirem.

Mas, vocês não serão assim. Pelo contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa como o que serve. Lucas 22:26

Sendo assim, o que difere no corpo uns dos outros no sentido de hierarquia é o quanto os que já entenderam um pouco mais servem os que estão chegando e agem em prol deles como facilitadores. No reino de Deus a pirâmide é invertida e os que recebem mais de Deus o recebem para serem dispensadores sobre a vida de outros.

Falando sobre a recepção de novas pessoas no corpo e a comunhão e dificuldade nos relacionamentos lembramos logo do exemplo de Paulo. Quando se converte, Paulo deixa de ser o maior perseguidor de cristãos de sua época e é lançado para a comunhão com outros aos quais ele havia perseguido, talvez até preso e agredido.

Hoje em dia na igreja também recebemos pessoas que antes da conversão tinham ideologias e atitudes contrárias ao Evangelho e a igreja. Essas pessoas chegam com muitas dúvidas e questionamentos, pois a conversão é progressiva e contínua, e não gera todas as respostas que precisamos de uma vez, apenas abre nossa consciência para que possamos começar a caminhada (Cl 1:13-22). Após sermos transportados para o Reino do Seu Filho amado, devemos agora conhecer e aprender sobre esse Reino.

Quando chegou a Jerusalém, tentou reunir-se aos discípulos, mas todos estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente um discípulo. Então Barnabé o levou aos apóstolos e lhes contou como, no caminho, Saulo vira o Senhor, que lhe falara, e como em Damasco ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus. Assim, Saulo ficou com eles, e andava com liberdade em Jerusalém, pregando corajosamente em nome do Senhor. Atos 9:26-28

E é isso que acontece quando Barnabé percebe essa rejeição e indiferença a Paulo, intervindo em favor dele com os demais irmãos. Barnabé a partir do momento que aceita esse chamado vai começar um processo de relacionamento e mentoria, que é o que chamamos de discipulado.

Contudo, essa comunhão e relacionamentos muitas vezes passam por desentendimentos, da mesma forma que aconteceu com Barnabé e Paulo, que se desentenderam por causa Marcos, o discípulo, que os havia acompanhado em uma viagem anterior (Atos 15:36-40). Paulo ficou chateado porque Marcos não teve espírito combativo suficiente para permanecer com eles. Isso foi o suficiente para que Paulo rejeitasse completamente a companhia de Marcos em missões futuras.

Em nossa caminhada na igreja muitos vezes esses desentendimentos acontecerão, mas devemos buscar a reconciliação para que a obra de Deus possa continuar sendo feita com zelo e amor. Em nossas igrejas atualmente vemos essas duas características com grande frequência: as de Paulo naqueles irmãos sinceros e zelosos, porém implacáveis no trato com seus semelhantes, não conseguindo ver além dos erros do passado; e as de Barnabé, que representam os que valorizam mais a pessoa do que o erro que ela cometeu, trabalhando assim no seu desenvolvimento como discípulo de Jesus.

Devemos buscar sabedoria do Senhor para que possamos achar a medida certa e o equilíbrio de cada uma dessas coisas, o zelo com a obra de Deus e o cuidado e amor com os irmãos.

Quando falarmos de comunhão, que possamos sempre nos lembrar da cruz, que na comunhão representa nosso relacionamento com Deus (vertical) e nosso relacionamento com os irmãos (horizontal), que são complementares e inseparáveis, pois a principal forma de louvor e adoração que Deus escolheu receber foi na vida do outro.

Com amor e tremor,

Rafael Câmara Alves.

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