Depressão pastoes

Fiquei desconcertado, encurvei-me ao máximo; o dia inteiro tenho andado entristecido.” — Salmo 38:6.

Alguns profetas bíblicos e pregadores ao longo da história passaram por algum episódio depressivo. Atualmente, muitos líderes religiosos têm assumido serem portadores de um transtorno mental (católicos, protestantes, entre outros). Este artigo, no entanto, terá como foco o número crescente de casos de depressão em pastores e outros líderes protestantes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), já estabeleceu a depressão como a causa número um no mundo geradora de incapacidade. As síndromes depressivas têm como sintomas mais citados o humor triste e desânimo. A doença manifesta-se de diversas maneiras, com uma variedade de sintomas (podendo incluir alucinações e delírios), que afetam desde a cognição (memória, concentração, atenção), até alterações psicomotoras (lentidão). Além disso, existem fenômenos biológicos associados (neuronais ou neuro endócrinos).
Alguns sinais e sintomas incluem choro fácil, apatia, desespero, ausência de libido e irritabilidade aumentada. Em casos específicos de pessoas religiosas, o elemento da auto culpa e autopunição consequentes da tristeza pela falta cometida (pecado), também estão muito presentes; caso o indivíduo já esteja depressivo, tais aspectos o levam a afundar-se cada vez mais no quadro.

Segundo o artigo “UM ESTUDO DA DEPRESSÃO EM PASTORES PROTESTANTES (2009)” publicado pela revista Mackenzie, “Lotufo Neto (1977, p. 251) encontrou maior incidência de doenças mentais entre ministros protestantes se comparados à população geral, e os transtornos depressivos responderam por 16,4% das doenças mentais encontradas nos ministros protestantes. (de Deus, 2009, p.196).

De acordo com a pesquisa “DEUS, 2008” ao entrevistar treze pastores (nove presbiterianos, três batistas, e um da Assembleia de Deus), cinco presbiterianos relacionaram a depressão ao estresse consequente da vida pastoral, dois a problemas de relacionamento conjugal, e dois desconheciam a causa. (de Deus, 2009, p.197). Ainda, dois dos três pastores batistas a relacionaram ao pecado e à falta de fé, e um não sabia a causa. O pastor assembleiano relacionou sua depressão à uma operação demoníaca. (de Deus, 2009, p.197).

Um fator relevante – e preocupante confirmado pela pesquisa é que, dentre os pastores, dos nove presbiterianos cinco referiram como causa da depressão o estresse ligado à atividade pastoral. Estas atividades estressantes podem ser relacionadas aos seguintes fatores (dados retirados do artigo citado):

• Problemas com instâncias da Igreja (compreendida como organização) por presbitérios e sínodos: falta de compreensão e apoio das referidas instâncias; •Problemas de relacionamento com as igrejas locais;
• Uma queixa comum a todos foi a existência de problemas financeiros advindos da baixa remuneração profissional;
• Problemas conjugais também foram significativos: três dos nove pastores presbiterianos e um dos três Não sabem a causa 33% Pecado e falta de fé 67% Pastores batistas Por causa da ação do demônio 100% Pastor assembleiano.

Levando-se em conta fatores sociais referentes à ideia do pastor ou líder como “O ungido do Senhor” (remetendo também a ideia de força, estabilidade e prontidão para ajudar), torna-se difícil para este público assumir sua condição de fragilidade e buscar ajuda, preocupados com possíveis julgamentos. Muitas dessas atividades também lhe consomem a maior parte do tempo e energia psíquica, consequentemente acarretando sérios danos ás esferas sociais, saúde física e mental, familiar e etc.

É preciso investir cada vez mais em informações acerca da depressão e outros transtornos mentais dentro das igrejas, com o objetivo de modificar crenças relacionadas à ação de demônios, punição divina e entre outros fatores, possibilitando-os conhecer o ponto de vista médico sobre o assunto. Também se faz necessário o incentivo aos pastores e líderes para que procurem auxílio nesses casos, conscientizando a si mesmos e sua comunidade a respeito de suas próprias fragilidades como homem.

Algumas comunidades cristãs hoje em dia já possuem programas dentro das próprias igrejas para atendimento psicológico (com psicólogos voluntários ou não) para demandas não somente dos líderes, mas também de todos os fiéis que necessitarem. Desta forma, conclui-se a importância da caminhada em direção a uma vida mais equilibrada para todos dentro de uma comunidade religiosa.

Pamela Marques Forte – Psicóloga Clínica

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